quinta-feira, 31 de maio de 2012

Corredores de ônibus já inflacionam imóveis

21/05/2012 - O Dia, Christina Nascimento

No caminho das pistas expressas de BRT, preços subiram até mais de 150%. Terreno perto de estação da Transoeste, em 8 meses, passou de R$ 60 mil para R$ 150 mil
No caminho dos corredores de ônibus BRT, é o mercado imobiliário que dispara na frente. Casas e apartamentos que ficam no entorno das pistas rápidas já tiveram valorização de mais de 150% por causa do novo sistema. Terreno próximo à Estação Veridiana, do Transoeste (Barra-Santa Cruz), por exemplo, há oito meses custava R$ 60 mil. Hoje, a proprietária não negocia por menos de R$ 150 mil.

A dica de especialistas para moradores de bairros cortados pelo BRT é: só venda o imóvel se for para comprar outro de imediato. Se guardar o dinheiro, haverá prejuízo, pois a alta vai continuar.

O corretor de imóveis Allan Richard contou que o interesse dos clientes pelo traçado do Transcarioca (Barra-Aeroporto Tom Jobim) tem aumentado nos últimos meses: "Eles perguntam se o empreendimento vai ficar perto de estação de embarque. Isso é uma realidade que temos que considerar, porque é um atrativo". E é justamente de olho nesse filão que as construtoras estão apostando. Na semana passada, foi lançado empreendimento na Estrada dos Bandeirantes em que cada apartamento de 50 metros quadrados custa R$ 297 mil, na planta. Há um ano, o valor ali orbitava em torno de R$ 150 mil.

Experiência do corredor viário em outros países mostra que o fenômeno que ocorre no Rio já era previsível. Em Cleveland (EUA), o BRT Healthline transformou o bairro Midtown. Terrenos abandonados e com ferros-velhos ganharam construções novas e até um hospital. Mesmo durante a crise de 2008, imóveis dobraram de preço por causa do corredor. Em Bogotá e Medellín, na Colômbia, o mercado de compra e venda de casas registrou aumento entre 30% e 50% devido aos BRTs Transmilenio e Metroplús, respectivamente.

Expectativa de mais novos empreendimentos e serviços
O boom imobiliário nos bairros por onde vão passar os BRTs deve dar novo visual urbanístico e aquecer o comércio em regiões antes pouco valorizadas, como Sepetiba, Santa Cruz e Pedra de Guaratiba. A expectativa é que aumente o setor de serviços e de alimentos na região.
Vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Paulo Fabbrianni vai mais longe. Ele acredita que com o trânsito fluindo haverá maior interesse de cariocas em visitar o interior do estado: "O maior tempo gasto na viagem é para sair da capital. Se você consegue resolver isso, é grande incentivo".
Transoeste vai reduzir viagem à metade
O Transoeste, que será o primeiro BRT do Rio, reduzirá de duas para uma hora o percurso entre Santa Cruz e Barra da Tijuca. A inauguração deve acontecer antes da primeira quinzena do mês que vem. A implantação será feita em quatro etapas. O corredor será o primeiro de quatro que serão implantados até 2016, o que criará uma rota de 151 km de via expressa.
Ano que vem, deve ser concluído o Transcarioca, que terá 39 km e transportará 400 mil pessoas por dia. Esse BRT beneficiará, principalmente, o subúrbio do Rio - Olaria, Ramos, Vila da Penha, Madureira, Vaz Lobo.
BRT pelo mundo

Medelín

TECNOLOGIA. O Centro de Controle e Operações (CCO) do Metroplús tem 40 funcionários e a tarefa de resolver rapidamente problemas nas vias de BRT. Imagens de câmeras surgem em tempo real nos painéis. No Rio, sala semelhante vai funcionar no Terminal Alvorada. De lá, operadores vão se comunicar por microfone com os motoristas, que poderão alertá-los sobre assaltos apertando um botão.

Cleveland

BICICLETÁRIO. Nos ônibus articulados que transitam no BRT Healthline, foram projetados espaços para que ciclistas carreguem suas bicicletas. Nos pontos de embarque, há estacionamentos para 'magrelas'. Haverá as duas facilidades nos coletivos e nas estações dos corredores expressos do Rio de Janeiro.

Bogotá
TERMINAL. Inspirado em Curitiba, o Transmilenio carrega 45 mil passageiros por hora, em cada sentido. É mais do que muitos metrôs do mundo. A expectativa é chegar a três milhões de usuários por dia. O corredor tem sete terminais, como o Américas. O novo Alvorada, na Barra da Tijuca, seguirá esse padrão.

Niterói licitará obras projetadas por Lerner

13/05/2012 - O Globo, Renato Onofre

Licitação para transformação de Amaral Peixoto e Visconde do Rio Branco começa em 15 dias

A prefeitura de Niterói dará mais um passo para a implantação da primeira fase do Plano de Transporte e Trânsito proposto pelo arquiteto Jaime Lerner. Foi anunciado para os próximos 15 dias o início do processo de licitação para intervenções nas avenidas Amaral Peixoto e Visconde do Rio Branco, duas das principais vias do Centro. A primeira será transformada em mão dupla para ônibus, mas os carros de passeio só poderão seguir em direção à estação das barcas, além disso, o estacionamento será proibido em toda a sua extensão; e a segunda ganhará quatro pistas em cada um dos sentidos.

Alterações já para o fim do ano

A expectativa da Niterói, Trânsito e Transporte (NitTrans) é que, até o fim do ano, essas alterações já estejam valendo. Elas visam, principalmente, à interligação dos terminais rodoviários João Goulart e do Largo da Batalha, que também será licitado neste primeiro semestre.
- Não há uma solução mágica para o trânsito de Niterói. O que estamos fazendo é um planejamento a longo prazo que passa, primeiro, pela criação de eixos viários com ênfase no transporte público, e pela reorganização da maneira de ir e vir na cidade - afirma o presidente da NitTrans, Sérgio Marcolini.

O projeto executivo encaminhado à Empresa de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) prevê a construção de faixas exclusivas para ônibus na Avenida Amaral Peixoto em direção ao Hospital Universitário Antonio Pedro. Serão três estações de embarque e desembarque na via e, próximo a elas, a pista será dupla para facilitar a ultrapassagem dos ônibus. Um canteiro central também será construído com três metros de largura para facilitar a travessia dos pedestres.
Um dos pontos mais polêmicos do projeto, segundo o próprio Marcolini, é a extinção das vagas de estacionamento na Amaral Peixoto. Mas ele argumenta:

- Temos que ganhar esse espaço para aumentar a fluidez da via. Aumentando a capacidade de fluxo da Amaral Peixoto, vamos poder desafogar as ruas secundárias do bairro e reorganizar o estacionamento nestes pontos.

Na Avenida Visconde do Rio Branco, das quatro faixas que serão criadas de cada lado da via, duas, em ambos os sentidos, serão de uso exclusivo a ônibus. Outra mudança será no acesso dos ônibus à Amaral Peixoto. Com a criação da mão dupla, a Rua da Conceição deixa de receber os coletivos, como ocorre atualmente. Eles sairão do terminal direto para a Amaral Peixoto ou terão a opção de dar a volta em frente ao Plaza, como é feito hoje.
- O projeto original proposto pelo Lerner previa a entrada direto na Amaral Peixoto, mas, depois de reanalisarmos, percebemos que podemos dividir esse fluxo para não sobrecarregar a primeira estação de ônibus da Amaral Peixoto - explica Marcolini.

O mergulhão da Avenida Marquês do Paraná começa a ser escavado ainda este mês. Contudo, o presidente da NitTrans admite que não será possível a conclusão das obras do entorno do mergulhão nesta gestão. O principal entrave é o alargamento da Marquês do Paraná no trecho entre a as ruas Doutor Celestino e Miguel de Frias. O processo de desapropriação de imóveis está em andamento, mas a solução não será para este ano. A previsão é que a área ganhe uma ciclovia arborizada e lojas comerciais.

Desde o início do ano, a prefeitura começou a implantar as mudanças do Projeto Lerner. A Avenida Roberto Silveira passou a ser mão única em direção ao Centro. Segundo a NitTrans, o tempo de fluidez caiu nas principais vias de Icaraí , apesar de o trânsito ter aumentado nas ruas Gavião Peixoto e Mem de Sá, que viraram alternativa à avenida para quem segue em direção a São Francisco.

domingo, 27 de maio de 2012

Primeiras obras do BRT Transcarioca serão entregues nesta sexta

24/05/2012 - Portal 2014

Futuro corredor será aberto ao tráfego após o evento, que terá a presença do prefeito Eduardo Paes

Mergulhão do Campinho terá três faixas em cada sentido 

O mergulhão do Campinho e o viaduto Negrão de Lima serão inaugurados nesta sexta-feira (25) às 11h, no Rio de janeiro, com a presença do prefeito Eduardo Paes. As obras fazem parte do BRT Transcarioca. O futuro corredor será aberto ao tráfego logo após o evento.

A CET-Rio (Companhia de Engenharia de Tráfego) estima que 20 mil veículos circularão por dia em cada sentido do mergulhão. Já o novo viaduto deve receber diariamente 10 mil veículos.

Antes das obras, o local era um cruzamento com quatro vias (Rua Cândido Benicio, Estrada Intendente Magalhães, Rua Domingos Lopes e Rua Ernani Cardoso). Com a eliminação do cruzamento, os usuários vão acessar o mergulhão e sair direto na Rua Domingos Lopes.

O empreendimento terá três faixas em cada sentido --duas para carros e uma para o BRT. Nas estações, haverá uma faixa adicional para que os ônibus façam ultrapassagens.

O BRT Transcarioca chegou a 27,5% de execução após 14 meses do início da obra. A linha terá 39 quilômetros, com 45 estações e três terminais, ligando a Barra da Tijuca ao aeroporto do Galeão.

Orçada em R$ 1,18 bilhão, a linha vai transportar 400 mil passageiros por dia. A previsão é que a obra seja concluída até dezembro de 2013.

Ônibus do Transoeste começam a circular nesta terça

26/05/2012 - O Globo

empresários da Rio Ônibus testou sistema na manhã deste sábado

Frota de ônibus do BRT Transoeste faz testes com empresários do setor de transportes na Avenida das Américas Guilherme Leporace / O Globo

Uma equipe da Rio Ônibus realizou, na manhã deste sábado, uma viagem de teste com empresários do setor de transportes no Bus Rapid Transit (BRT) Transoeste, da estação Magarça, em Guaratiba, até o terminal Alvorada, na Barra da Tijuca. O novo sistema começa a operar em fase experimental nesta terça-feira, com ônibus circulando entre 10h e 15h, com partidas a cada 15 minutos. A previsão é que o sistema entre efetivamente em vigor a partir do dia 4 de junho, mas a data ainda não foi confirmada pela Secretaria municipal de Transportes. Nesta semana de testes, os veículos irão parar em apenas 12 das 24 estações existentes entre as paradas Maçarça e Alvorada. No total, serão 91 ônibus articulados circulando pelo BRT Transoeste entre Santa Cruz e o Terminal Alvorada, com um total de 59 estações e dois terminais rodoviários.

Segundo o presidente da Rio Ônibus, Lelis Teixeira, semana que vem uma equipe de Curitiba primeira cidade brasileira a adotar este sistema virá para dar treinamento aos funcionários da empresa, como motoristas e pessoal técnico. Ele afirmou ainda que, após a inauguração do sistema, haverá uma fase de transição, e as linhas convencionais continuarão circulando, por um período ainda não estipulado, para que os usuários se acostumem ao BRT.

Hoje, temos cerca de 250 ônibus convencionais circulando por esta região. Com a inauguração do BRT, estes ônibus passarão a ser apenas alimentadores, levando os passageiros dos bairros até as estações do BRT. Assim, haverá menos ônibus circulando nas ruas, melhorando o trânsito sensivelmente afirma Teixeira. Todos os ônibus do BRT usam combustível sustentável, têm ar-condicionado e aparelhos de TV, com programação especial, com conteúdo de serviços. Em cada estação, haverá monitores de TV, onde será informado a previsão para o tempo de chegada até a próxima estação. E uma informação importante é que a passagem vai continuar custando os mesmos R$ 2,75, e manteremos o Bilhete Único.

O diretor da Rio Ônibus falou também sobre a questão da segurança nas estações. Segundo ele, a entidade fez uma parceria com a Polícia Militar, e haverá um policial de plantão em cada estação. Outro ponto ressaltado por ele foi o Centro de Controle Operacional (CCO) do BRT Transoste, localizado no Terminal Alvorada, de onde uma equipe destacada especificamente para cuidar do sistema irá monitorar todo o percurso, durante 24 horas por dia.

Há câmeras ao longo de todo o trajeto, e as estações ficam distantes cerca de 500 metros uma da outra. Serão duas linhas na Transoeste: uma expressa, que irá parar em apenas quatro estações, de maior movimento; e uma do tipo parador, que passará por todas as estações disse. Nos horários de pico, pretendemos ter ônibus partindo a cada dois minutos, para evitar a superlotação.

Engenheiro responsável pela equipe que cuidará do funcionamento do BRT Transoeste, Alexandre Castro afirmou que, do CCO, será possível monitorar a demanda em todos os momentos do dia, aumentando ou diminuindo a frota em circulação de acordo com a necessidade. Segundo ele, a Rio Ônibus já está realizando treinamentos, simulando casos de quebras de veículos no corredor expresso:

Em caso de um veículo quebrar no corredor, estipulamos um prazo de seis minutos para que o primeiro atendimento seja feito por nossa equipe. E temos áreas de escape, para que um outro ônibus possa chegar ao local, a cada um quilômetro.

No último dia 17, o prefeito Eduardo Paes afirmou que o corredor expresso deveria ser inaugurado em 15 dias. A promessa da Secretaria municipal de Transportes é que, em junho, 31 das 59 estações estejam funcionando. Antes disso, haverá testes com ônibus circulando pela pista do BRT fora do horário de maior movimento e com passageiros utilizando o transporte. Porém, o projeto, que promete encurtar pela metade o tempo de viagem entre Barra Tijuca e Santa Cruz e que custou R$ 900 milhões, ainda depende de muitas obras. Quase metade das estações não está pronta. Algumas, em Santa Cruz e Campo Grande, por exemplo, se encontram na fase inicial e causam transtornos aos moradores da área.

O primeiro BRT carioca deverá reduzir pela metade o tempo de percurso entre Barra e Santa Cruz. Hoje, diz a prefeitura, as viagens demoram em média duas horas. O GLOBO percorreu toda a extensão do corredor no dia 17 e observou que as vias e as plataformas continuam em obras, havendo ainda muito a ser feito. A prefeitura informou que o BRT só estará em pleno funcionamento em agosto, com as 59 estações operando.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ligeirão do Rio está entre os mais caros do mundo

17/05/2012 - Extra

Marcelo Dias

A conta para se viajar mais depressa no Rio de Janeiro será uma das mais altas do mundo, considerando-se a comparação em dólar com outras metrópoles
 
Corredor e ônibus do Transoeste, Rio de Janeiro
créditos: Fabio Rossi / O Globo

Prevista para ser inaugurada no próximo dia 21, a TransOeste — a primeira das quatro vias expressas de ônibus projetadas para a cidade — terá uma tarifa que custará 5,7 vezes a do Metrobus de Buenos Aires, por exemplo.
 
No Rio, a passagem custa R$ 2,75 ao longo de um trajeto de 56 quilômetros. Em Buenos Aires, pagam o equivalente a R$ 0,48. Em dólar, os cariocas desembolsam US$ 1,39 contra US$ 0,24 dos portenhos, segundo a cotação desta sexta-feira (11).
 
Comparando-se com outras cidades, percebe-se que a tarifa cobrada no Rio é pesada. Em Boston (EUA), paga-se US$ 1,25. Na Cidade do México, a população viaja por apenas US$ 0,36 ao longo dos 95 quilômetros do Metrobús — que é mais caro até do que o metrô. Em Bogotá, o preço da passagem da TransMilénio é de US$ 0,99. Inspirado nos corredores de Curitiba, o projeto colombiano virou referência mundial e conta com uma rede de 84 quilômetros.
 
Na China, a via expressa de Guangzhou serve a 800 mil passageiros por dia, um recorde mundial, ao longo de 22,5 quilômetros. Lá, a tarifa custa US$ 0,31. Na capital Pequim, a rede possui 55 quilômetros e a passagem vale US$ 0,26. No único BRT (bus rapid transit, na sigla em inglês) intercontinental, o Metrobüs de Istambul, na Turquia, a tarifa custa US$ 0,60.
 
Hoje, o corredor com maior número de passageiros no planeta é o de Guangzhou, na China, com 800 mil usuários por dia. Lá, a passagem custa quase um quinto do que no Rio. E se o espelho for brasileiro, Curitiba — que inventou o conceito de ligeirões, em 1972 — se dá o luxo de cobrar uma simbólica tarifa de R$ 1 aos domingos.
 
Passe mensal nos EUA é mais barato
 
Mesmo nos EUA, é possível economizar nos corredores. Em Los Angeles, na Orange Line, o passe mensal custa 38,3% a menos do que seria necessário para desembolsar durante 30 dias no Rio. Lá, o passageiro paga US$ 52 (ou R$ 101,44) para usar todos os meios de transportes públicos durante o dia inteiro, por todo o mês. Aqui, seriam necessários R$ 165 e, mesmo assim, válidos apenas por duas baldeações entre ônibus na TransOeste por duas horas.
 
Por outro lado, os cariocas contam com uma frota muito melhor do que a de seus vizinhos latinos. Segundo a Fetranspor, a idade média dos ônibus do Rio é de 5,5 anos. Na capital mexicana, as ruas estão cheias de coletivos com mais de três décadas de uso — exceto no Metrobús, a rede de corredores exclusivos para coletivos, onde os 370 veículos são novos.
 
Além disso, os ligeirões do Rio terão ar-condicionado, sem acréscimo de tarifa. Na Cidade do México, onde o Metrobús reordenou o trânsito no centro histórico, a refrigeração pesaria no bolso dos 760 mil passageiros.
 
— Isso encareceria a tarifa, que, por motivos políticos, não é reajustada desde 2008 — diz o engenheiro de transportes Marco Priego, da Embarq México, ONG especializada no desenvolvimento de ações de mobilidade urbana.
 
Alerta vindo do México
 
Antes mesmo de entrar em operação, a TransOeste já recebe orientações para correção de rumo. A ideia da Secretaria de Transportes de permitir que linhas alimentadoras circulem dentro do corredor em alguns trechos e o compartilhamento de, pelo menos, quatro quilômetros de pista com os demais veículos na Estrada da Pedra, em Sepetiba, jogam por terra o conceito de via expressa.
 
— Isso é um risco à operação de um corredor como esse, com o tempo de viagem ameaçado — alerta o subgerente de planejamento da mexicana Metrobús, David Escalante Sánchez.
 
De qualquer forma, os ligeirões chegaram para ficar. Em todo o globo, 137 cidades usam o sistema, com 22,5 milhões de passageiros diariamente. E a população parece aprová-los a ponto até de pagar mais taxas para isso.
 
— Fizemos um plebiscito e a população nos autorizou a aumentar 0,5% da taxa cobrada sobre vendas, que é de 15%, para esses projetos. Esperamos juntar US$ 40 bilhões em 30 anos, e antecipar parte desse dinheiro em pouco tempo para iniciar novos projetos — conta o gerente-executivo da Agência Metropolitana de Transportes de Los Angeles, Hitesh Patel.
 
No Rio, se o preço da passagem do ligeirão está entre os mais salgados, o carioca terá — se tudo sair como planejado, até 2016 — a segunda maior rede de corredores do mundo, com 153 quilômetros, atrás só da subutilizada malha de Melbourne, na Austrália, com 233 quilômetros para parcos 36,2 mil passageiros por dia. Só a TransOeste, que ligará a Barra da Tijuca aos bairros de Santa Cruz e Campo Grande, terá 64 estações. O projeto foi orçado em R$ 900 milhões.
 
Ligeirões mundo afora
 
Brasil
São Paulo: R$ 3 (US$ 1,52), com 38,5 mil passageiros por dia em 10,8km.
Rio de Janeiro: R$ 2,75 (US$ 1,39), com previsão de 220 mil usuários em 56km.
Curitiba: R$ 2,60 (US$ 1,32), com 505 mil usuários em 81,4km.
Goiânia: R$ 2,50 (US$ 1,27), com 240 mil passageiros em 13,5km.
 
EUA
Los Angeles: US$ 1,50 (R$ 2,94), com 27 mil usuários em 22,9km.
Boston: US$ 1,25 (R$ 2,45), com 29,6 mil usuários em 9,2km.
 
México
Cidade do México: US$ 0,36 (R$ 0,72), com 760 mil usuários em 95km.
 
Colômbia
Bogotá: US$ 0,99 (R$ 1,95), com 1,65 milhão de passageiros em 84km.
 
Chile
Santiago: US$ 1,19 (R$ 2,34), com 2,4 milhões de usuários em 53,5km.
 
Argentina
Buenos Aires: US$ 0,24 (R$ 0,48), com 100 mil passageiros em 12,5km.
 
Turquia
Istambul: US$ 0,60 (R$ 1,19), com 700 mil usuários em 45km.
 
China
Pequim: US$ 0,26 (R$ 0,51), com 200 mil passageiros em 55km.
Guangzhou: US$ 0,31 (R$ 0,62), com 800 mil usuários em 22,5km.

BRT já foi rejeitado pelo Rio de Janeiro há 30 anos

17/05/2012 - The City Fix Brasil

Há 30 anos, Jaime Lerner apresentou ao governo do Rio de Janeiro um esboço do que poderia ter sido o primeiro sistema BRT-Bus Rapid Transit do mundo

Maria Fernanda Cavalcanti  
 
Desenho feito por Jaime Lerner há 30 anos
créditos: Divulgação

Há 30 anos, Jaime Lerner apresentou ao governo do Rio de Janeiro um esboço do que poderia ter sido o primeiro sistema BRT-Bus Rapid Transit do mundo. Mas, na época, o então governador Leonel Brizola não levou adiante o projeto do arquiteto, que acabou implementando o sistema pioneiro na cidade de Curitiba.
 
Isso é o que conta os repórteres Edimilson Ávila e Sérgio Leite, da TV Globo, na última matéria da série BRT, no Bom Dia RJ. A dupla fez parte do primeiro grupo da “Experiência BRT – Missão de Imprensa”, que explorou os ônibus de alta capacidade da Cidade do México e de Los Angeles, nos EUA – sistemas considerados referências internacionais.

domingo, 6 de maio de 2012

Os dois lados de um mesmo BRT

03/05/2012 - O Globo, Isabel de Araújo e Natália Boere

Obras do corredor expresso Transoeste só estão adiantadas no trecho entre Barra e Recreio

A os olhos dos motoristas que circulam pela Avenida das Américas entre a Barra e o Recreio, a inauguração do Bus Rapid Transit (BRT) Transoeste - que promete encurtar o tempo de viagem entre Barra e Santa Cruz - é uma questão de dias. No trecho, as estações estão em fase de conclusão, as faixas exclusivas dos ônibus, pintadas, e até mesmo o paisagismo foi finalizado. No entanto, atravessando o recém-construído Túnel da Grota Funda, a situação muda. Do outro lado, como em Santa Cruz e em Campo Grande, há trechos que ainda não foram duplicados e plataformas inacabadas. Apesar do prazo apertado, a prefeitura promete inaugurar a obra em 13 de junho, quando começa a Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável.

Antes mesmo da inauguração, problemas já começam a aparecer no trecho mais adiantado. As fortes chuvas inundaram o trecho recém-duplicado da Avenida das Américas, no Recreio. O ponto que virou um piscinão fica perto do Recreio Shopping. Não foi necessário interditar a via, mas o grande bolsão que se formou anteontem complicou a passagem dos carros e, apenas às 13h de ontem, foi removido por um caminhão de sucção.
A secretaria municipal de Obras informou que, após vistorias no trecho inundado, técnicos identificaram obras feitas em imóveis particulares fechando a rede de drenagem. Alguns proprietários já foram notificados pela Rio Águas. A secretaria argumentou ainda que o corredor Transoeste ainda não foi finalizado e que, antes da conclusão da obra, será necessário abrir uma nova vala, paralela à pista, para desaguar no Canal do Rio Morto.
Obra custará R$ 900 milhões
Ao custo de R$ 900 milhões, o BRT Transoeste terá 56km de extensão e promete reduzir pela metade o tempo de viagem entre Barra e Santa Cruz. Na segunda-feira, O GLOBO percorreu toda a extensão do corredor e observou que trabalhos de duplicação de vias e construção de plataformas estão longe da conclusão, apesar de a Secretaria de Obras garantir que até 13 de junho o corredor expresso e as 35 estações estarão prontos.
Diferentemente do cenário encontrado no trecho da Barra ao Recreio, a duplicação da Avenida das Américas entre a Avenida Alceu de Carvalho e Estrada do Pontal (de onde parte o Túnel da Grota Funda) nem recebeu asfalto ainda. As manilhas aguardam no acostamento para serem instaladas. Postes de iluminação tampouco chegaram.
Cenário igual foi encontrado no trecho da Avenida das Américas até a Estrada da Matriz. Os operários também vão ter que correr contra o relógio para concluir o trecho que vai ligar Santa Cruz a Campo Grande. O Transoeste deverá ser prolongado, a partir da Estrada da Pedra, por mais 7km na Rua Felipe Cardoso. O fato é que, até agora, o trecho ainda não recebeu asfalto e as plataformas nem base de sustentação ganharam. A secretaria também limitou-se a responder que essas etapas estarão concluídas até 13 de junho.
Para o fim de julho, o órgão prometeu concluir uma via de 11km que será construída na Avenida Cesário de Melo até a estação de Campo Grande. O projeto prevê ainda o compartilhamento entre os ônibus articulados do BRT e os demais veículos em 4km da Estrada da Pedra. O Transoeste terá, inicialmente, seis linhas (serviços). A maior parte delas (60%) vai trafegar exclusivamente na canaleta (via segregada do tráfego normal). O restante circulará por cerca de 33km em canaletas e 4km em pistas compartilhadas naquela estrada. A Secretaria municipal de Transportes garantiu que o volume de tráfego na Estrada da Pedra, de aproximadamente mil veículos/hora por sentido, não será empecilho à circulação dos ônibus do BRT Transoeste. Caso o sistema se torne sobrecarregado no futuro, a secretaria diz que poderá fazer a pista segregada também nesse trecho.
Preocupação com ônibus enguiçados
Na opinião do professor de engenharia de transportes da Coppe/UFRJ Paulo Cezar Ribeiro, se de fato o volume de carros limitar-se a mil veículos/hora não haverá problema no compartilhamento da via.

- O ideal era que o sistema de BRT fosse feito de forma exclusiva para o ônibus articulado. Com este volume de carros (mil veículos/hora), o tráfego não deve sofrer grandes transtornos. Vamos ter que aguardar a inauguração do sistema, para ver como a via vai se comportar - afirma o especialista.

A realização de obras do BRT Transoeste tem provocado engarrafamentos em alguns trechos da Avenida das Américas, mas os moradores da Barra têm sido compreensivos.
- O trânsito, às vezes, fica lento, mas sei que isso é temporário e por um bom motivo - disse o advogado Wagner de Oliveira.

Já o canteiro de obras em que foram transformadas as principais ruas de Santa Cruz tem testado a paciência dos moradores.

- Está um caos. Moro em Santa Cruz e trabalho na Barra. O tratamento é completamente diferente. Na Barra, todas as alterações no trânsito foram sinalizadas. Aqui em Santa Cruz, não temos placas nem ideia de quando as obras terminam - reclama o comerciante Carlos Alberto Portela.

A mureta que delimita o corredor exclusivo também é motivo de preocupação. Motoristas temem engarrafamentos no caso de um ônibus enguiçar. O subprefeito da Barra, do Recreio e de Jacarepaguá, Tiago Mohamed, diz que os corredores expressos terão um esquema de apoio, com carros e reboques pesados, distribuídos em bases operacionais ao longo do BRT.
- Também deixamos cruzamentos sem muretas, para permitir a saída de um ônibus com problemas na faixa exclusiva para uma das faixas centrais - explicou Mohamed.