domingo, 1 de outubro de 2017

Niterói-RJ. TransOceânica em nova etapa

01/10/2017 - O Fluminense


postado por Jorge Mattos 

A TransOceânica vai entrar em uma nova etapa neste mês de outubro. Na primeira quinzena será entregue o Plano Operacional do BHS (Bus of High Level of Service), ônibus que irá circular em faixa exclusiva fazendo o percurso do Engenho do Mato até Charitas, passando por 13 estações e pelo túnel, com o tempo médio de 25 minutos. 

Segundo o prefeito Rodrigo Neves, foi determinada a aceleração do cronograma de obras, o estudo sobre a implantação do veículo está sendo finalizado e o projeto ainda pode receber novidades.

“O plano será detalhado este mês, mas também incluímos nele um estudo para implantação de um ônibus elétrico, o que iria contribuir imensamente para o meio ambiente, evitando a poluição. Mas ainda estamos analisando a possibilidade”, explicou.

Com o início da atividade do BHS, o primeiro implantado na América do Sul equipado com ar-condicionado e portas de ambos os lados, os moradores da Região Oceânica poderão embarcar nos veículos em estações localizadas nos seus bairros e em seguida ele entrará em pista exclusiva. No projeto, o corredor ainda contará com uma integração para a estação dos catamarãs de Charitas. 

Sustentabilidade – O prefeito Rodrigo Neves destacou também a importância da sustentabilidade e melhoria na mobilidade urbana com o término das obras da TransOceânica. No projeto, haverá a implantação de uma ciclovia de aproximadamente 60 quilômetros.

“Trabalhamos com o conceito de tornar Niterói uma cidade mais moderna e evoluída. Tão importante quanto a inauguração do túnel Charitas-Cafubá, que integra a obra, é evoluir o município com sistema sustentável, desenvolvendo assim uma cidade melhor para a atual e futuras gerações”, declarou.

Integrando o cenário, a prefeitura ainda irá inaugurar um bicicletário na Região Oceânica. Com previsão para ser aberto ao público no primeiro semestre de 2018, o espaço dedicado às bikes ficará no trevo do shopping Itaipu Multicenter.

Obra – O trecho 5 da TransOceânica, que vai do shopping Itaipu Multicenter até o DPO do Cafubá, na Estrada Francisco da Cruz Nunes, receberá uma ampliação de pistas. Segundo Rodrigo Neves,  a mudança irá melhorar a mobilidade do local. 

“Com a alteração, a tendência é reduzir o engarrafamento e trazer maior fluidez para a região. No total da obra, os trechos 2, 3, 4 e 7 já foram concluídos e o trecho 1 já está em fase de finalização”, explica. 

O trecho 6, localizado entre o Itaipu Multicenter e o Supermercado Diamante, iniciou mais uma etapa. As pistas sentido Centro da Estrada Francisco da Cruz Nunes, entre o banco Santander e a Rua Jornalista Carlos Vilhena (próximo ao shopping Plaza Mayor) estão interditadas ao trânsito. Já o trecho 8, que vai da rótula da Av. Central até a entrada do Engenho do Mato, estará concluído até a primeira quinzena de dezembro, segundo Rodrigo. 

Ainda de acordo com o prefeito, toda parte pesada da TransOceânica estará concluída no primeiro trimestre de 2018, com a previsão de que 9,5 quilômetros da Avenida Almirante Tamandaré estejam prontos, restando apenas 500 metros para finalização: “Esta etapa irá reduzir os transtornos para o verão, quando a Região Oceânica é muito procurada”, pontuou.

Neves ainda destacou a transformação da Estrada Francisco da Cruz Nunes, que era considerada pela população como um local degradado.

“As mudanças estão tornando o espaço mais amigável para os pedestres. Estamos colocando na via galerias de aproximadamente 4 metros para reduzir enchentes e alagamentos, que são comuns em época de chuvas. Obras de grande complexidade trazem transtornos momentâneos, mas a finalização das intervenções nesta via acontecem na primeira semana de dezembro”, concluiu.

De acordo com a prefeitura, a TransOceânica terá 9,3 quilômetros de extensão, atendendo a 11 bairros e transportando cerca de 80 mil pessoas diariamente. O túnel Luís Antônio Pimentel (Charitas-Cafubá) foi o primeiro passo da obra, e foi inaugurado no dia 6 de maio. Até o momento, mais de quatro milhões de veículos passaram pela estrutura.

Informações: O Fluminense

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Auditoria mostra poder de empresários sobre ônibus no Rio e má gestão da Prefeitura

14/09/2017 - G1 Rio

Consórcios definem alterações em linhas, frotas e pontos de ônibus. Relatório também apontou falta de controle dos custos, baixa qualidade dos ônibus e concentração de passageiros. Ex-prefeito Eduardo Paes diz que acatou sugestões da auditoria durante a sua gestão.

Por Cássio Bruno, G1 Rio

Relatório aponta problemas no sistema de ônibus do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)
Relatório aponta problemas no sistema de ônibus do Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

Uma auditoria contratada durante a gestão de Eduardo Paes (PMDB) fez um raio-X do sistema de transporte no Rio e constatou que os empresários tomam as principais decisões sobre linhas, frotas e pontos de ônibus. Isso porque a Prefeitura não tem equipe qualificada para fazer a gestão. Também foram apontados problemas como altas tarifas, a falta de controle dos custos, a baixa qualidade dos ônibus e o desrespeito a regras.

O estudo, que custou R$ 10,4 milhões, foi feito pela PricewaterhouseCoopers (PwC) entre 2014 e 2016, na sequência dos protestos de 2013 sobre as tarifas do transporte público.

O site Agência Pública conseguiu o relatório por meio da Lei de Acesso à Informação, e o G1 confirmou as informações divulgadas.

Veja as principais conclusões da auditoria:

“Consórcios e Rio Ônibus propõem a maior parte das alterações em linhas e frotas”.

A Prefeitura tem dificuldades para avaliar as propostas e fazer mudanças na malha rodoviária.

As tarifas são definidas com base em custos que não são controlados e ficam maiores do que deveriam.

A Secretaria de Transportes não tem pessoal qualificado para analisar as tarifas e discutir os reajustes pedidos pelas empresas.

Não há acompanhamento da destinação das tarifas.

A distribuição de passageiros de ônibus é irregular: 70% das pessoas usam 33% das linhas.

54% das linhas tem mais de 50% de sobreposição.

59% das linhas não cumpriam a determinação do tamanho da frota em 2014.

Custo da tarifa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) é mais elevado que em São Paulo, Londres e Buenos Aires.

Revisão integral da malha rodoviária poderia proporcionar economia de R$ 0,75 a R$ 1,25 no preço da passagem.

A frequência mínima entre os ônibus não é respeita nem no horário de pico.

Incidência de alta velocidade, com ônibus passando de 80 km/h, principalmente no período noturno.

Há cobrança de taxa para a recarga do Bilhete Único Carioca, que não é cobrada em outras cidades que utilizam sistema similar, como São Paulo, Curitiba e Nova Iorque.

Alguns consórcios operam linhas com tamanho da frota inferior ao determinado e nem sempre cumprem os trajetos.

A auditoria da PwC foi feita por meio de trabalho de campo, análise da situação financeira das empresas de ônibus, dados de localização dos coletivos (GPS) e entrevistas com equipes da prefeitura e funcionários das viações.

A consultoria teve acesso a informações financeiras de 41 empresas e identificou que em apenas cinco delas – Jabour, Pégaso, Real, Redentor e Futuro – estavam concentradas quase um terço da receita do sistema de transporte em 2013. A maior delas, a Jabour, pertence à família de Jacob Barata Filho, conhecido como "rei do ônibus" e investigado pela Operação Lava Jato.

Ele foi preso em 2 de julho acusado de ter pago propina a autoridades do Rio para conseguir facilidades em seus negócios. Mas ganhou direito à liberdade por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

O G1 entrou em contato com o Grupo Guanabara, da qual a Viação Jabour faz parte, mas até a publicação desta reportagem não havia obtido resposta. O G1 ainda não conseguiu contato com as empresas Futuro, Real, Redentor e Pégaso.

Procurado, o consórcio Rio Ônibus afimou que não teve acesso ao estudo realizado pela PwC e que tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro (veja íntegra da nota ao final do texto).

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes afirmou que "está revisando o processo da racionalização” e desenvolvendo um estudo para conhecer as necessidades dos usuários e melhorar os serviços prestados. A pasta afirma ainda que mantém a fiscalização e “monitoramento permanentes sobre cada um dos consórcios”.

O ex-prefeito Eduardo Paes divulgou nota que na época da divulgação do estudo, a prefeitura acatou sugestões por meio de lei aprovada na Câmara. “Incrementou-se a estrutura da Secretaria [de Transportes] para fazer frente a suas enormes responsabilidades. Além disso, a prefeitura realizou a primeira licitação na área de transportes na história da cidade. O estudo apontava que era preciso ter mais concentração administrativa (saímos de quase 60 empresas para 4 consórcios com a licitação), apesar de vários membros da oposição terem chamado essa prática de 'cartelização' do setor”, disse o ex-prefeito (leia a nota na íntegra no fim desta reportagem).

Procurada pelo G1, a PwC afirmou que não está autorizada a divulgar informações sobre o trabalho contratado pela prefeitura.

 (Foto: Arte/G1)
 (Foto: Arte/G1)  

Sistema ineficiente

Segundo os auditores da PwC, o Rio possui um sistema ineficiente, com 541 linhas e 8.819 ônibus. Nos documentos, eles descreveram o setor como “concentrado na solução dos problemas emergenciais” sem atuação proativa e “voltado para o planejamento das ações”.

Tarifa poderia ir a R$ 1,05

O levantamento da PwC mostrou, já em 2014, que a prefeitura tinha a seu alcance um conjunto de meios para baixar o preço da passagem. Naquele ano, o município aumentou a passagem em 20 centavos sob a justificativa de instalar ar-condicionado na frota. No início deste mês, porém, esse reajuste foi derrubado por uma decisão da Justiça.

Para os peritos da PwC, caso houvesse um trabalho de combate a fraudes e uma adequação de horários e frota, a redução da tarifa poderia ser entre 30 a 80 centavos. E mais: o desconto que a revisão integral da malha poderia proporcionar para o preço da passagem era de 75 centavos a R$ 1,25. Isso quer dizer que o usuário que pagava uma tarifa de R$ 3 à época desembolsaria apenas de R$ 1,05 a R$ 2,05.

O estudo chegou à conclusão que os problemas do sistema de transporte rodoviário da cidade são causados, sobretudo, por três fatores: concessão de poder excessivo aos empresários, incentivos que favorecem a maximização da receita em prejuízo da eficiência e o fato de toda concessão atual ter sido construída sobre um legado anterior.

Passageiros concentrados

O estudo constatou que, das 541 linhas de ônibus, 278 (ou 54%) estão com trajetos sobrepostos, provocando gargalos de trânsito nas principais avenidas do Rio.

Outro detalhe do diagnóstico mostra que 70% dos passageiros dos ônibus são transportados em apenas um terço das linhas.

Irregularidades

De acordo com o estudo, nem todos os dados puderam ser levantados. Um deles foi o ganho com investimentos financeiros da RioCard com o uso dos recursos da tarifa. O lucro conseguido com a venda de publicidade em ônibus também não foi determinado.

A auditoria aponta que, apesar do cenário favorável aos empresários, muitas empresas operam com lucro abaixo do previsto – dívidas e investimentos feitos nos primeiros anos de funcionamento poderiam explicar esse quadro.

A PwC revelou que que as dívidas chegam a representar até 80% dos bens de algumas viações. Uma delas era a Santa Maria, cujo percentual era de 93% - a empresa entrou em processo de falência em 2017.

Em 2012, o custo da operação do sistema de transporte rodoviário carioca foi de R$ 1,8 bilhão – quase 60% desse total foi direcionado à compra de combustíveis e pagamento de motoristas. Naquele ano, o resultado ficou negativo em R$ 25 milhões. No entanto, os auditores apontaram que os níveis de investimento pareciam acima da média para o longo prazo.

Várias irregularidades foram constadas no bilhete eletrônico. Entre elas, 24.648 beneficiários estavam com mais de um cartão com passe livre ativo, de um total de mais de dois milhões de cartões. Além disso, 453 cartões não autorizados tinham registros de 3.452 transações de gratuidade.

O que dizem os citados

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes ressaltou que "está revisando o processo da racionalização e desenvolvendo um estudo minucioso conforme dados obtidos em pesquisas de campo, registros do 1746 e demandas recebidas pela Ouvidoria da pasta".

Segundo a secretaria, "o objetivo do levantamento, acompanhado pela Comissão de Transportes da Câmara dos Vereadores, é conhecer as necessidades e reivindicações dos usuários que sofreram com a retirada e alteração de linhas de ônibus e buscar melhorias nos serviços prestados à população".

A pasta destacou ainda que "mantém fiscalização e monitoramento permanentes sobre cada um dos consórcios vencedores da licitação realizada na gestão anterior. Os mesmos têm a obrigação contratual de manter o serviço operando de forma contínua e adequada para a população".

Leia as respostas enviadas pelo ex-prefeito Eduardo Paes:

“Inicialmente deve se esclarecer que as ações na área de transportes não cabiam ao ex-prefeito e sim a secretaria municipal responsável pela área. Durante a auditoria, que começou em 2014 e seguiu até o fim de 2016, várias sugestões foram acatadas pela Secretaria Municipal de Transportes tais como: racionalização das linhas de ônibus (que tantas reclamações gerou, inclusive pela oposição)e criação de corredores BRT e BRS para maior eficiência; melhoria do sistema de bilhetagem eletrônica; renovação da frota para ônibus climatizados nas 150 linhas mais carregadas que conduzem 70% das viagens; reestruturação da SMTR e contratação de fiscais e engenheiros por concurso; uso do COR para monitoramento da frota por GPS; ampliação dos postos de venda e recarga de cartões (agora reduziram muito) e bilhetagem passou de 40% para 80% das viagens.

A partir da auditoria a SMTR realizou a reestruturação da secretaria e ainda estabeleceu a contratação de mais fiscais e engenheiros por concurso (projeto de lei já aprovado na Câmara do Rio). O concurso de 2015/2016, por exemplo, foi orientado pela PwC e contratou economistas para a secretaria.

Reajuste de tarifa anual se faz através de fórmula com índices de inflação dos insumos empregados. Em 2015 e 2016 a prefeitura determinou a troca de mais de 3 mil ônibus comuns para climatizados, investimento esse que não consta no contrato de licitação como obrigação, por isso foi repassado para a tarifa, conforme foi amplamente divulgado à época. Os meios apontados pela PwC para aumentar a eficiência do sistema e, com isso, poder exigir novos investimentos em qualidade ou reduzir tarifa são reformas de longo prazo como fusões administrativas e racionalização de linhas (que foi duramente criticada pela imprensa e foi suspensa pela atual administração). Como já foi dito, muitas dessas medidas foram iniciadas na gestão passada e devem prosseguir até que seja realizada a revisão tarifária, prevista em contrato para ser feita a cada 4 anos, aproximadamente. Vale ressaltar que o próprio estudo aponta que o lucro das empresas era menor do que o previsto, que alguns consórcios davam prejuízo e que era preciso ter mais concentração administrativa, aprimorar desempenho do sistema para melhorar a gestão e só assim poder reduzir tarifa. Outro ponto que deve ser destacado é que a análise feita pela Agência Pública coloca São Paulo como exemplo tarifário, mas é preciso lembrar que a tarifa custa R$ 3,80, mas a Prefeitura de SP subsidia o sistema com R$ 3,2 bilhões para os empresários”.

Em relação aos dados da auditoria da PwC, o Rio Ônibus esclareceu que não teve acesso ao estudo realizado pela PwC e que tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro.

Veja na íntegra a nota do Rio Ônibus:

"Em relação aos dados da auditoria da PwC divulgados pela imprensa, o Rio Ônibus esclarece:

- O Rio Ônibus não teve acesso ao estudo realizado pela PwC, o que dificulta uma análise técnica e precisa sobre os dados divulgados parcialmente pela imprensa;

- O Rio Ônibus tem defendido a realização de auditoria independente e comandada por empresa de reputação reconhecida, de modo a indicar com isenção qual o valor da tarifa que pode manter o sistema equilibrado do ponto de vista econômico-financeiro. É de conhecimento público que o sistema está perto do colapso, com o fechamento de sete empresas e com outras 11 com graves restrições financeiras;

- Como a tarifa atual (R$ 3,60) não é capaz de remunerar o sistema municipal de ônibus do Rio, a auditoria certamente irá considerar o impacto de medidas adotadas unilateralmente pela Prefeitura nos últimos anos, como:

1) Os dois congelamentos da tarifa (2013 e 2017);

2) A inclusão de gratuidades como o Passe Livre Universitário sem indicação de fonte de custeio, o que contraria a legislação;

3) O aumento de 30 minutos no tempo de validade para integração com o Bilhete Único Carioca (BUC);

4) Os custos adicionais com a climatização da frota (estudo da Coppe/UFRJ demonstra que o consumo de combustível é 30% maior nos ônibus com ar-condicionado);

5) Os efeitos da concorrência desleal das vans, principalmente na Zona Oeste.

- O sindicato esclarece ainda que, em 2015, contratou auditoria de renomada empresa da área para analisar os mesmos dados operacionais e financeiros citados pela reportagem. O diagnóstico da auditoria foi encaminhado para a apreciação do poder concedente. Até o momento, os consórcios aguardam uma resposta sobre os dados enviados. O estudo mostra claramente o desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão, com defasagem no valor da tarifa.

- O setor sempre defendeu a transparência nos dados e a realização de auditorias que analisassem o contrato para sugestão de melhorias no sistema.

- Desde 2010, o Rio Ônibus vem construindo uma equipe multidisciplinar para colaborar com o poder público na melhoria do sistema municipal de ônibus e transformação da mobilidade urbana de uma cidade que recebeu diversos eventos, como a Jornada Mundial da Juventude 2013, Copa do Mundo 2014, Jogos Olímpicos Rio 2016 e o Rock in Rio. Entre os resultados, destacamos a implantação de corredores BRS e BRT, reforçando o transporte público como o principal legado da cidade.

- O setor sempre defendeu a profissionalização da gestão municipal em prol do sistema de transporte público por ônibus que beneficiem diretamente os passageiros.

- O Rio Ônibus informa, ainda, que mantém o repasse periódico e transparente de relatórios exigidos pela Prefeitura, como o Resumo Diário de Operação, Relatório Mensal de Consumo, Boletim de Mão de Obra e Balanço Financeiro dos Consórcios.

Além disso, a frota de ônibus é monitorada em tempo real, já que todos os veículos são equipados com GPS e os dados, transmitidos diretamente para a Secretaria Municipal de Transportes (inclusive via aplicativo)."


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Número de ônibus incendiados cresce no Rio e representa prejuízo à população

12/09/2017 - Extra 

Ônibus é incendidado por criminosos na tarde do último domingo


Annelize Demani 

No último domingo, quatro ônibus foram incendiados no Rio, próximo à Zona Portuária. Esses casos aumentaram ainda mais as estatísticas sobre esse tipo de vandalismo. De acordo com a Fetranspor, 48 coletivos foram alvo de incêndios criminosos na cidade somente em 2017. Esse número é três vezes maior que o registrado durante todo o ano de 2016, quando houve 16 depredações.

Quando o cenário é o estado do Rio, 82 ônibus foram alvo dos criminosos nos primeiros nove meses deste ano. Isso representa quase o dobro de casos em relação ao ano passado inteiro, quando foram contabilizados 43 coletivos incendiados.

Ainda segundo a federação responsável pelas empresas de ônibus no estado, somente um ônibus novo com ar-condicionado custa, em média, R$ 450 mil. Atualmente, os custos de reposição dos coletivos incendiados para as empresas passam dos R$ 56 milhões, uma vez que não há seguro para esse tipo de sinistro.

Com essas depredações, quem sofre é a população. Há todo um tempo gasto desde a encomenda de novos carros até o processo de regularização deles, e o prazo de recolocação de um ônibus pode chegar a seis meses. Durante esse período, de acordo com dados da Fetranspor, um coletivo transporta cerca de 70 mil passageiros na capital.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Prefeitura de Niterói adia licitação para estações da Transoceânica

05/09/2017 - O Globo 

Cláusula do edital é questionada por exigir experiência de engenheiros
   
POR IGOR MELLO 

Estação em Charitas: concorrência para a construção de outras 11 foi adiada porque TCE não liberou edital - Ana Branco / Agência O Globo

NITERÓI - A construção de 11 estações da Transoceânica — orçadas em R$ 36,7 milhões — ganha outro capítulo polêmico. A Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) decidiu adiar a concorrência, que ocorreria nesta segunda-feira, pelo fato de o edital não ter sido liberado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Enquanto isso, empresas envolvidas na disputa contestam itens do edital.

Segundo a prefeitura, a concorrência foi adiada até que o TCE-RJ libere o edital, procedimento burocrático de praxe em contratações públicas. O TCE-RJ, por outro lado, afirma só ter recebido o documento para análise na última quarta-feira. A corte não deu prazo para concluir o processo, mas diz que o processo é rápido: “Após passar pelo corpo técnico, o edital vai para o Ministério Público de Contas e, depois, é sorteado para um dos conselheiros, que prepara o voto e insere o processo na ordem do dia para votação plenária. Não há data para isso acontecer, mas as apreciações de editais são mais céleres”, diz o TCE-RJ, por meio de nota.

Segundo a prefeitura, 12 empresas retiraram o edital, demonstrando interesse em participar do certame. Entre elas estão a Constran e a Carioca Engenharia, que formam o consórcio Transoceânico, responsável pela construção do corredor BHS. Ainda de acordo com a prefeitura, os termos da disputa foram contestados por uma pessoa física e três empresas. Uma delas é a SAS Engenharia, que apresentou no dia 16 de agosto um pedido de impugnação a uma das regras contidas no edital. O artigo polêmico determina que a empresa escolhida para a obra deve ter em seus quadros um ou mais engenheiros que tenham experiência na construção de ao menos cinco estações de BRT. Para Claudio Luiz da Silva, um dos sócios da SAS Engenharia, o item restringe a competição.

— Consideramos que o item estava limitando a competição. Isso (a construção de estações) não tem relevância técnica, porque a exigência deveria ser relativa a estruturas metálicas — argumenta. — O Atestado de Responsabilidade Técnica (ART) que apresentamos é da reforma do Maracanã, obra que tem estruturas metálicas de complexidade técnica infinitamente superior.

A prefeitura defende a exigência. Em nota diz que “o objeto da licitação é a construção de 11 estações de BRT, e como a concorrência é internacional existem empresas no país e em outros países que possuem esta expertise, não inibindo a competição.”

Para o engenheiro civil Antônio Eulálio, especialista em estruturas e ex-conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), a exigência do edital extrapola a comprovação de capacidade das empresas candidatas:

— Estações de BRT não são estruturas muito específicas. Essa exigência pode acabar direcionando a concorrência. O certo seria exigir experiência na execução de estruturas metálicas. Do jeito que está, o edital desrespeita a lei de licitações.

No mês passado, a prefeitura firmou o oitavo aditivo ao contrato, aumentando o custo da obra em R$ 3,8 milhões. Segundo a prefeitura, o acréscimo ocorreu para arcar com pequenas obras como demolições, contenção de encostas e macrodrenagem. O valor da obra passa a R$ 421,4 milhões.

Após O GLOBO-Niterói ter mostrado domingo passado que o Ministério Público (MP)federal apontou, em denúncia ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que conselheiros do TCE-RJ receberam propina referente à fiscalização da Transoceânica, vereadores da oposição se movimentaram cobrando providências para apurar o fato. Paulo Eduardo Gomes (PSOL) protocolou um ofício no TCE-RJ, solicitando que sejam reabertos todos os processos relacionados à obra e aos seus contratos aditivos, além da realização de diligências no local. Bruno Lessa (PSDB) vai protocolar esta semana uma denúncia no MPF com possíveis irregularidades no projeto.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Motoristas da Viação São Silvestre fazem paralisação nesta terça

22/08/2017 - O Globo

Eles protestam contra o atraso dos salários
   
POR O GLOBO

Entrada da viação São Silvestre, no Santo Cristo - Guilherme Pinto / Agência O Globo

RIO — Motoristas da Viação São Silvestre cruzaram os braços, nesta terça-feira, em protesto contra salários atrasados. Eles fazem uma paralisação desde as 4h30. Com isso, os coletivos não deixaram a garagem da empresa, na Rua Rêgo Barros, no Santo Cristo, na Zona Portuária do Rio.

A São Silvestre é responsável por 20 linhas, todas elas circulando pela Zona Sul e pelo Centro do Rio:

101 TRONCAL 10-JD.DE ALAH X CRUZ VERMELHA(VIA J.BOTANICO/LAPA) POOL: São Silvestre - Consórcio Intersul - Braso Lisboa - Consórcio Intersul - Graças

102 TRONCAL 2 - JD. DE ALAH X RODOVIARIA (VIA LAPA) POOL: São Silvestre - Estrela Azul - Vila Isabel - Braso Lisboa

108 TRONCAL 6 - JARDIM DE ALAH X RODOVIARIA(VIA TÚNEL VELHO/TÚNEL SANTA BÁRBARA) POOL: Real - São Silvestre

117 TRONCAL 7 - CENTRAL X COSME VELHO(VIA T. SANTA BARBARA) POOL: São Silvestre - Transurb - Alpha

118 TRONCAL 8 - COSME VELHO X RODOVIARIA(VIA PÇA. MAUA) POOL: São Silvestre - Estrela Azul - Transurb - Estrela Azul

133 LARGO DO MACHADO X RODOVIARIA (VIA ESTACIO) São Silvestre

SN133 SN - LARGO DO MACHADO X RODOVIARIA (VIA ESTACIO) São Silvestre

503 LEBLON X GÁVEA (CIRCULAR) POOL: Braso Lisboa - Estrela Azul - São Silvestre

513 URCA X FONTE DA SAUDADE (VIA MENA BARRETO)CIRCULAR POOL: São Silvestre - Vila Isabel - VG - Consórcio Intersul

SP513 SP - URCA X BOTAFOGO (CIRCULAR) POOL: São Silvestre - Braso Lisboa

538 ROCINHA X LEME(V. ESTR. DA GAVEA/JOQUEI)CIRCULAR POOL: Real - São Silvestre

548 ALVORADAXM.BOTAFOGO(V.AV.AMERICAS/J.BOTANICO)CIRC POOL: Braso Lisboa - Real - Vila Isabel - Estrela Azul - São Silvestre - Graças

580 LARGO DO MACHADO X COSME VELHO São Silvestre

SP580 SP - LARGO DO MACHADO X LARANJEIRAS São Silvestre

581 CIRCULAR 1 - LEBLON X COSME VELHO (VIA COPACABANA/URCA/LARGO DO MACHADO)CIRCULAR POOL: São Silvestre - São Silvestre

582 CIRCULAR 2 - LEBLON X URCA (VIA J.BOTANICO/T. REBOUCAS/LARANJEIRAS) CIRCULAR POOL: São Silvestre - São Silvestre

583 COSME VELHO X LEBLON (VIA JOQUEI) CIRCULAR POOL: São Silvestre - São Silvestre

SN583 SN - COSME VELHO X LEBLON (VIA JOQUEI) CIRCULAR São Silvestre

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584 COSME VELHO X LEBLON (VIA COPACABANA) CIRCULAR POOL: São Silvestre - São Silvestre

SN584 SN - COSME VELHO X LEBLON (VIA COPACABANA) CIRCULAR São Silvestre

Em nota, a São Silvestre informou que está reunida com os funcionários buscando uma solução para que seja retomada a operação de transporte de passageiros. A São Silvestre acrescentou que opera 17 linhas principalmente na ligação entre o Centro e a Zona Sul. A empresa diz que enfrenta problemas financeiros que refletem a crise econômica do setor de ônibus do município.

Segundo a São Silvestre, esse cenário foi agravado pela ausência do reajuste de tarifa em 2017 (que, pelo contrato de concessão, deveria ter ocorrido no início do ano) e pela queda no número de passageiros (em razão do desemprego e do quadro de violência no Rio).

"Todos esses fatores vêm enfraquecendo as empresas do setor. Desde abril de 2015, sete delas encerraram suas atividades (Bangu, Algarve, Top Rio, Andorinha, Rio Rotas, Translitorânea e Santa Maria). Mais de 3 mil rodoviários foram demitidos. Conforme o Rio Ônibus vem alertando, outras 11 empresas enfrentam dificuldades atualmente."



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Propinas de Cabral fizeram passagens intermunicipais aumentarem 11,9%

15/08/2017 - O Globo

Percentual é equivalente ao reajuste extra das tarifas de ônibus para garantir esquema
   
POR RAFAEL SOARES 

Linha de São Gonçalo para o Rio, sem propina, seria R$11, e não R$12,50 - Márcio Alves

RIO - As benesses garantidas durante o governo Sérgio Cabral a empresas que operam linhas de ônibus intermunicipais em troca de propina pesam no bolso do trabalhador que usa transporte público. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal que culminou na operação Ponto Final, o então presidente do Detro em 2009, Rogério Onofre, reajustou o valor das passagens em 7%, quando o aumento deveria ter sido de só 2%. Cálculo feito pelo EXTRA e chancelado pelo economista Gilberto Braga, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), revela que a diferença de 5% — ou seja, o percentual que proporcionou a propina para autoridades — passados oito anos, corresponde hoje a 11,9% dos preços dos bilhetes hoje.

Sem o reajuste extra, a passagem, que varia conforme o trajeto, custaria por mês até R$ 74 a menos. É o caso de um passageiro que vai todo dia de Vilar dos Teles, em São João de Meriti para o Centro do Rio.

Segundo o cálculo, a diferença de 5%, reajustada com base nas variações do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que determina desde 2009 a variação dos preços das passagens ano a ano, corresponde hoje aos 11,9%. Assim, dos R$ 15,50 pagos pelo passageiro da linha 1512 (Vilar dos Teles-Castelo), R$ 1,85 correspondem ao aumento extra autorizado em 2009. Se considerar o custo com passagens de ida e volta em todos os dias úteis do mês, esse valor adicional deve ser multiplicado por 40, chegando aos R$ 74.

DOZE PRESOS EM JULHO

Segundo as investigações, que culminaram na prisão de 12 pessoas, em julho, R$ 260 milhões em propina foram pagos pelas empresas de ônibus para autoridades políticos do estado. Os valores eram encaminhados para a quadrilha liderada por Cabral como “prêmios” em troca de benefícios para as empresas de ônibus, como a concessão de reajustes nas tarifas. O aumento de 7% nas tarifas em 2009 foi contestado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE): segundo o órgão, a medida foi tomada sem considerar os benefícios fiscais concedidos e outras benesses que justificavam o aumento em um percentual de apenas 2%.

Para o economista especializado em planejamento de transportes Marcos Poggi, o percentual das atuais passagens que ajudou a sustentar o esquema de corrupção no estado é ainda maior, já que só o reajuste extra de 2009 foi detectado pelas investigações.

— Essa não é uma prática pontual, esses valores indevidos vão se acumulando com os anos — diz Poggi.

ACUSAÇÕES E RESPOSTAS

Investigação

Os investigadores chegaram aos 12 acusados por meio de colaboração premiada do doleiro Álvaro José Galliez Novis. Ele contou aos procuradores que ia às sedes de empresas de ônibus buscar o dinheiro que, então, era repassado a políticos.

Lista de presos

Foram presos os empresários Jacob Barata Filho, Marcelo Traça Gonçalves, David Augusto da Câmara Sampaio, José Carlos Reis Lavouras. Além deles, os dirigentes da Fetranspor Lelis Teixeira e Carlos Roberto Alves; os dirigentes do Rio Ônibus João Augusto Morais Monteiro, Eneas da Silva Bueno e Otacílio de Almeida Monteiro; o funcionário de uma empresa de transporte de valores Márcio Marques Pereira de Miranda; o ex-presidente do Detro Rogério Onofre e seu operador Claudio Sá Garcia de Freitas.

Fetranspor

Questionada sobre ilegalidades nos reajustes, a Fetranspor, por meio de nota, alegou que “colabora com as autoridades policiais e está à disposição da Justiça para os esclarecimentos necessários”.

Detro

Já o presidente do Detro, Fernando Moraes, afirmou que, se as irregularidades forem comprovadas, o preço da passagem será revisto.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Empresa Pública de Maricá compra mais sete ônibus novos

15/08/2017 - Diário do Transporte

Compra é para ampliar atendimento, diz prefeitura.

Promessa da prefeitura é ampliar linhas que não cobram tarifa

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de Maricá, no Rio de Janeiro, anunciou a compra de sete novos ônibus para a EPT – Empresa Pública de Transportes, criada em dezembro de 2014 para fazer operar gratuitamente na cidade.

Segundo a prefeitura, o primeiro veículo já chegou à cidade e outros seis devem ser entregues até quarta-feira, 16.

Em nota, o poder público afirma que não se trata de renovação de frota, mas de ampliação dos serviços. Os veículos são apelidados de vermelhinhos

“O primeiro Vermelhinho chegou nesta segunda-feira (14). Os novos veículos vão possibilitar a diminuição dos intervalos das viagens nas linhas já existentes e, também, a criação de novos trajetos.”

A criação da companhia de ônibus rendeu diversas polêmicas. Várias decisões judiciais movidas pelas empresas que prestam serviços na cidade por meio de contrato, Empresa Nossa Senhora do Amparo e Viação Costa Leste, tiveram o pleito atendido e a EPT teve de parar de operar. A prefeitura recorreu, fez alterações nas linhas, e a EPT voltou a funcionar.

Diante da concorrência, a Viação Costa Leste suspendeu as operações em 13 de abril de 2016, e as linhas foram assumidas emergencialmente pela EPT.

Dias depois, a empresa privada voltou aos trabalhos na cidade.

A EPT também teve suspeitas de propaganda política. Em junho de 2016, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendou que o logotipo EPT fosse retirado dos ônibus gratuitos por fazerem referência, segundo entendimento dos promotores, ao PT – Partido dos Trabalhadores, do qual faz parte o ex-prefeito que criou a companhia Washington Quaquá, que conseguiu eleger um sucessor do mesmo partido, Fabiano Horta, que contabilizou 96,12% dos votos válidos.

Ultimamente, as linhas de EPT receberam reclamações de passageiros pelo intervalo excessivo entre os veículos e também pela falta de limpeza. Muita terra, restos de alimentos e até insetos são encontrados diariamente pelos passageiros.

A falta de conservação dos ônibus também foi alvo de críticas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

sábado, 12 de agosto de 2017

Detro determina mudança de empresa em dez linhas de ônibus da Baixada Fluminense

11/08/2017 - G1

Viação Costeira sofre intervenção por conta de reclamações sobre qualidade dos ônibus e serviços. Linhas serão operadas por três empresas por um ano ou até problemas serem resolvidos.

Por G1 Rio

A partir deste sábado (12), dez linhas de ônibus que eram operadas pela Viação Costeira passam a ter seus itinerários feitos por outras três empresas: Viação Ponte Coberta, Expresso Recreio e Transporte Flores. A mudança acontece por determinação do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), que fez uma intervenção nessas dez linhas por causa das constantes reclamações dos passageiros e do não atendimento das solicitações para resolver os problemas.

Dentre os problemas frequentemente relatados, estão o mau estado dos ônibus, que colocava em risco a integridade dos usuários e a baixa qualidade do serviço prestado. Segundo o Detro, a empresa não resolvei problemas operacionais, fiscais e trabalhistas.

A intervenção, feita em caráter emergencial, vale por um ano ou até a abertura de procedimento licitatória. Durante esse prazo, segundo o Detro, a Viação Costeira poderá regularizar sua situação e pedir o retorno das linhas. Caso a empresa não tome as devidas providências, poderá perder a concessão definitivamente.

Veja abaixo as linhas que serão operadas por outras empresas

Viação Ponte Coberta: 
456T (Duque de Caxias – Itacuruçá);
452T (Duque de Caxias - Muriqui (via Nova Iguaçu)); 
546I (Duque de Caxias - Km 32/BR-465) 
450T (Nova Iguaçu - Itacuruçá (via Avenida Brasil)).

Expresso Recreio: 
454U (Itaguaí – Itacuruçá); 
455U (Itaguaí – Muriqui) e 
116T (Itaguaí – Mangaratiba).

Transporte Flores: 
118T (Duque de Caxias - Mangaratiba (Via Nova Iguaçu)); 
453T (Duque de Caxias - Cabuçu (via Nova Iguaçu)) e 
120T (Duque de Caxias - Itaguaí (via Nova Iguaçu)).

O G1 ainda não conseguiu contato com a Viação Costeira.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Menos passageiros do que esperado no Transolímpica

23/07/2017 - O Dia

À espera da rede completa de BRTs, o corredor inaugurado para os Jogos de 2016 transporta, um ano depois, 30 mil pessoas por dia, menos da metade do prometido

CLAUDIO SOUZA

Rio - Construído com a promessa de transportar até 70 mil pessoas por dia, o corredor Transolímpica completa um ano de operação em julho com menos da metade dos passageiros esperados. Segundo o consórcio BRT Rio, que opera o sistema, o corredor transporta, em média, 30 mil passageiros por dia. As razões para o movimento baixo são a crise econômica, que reduz as viagens em toda a cidade, e a não conclusão do projeto inicial da rede de BRTs.

O corredor Transolímpica liga a Vila Militar ao Recreio dos Bandeirantes, onde se conecta com o Transoeste. Divulgação

“A expectativa é de que quando houver a ligação desse corredor com o Terminal Deodoro, a demanda do Transolímpica aumente em pelo menos 10 mil passageiros por dia. Atualmente, a última estação é Vila Militar, que só recebe ônibus alimentadores dos bairros daquela área até a Avenida Brasil. Com o terminal, haverá a demanda do outro lado da Brasil e do próprio corredor Transbrasil”, explica Suzy Ballossier, diretora de Relações Institucionais do BRT Rio.

Entretanto, se depender dessa ligação, o BRT ainda terá de esperar bastante. Apesar de as obras do trecho de Caju a Deodoro do Transbrasil terem recomeçado em abril, a licitação, realizada ainda na gestão de Eduardo Paes, não prevê a construção dos três terminais previstos nesta parte do projeto: Deodoro, Nações e Margaridas. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a previsão é de que a construção dos três terminais, avaliados em cerca de R$ 100 milhões cada, seja licitada até o fim do ano. Com isso, o trecho Caju-Deodoro do Transbrasil, previsto para inaugurar em julho de 2018, começará a funcionar como faixas seletivas para os ônibus comuns.

Também precisa ser licitada ainda a construção da ligação Vila Militar-Deodoro e o trecho Caju-Centro, do Transbrasil. Mas tudo depende da disponibilidade de recursos para novas licitações.

Com isso, estações do Transolímpica continuam vazias. “O Terminal Centro Olímpico, projetado para 2 mil pessoas por dia, recebe atualmente só 220”, completa Suzy. Além de a rede de BRTs não ter sido concluída, com o Transbrasil, a queda da economia tira passageiros do sistema, que recebe hoje 374 mil passageiros por dia, menos do que os 420 mil de um ano atrás.


sábado, 22 de julho de 2017

Prefeitura descarta pemanência de ônibus intermunicipais no Cafubá

22/07/2017 - O Globo

Linhas que operavam sem autorização voltarão para Charitas
   
POR RENAN ALMEIDA 

Linha de Charitas exibe letreiro indicando caminho pelo túnel Charitas-Cafubá - Ana Branco / Agência O Globo

Dias contados. Um dos quiosques da orla de Charitas, construídos em 1989, e que estão sob ameaça de serem removidos da orla Foto: Agência O Globo Quiosqueiros cobram apoio da prefeitura para permanecerem em Charitas 22/07/2017 4:00

NITERÓI - A baldeação voltará a ser a única saída para quem mora no Cafubá e vai de ônibus para o Rio. A prefeitura informa que retirará do bairro o ponto de estacionamento dos ônibus da Viação 1001 — transferidos em maio de Charitas para a Avenida Sete. As linhas estavam embarcando e desembarcando passageiros no bairro sem autorização.

A mudança imposta pela prefeitura alterou apenas o local de estacionamento dos ônibus, mas, como passou a ser obrigada a ir até o Cafubá para estacionar, a Autoviação 1001 solicitou ao Detro, ainda em maio, a extensão do itinerário das linhas para o bairro. O órgão levou o pedido para análise da prefeitura, mas não teve retorno.

Mesmo sem a autorização, os ônibus das linhas 750D (Charitas-Gávea), 760D (Charitas-Galeão) e 775D (Charitas-Gávea, via Lapa) passaram a embarcar e desembarcar passageiros livremente no bairro da Região Oceânica. Nas últimas semanas, os letreiros dos ônibus exibiam a legenda “Túnel Cafubá”.

A prefeitura afirma em nota que “não tem interesse em aumentar a quantidade de ônibus intermunicipais circulando na cidade, uma vez que está fazendo investimentos em pistas exclusivas para o sistema municipal.” Acrescentou que, por esse motivo, “não tem por que colocar linhas concorrentes no mesmo eixo.”

A posição da prefeitura desagradou a moradores da região. Na rua, a possível retirada dos ônibus do Cafubá é criticada por moradores. Carlos Marins, coordenador da Comissão de Moradores da Região Oceânica, diz que a permanência é fundamental.

— Se retirarem, vamos fazer uma manifestação aqui — diz Marins, que fez um abaixo-assinado em defesa do ponto final no bairro.

Larissa Leite mora perto da rótula do Cafubá e também defende os intermunicipais ali.

— Não tem nenhum ônibus para o Rio aqui. Quanto mais opções, melhor — afirmou.

A prefeitura informa que a definição da área de estacionamento dos ônibus intermunicipais ainda não foi concluída mas que, em breve, os ônibus da 1001 deixarão de parar no Cafubá e retornarão para Charitas. O Detro informa que encaminhará uma equipe de fiscalização para averiguar possíveis irregularidades.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Abre-se o caixa 2 das empresas de ônibus do Rio

04/07/2017 - O Globo

A corrupção no Rio se tornou sistêmica. Ao esquema envolvendo governo, empreiteiras, TCE e Assembleia Legislativa, juntam-se agora empresários de ônibus
   
A operação Ponto Final — desdobramento da Lava-Jato no Rio — é, na verdade, ponto de partida para se desvendar a caixa-preta das empresas de ônibus. Embora dominem amplamente o mercado fluminense — transportam cerca de 70% de todos os passageiros — e recebam R$ 28,3 milhões por mês em subsídios do governo do estado, elas nunca primaram pela transparência. Não por acaso, suspeitas de corrupção sempre rondaram o sistema. A chamada “caixinha” da Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte do Rio de Janeiro), que abasteceria políticos em troca de vantagens para o setor, sempre foi negada pelos empresários, e quase virou lenda urbana, mas, agora, ganha nomes, endereços e CPFs. O esquema veio a público a partir da prisão do empresário Jacob Barata Filho, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na noite de domingo, quando tentava embarcar para Portugal.

O fio da meada começou a ser puxado com a delação premiada do doleiro Álvaro José Novis, encarregado pelos empresários de fazer os repasses. De acordo com as investigações do Ministério Público Federal (MPF), dos R$ 260 milhões pagos em propina pelas empresas de ônibus, R$ 122,9 milhões foram destinados ao ex-governador Sérgio Cabral, que está preso. Novis relatou que, embora as planilhas façam referência ao período de setembro de 2009 a janeiro de 2016, o esquema teria começado quando Cabral ainda era deputado estadual, antes de assumir como governador, em 2007.

Por determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, foram presos, além de Jacob Barata Filho, o presidente da Fetranspor, Lélis Marcos Teixeira; o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro (Setrerj), Marcelo Traça Gonçalves; e o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro) Rogério Onofre. O órgão é encarregado de fiscalizar os ônibus intermunicipais.

Pelo que apurou a força-tarefa da Operação Calicute (versão da Lava-Jato no Rio), a propina saía da garagem das empresas em carro-forte e era guardada no cofre da própria transportadora de valores. O dinheiro pagaria favores como reajustes injustificados de tarifa, retenção de créditos do Riocard e relaxamento da fiscalização sobre linhas intermunicipais.

Entende-se agora por que o serviço de ônibus, de modo geral, deixa tanto a desejar, com frota envelhecida, veículos malconservados e horários intermitentes. Pelo jeito, não faltam recursos.

A Operação Ponto Final é mais uma evidência de que, tal qual no plano federal, a corrupção no Rio se tornou sistêmica. Ao esquema envolvendo governo, empreiteiras, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Assembleia Legislativa, juntam-se os empresários de ônibus. Há possibilidade agora de se completar o mapeamento da corrupção fluminense, para se saber o tamanho exato dessa teia.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Esquema de propina nos transportes do RJ tinha custo mensal de R$ 1,2 milhão, diz MPF

04/07/2017 - RJ TV

Verba era usada para pagar seguranças, funcionários e taxas em geral. Segundo investigação da Operação Ponto Final, em 6 anos, Sérgio Cabral recebeu quase R$ 56 mil por dia.

Esquema milionário de propina nos transportes custava R$ 1,2 milhão por mês

Um milhão e duzentos mil reais por mês. Esse era o custo mensal do esquema milionário de pagamento de propina instalado no setor de transportes do Rio. Na segunda-feira (3), toda a cúpula foi presa numa operação conjunta do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Empresários são acusados de desviar até R$ 500 milhões sob o comando do ex-governador Sérgio Cabral.

A Operação Lava Jato interrompeu um esquema de corrupção antigo: foram 26 anos de propinas. É o que conta o colaborador Edimar Moreira Dantas no inquérito da Operação Ponto Final, deflagrada na segunda pelo MPF no Rio

Edimar Dantas era funcionário da empresa Hoya, a corretora de valores e câmbio do doleiro e delator Álvaro José Novis. Era ela quem controlava as planilhas e os pagamentos do caixa dois da Fetranspor. Dantas revelou que a federação, a mando de Lavouras, passou a utilizar os serviços dele para guardar dinheiro e fazer pagamentos de vantagens indevidas a políticos.

Dantas contou que, entre 1990 e 2016, as ordens para os pagamentos eram dadas unicamente por José Carlos Lavouras, presidente do conselho da Fetranspor, sempre em bilhetes.

Os procuradores descobriram que Lavouras foi um dos que mais receberam propina entre 2010 e 2016: R$ 40 milhões, em três contas.

O conselheiro da Fetranspor é o único que ainda não foi preso na operação Ponto Final entre os que tiveram prisão decretada. Ele está em Portugal, e os advogados disseram que ele volta ao Rio no próximo sábado.

Edimar Dantas também entregou aos procuradores uma tabela com a relação das empresas de ônibus que participavam do esquema ilegal. Só em janeiro do ano passado, elas arrecadaram cerca de R$ 6,5 milhões. Quase R$ 1,2 milhão foram descontados para pagar o que os investigadores chamam de "despesas operacionais".

O RJTV apurou que essa era a verba mensal, necessária para manter a quadrilha funcionando, pagando seguranças, funcionários e taxas em geral. Os R$ 5,2 milhões que sobraram foram repassados para uma conta da quadrilha.

Os procuradores dizem ainda que o maior empresário de ônibus do Rio, Jacob Barata Filho, também usava suas empresas para abastecer o caixa dois da Fetranspor. Entre fevereiro de 2013 e maio de 2014, ele depositou mais de R$ 17 milhões nas contas da organização criminosa.

O dinheiro era misturado com as contribuições das outras empresas do setor. Mais tarde, parte desses recursos era redistribuída para os integrantes da quadrilha. Os investigadores dizem que Barata recebeu, de volta, pelo menos R$ 27 milhões. Dinheiro usado para irrigar as relações entre os donos do transporte coletivo do Rio com o poder concedente do transporte público.

O maior beneficiário do esquema foi o ex-governador Sérgio Cabral. Em seis anos, ele recebeu quase R$ 123 milhões dos empresários: cerca de R$ 56 mil por dia. O número equivale a 14 mil passagens de ônibus intermunicipal, a R$ 4. Ou 350 ônibus lotados rodando na cidade do Rio.

Os procuradores concluíram que Lavouras, Lélis Teixeira, o atual presidente da Fetranspor, e Jacob Barata Filho “controlam o setor de transportes do Rio, exercendo influência para além dos trâmites legais e legítimos, em negócios ilícitos, em prejuízo da população do Rio, maior usuária dos serviços de transportes de suas empresas”.

PF cumpre novos mandados na operação contra desvios no transporte público do RJ

05/07/2017 - Bom Dia Rio

Ação visa cumprir um mandado de condução coercitiva e três de busca e apreensão. Operação Ponto Final já resultou na prisão de 11 pessoas ligadas ao transporte público no estado.

Por Arthur Guimarães, 

Homem é levado coercitivamente para a sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos (Foto: Reprodução / TV Globo)
Homem é levado coercitivamente para a sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos (Foto: Reprodução / TV Globo) 

A Polícia Federal realiza um desdobramento da Operação Ponto Final, na manhã desta quarta-feira (5), no Rio de Janeiro, para cumprir um mandado de condução coercitiva contra Alexander Luiz de Queiroz Silva. Segundo a polícia, com ele seria sócio de uma empresa de consultoria de investimentos. Também estão sendo cumpridos três mandados de busca e apreensão.

(Correção: ao ser publicada, esta reportagem errou ao informar que estavam sendo cumpridos três mandados de condução coercitiva. O erro foi corrigido às 7h55).

Por volta das 6h20, os agentes saíram de um prédio da Rua Alberto de Campos, em Ipanema, na Zona Sul da cidade, conduzindo coercitivamente Alexander. Ele foi levado a um prédio comercial na Rua Visconde Pirajá, no mesmo bairro. Na casa do empresário foram apreendidos US$ 9.000, 00 e R$ 3.000,00 em espécie, além de computadores.

Na segunda-feira (3), a ação foi desencadeada e resultou na prisão de 10 pessoas ligadas ao transporte público no estado. Além dessas, o empresário Jacob Barata Filho foi preso na noite de domingo (2) no aeroporto Internacional Galeão quando tentava embarcar para Portugal. Também foram cumpridos menos 30 mandados de busca e apreensão.

De acordo com a investigação da PF e do Ministério Público Federal, empresários são acusados de desviar até R$ 500 milhões sob o comando do ex-governador Sérgio Cabral. Esse esquema criminoso envolvia agentes públicos, políticos e também representantes de órgãos responsáveis por fiscalizar o transporte público e também empresários desse setor de transporte.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Três anos após a inauguração, BRT Transcarioca sofre com sinais de abandono

19/06/2017 - O Globo

Mesmo feita com concreto, via apresenta rachaduras e buracos
   
POR STÉFANO SALLES

Chão rachado. Trecho da pista do BRT Transcarioca afunda, em meio a rachaduras, na Rua Cândido Benício, próximo à saída do mergulhão, na estação Campinho - Fabio Rossi / Agência O Globo

RIO - No último dia 1º, o BRT Transcarioca, que liga o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, ao Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, cruzando 13 bairros da Zona Norte, completou três anos de funcionamento. A obra é um dos legados deixados pelos Jogos Olímpicos Rio-2016, mas já apresenta problemas operacionais e sinais de degradação que preocupam motoristas e passageiros com relação à segurança.

A Estação do BRT, no Terminal 1 do GaleãoConsórcio BRT critica prefeitura por liberar táxis no corredor Transcarioca

Obras. O trecho que ligará Deodoro ao Caju deve ficar pronto em junho de 2018Transbrasil: prevista para a Olimpíada de 2016, via continua em obra

Na última sexta-feira, a equipe do caderno Zona Norte visitou alguns pontos considerados problemáticos pelos usuários do sistema e viu o desgaste da estrutura. O corredor, mesmo feito de concreto, para suportar veículos mais pesados sem o desgaste que o peso provoca com mais facilidade no asfalto, apresenta danos em diversos trechos. Na Rua Cândido Benício, na saída da estação Campinho, no sentido Praça Seca, um trecho da pista está rachado e ela parece afundar, na saída do mergulhão.

Passageira regular da linha, que utiliza para chegar diariamente ao trabalho, na Ilha do Governador, a atendente comercial Luana Barbosa diz que o problema não é novo.

— Já tem uns meses que a pista está assim e não recebe manutenção. Fico preocupada, porque o corredor foi concebido para que os ônibus trafegassem em alta velocidade. E são veículos grandes, então, é necessário tomar cuidado para evitar um desastre aqui — afirma.

Na saída da estação Ibiapina, na Penha, um grande buraco no meio da pista força os veículos a reduzirem a velocidade ao se aproximarem da área. Esse trecho foi inaugurado depois do primeiro: em outubro de 2014. Há também rachaduras no solo, na entrada do viaduto de saída da estação Cacique de Ramos, no sentido Galeão.

Um passageiro, que prefere não ser identificado, lembra a existência de outro problema que põe em risco a segurança de quem utiliza o serviço.

— Em frente à Avenida Brasil, diversos passageiros e usuários de crack obrigam os motoristas a pararem os veículos onde querem descer. É entre a Maré a e a Santa Luzia. Por causa da passarela que fica ali, dizem que é a estação Caracol. Já houve caso em que o motorista não parou no local e, poucos metros adiante, o ônibus foi destruído — explica.

Buraco. Problema está na saída da estação Ibiapina, na Penha - Fabio Rossi / Agência O Globo

Alvo constante de depredações em áreas cercadas por comunidades controladas pelo tráfico de drogas, as estações também sofrem com problemas de caracterização que ampliam a sensação de insegurança dos passageiros. As estações Cacique de Ramos, Cardoso de Moraes e Santa Rita, por exemplo, não têm mais vidros. São frequentes também as queixas sobre moradores que utilizam o serviço sem pagar e baderna dentro dos veículos, como relata o universitário Lucas Rodrigues.

— Há uma grande sensação de insegurança dentro do BRT Transcarioca, que passa por áreas perigosas, onde há ausência das instâncias de governo, e tudo costuma piorar ao anoitecer. Antes, o principal risco eram os crimes cometidos dentro das estações ou do ônibus. Agora, há perigo também na via por onde ele passa — afirma.

De acordo com a Secretaria municipal de Transportes, os problemas relatados são responsabilidade da Secretaria municipal de Meio Ambiente e Conservação (Seconserma). A Secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que, ao longo do ano, já realizou oito ações no viaduto da Avenida Brasil, e que 18 pessoas foram acolhidas nas ações. O órgão reforçou ainda que, como a legislação proíbe a internação compulsória, os usuários de drogas só podem ser encaminhados aos abrigos por livre e espontânea vontade.

O consórcio responsável pela operação do BRT informou que o vandalismo é um problema constante das estações. Por meio de nota, informa: “No dia 26 de julho de 2015, apenas cinco dias depois de ter sido totalmente restaurada, a estação Cacique de Ramos voltou a ser atacada. Na segunda vez, além das pichações, foram roubados equipamentos necessários para a segurança viária do sistema de ônibus exclusivos: a câmera que acompanha a circulação dos ônibus no sentido Galeão, dois sensores, que sincronizam a abertura de portas da estação com a chegada do ônibus, e um semáforo que informa ao motorista sobre a abertura das portas. A troca de vidros das três estações citadas ocorreu na semana passada. A previsão é que nova troca aconteça na próxima semana, mas isso depende do estoque. Como a demanda provocada por vandalismo é grande, algumas vezes não há tempo hábil para repor o material no estoque”, explica o documento.

Por meio de nota, a Seconserma informa que as equipes da secretaria já realizam o levantamento dos reparos necessários para a via. As ações serão incluídas na programação de serviços do corredor Transcarioca.


sábado, 10 de junho de 2017

Prefeito do Rio pede para ônibus aguardarem 2018 a fim de reajustar tarifas

10/06/2017 - Istoé

Agência Brasil

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, fez um pedido hoje (10) às empresas de ônibus para que esperem até 2018 a fim de reajustarem suas tarifas. O reajuste deste ano não foi autorizado nem pelo prefeito anterior, Eduardo Paes, nem pelo atual, que assumiu em 1º de janeiro. Por isso, as empresas de ônibus entraram na Justiça em abril passado, pleiteando o reajuste.

As empresas publicaram uma nota ontem (9) nos jornais do Rio de Janeiro dizendo que, se a prefeitura não autorizar o reajuste deste ano, elas entrarão em colapso. Os empresários classificaram a decisão da prefeitura de não autorizar o reajuste de “omissão”. Segundo o sindicato das empresas, o RioÔnibus, isso pode levar à paralisação de todo o sistema, inclusive com a demissão de trabalhadores do setor.

Em resposta, a prefeitura publicou nota hoje (10) nos jornais em que rebateu a crítica de que estava sendo omissa. Além disso, segundo o órgão, o aumento da tarifa ocasionaria redução do número de passageiros já que, com a crise econômica, muitos não terão condições de pagar um valor mais alto.

A prefeitura lembrou também que as empresas ainda não atenderam à obrigatoriedade de colocar ar-condicionado em 100% da frota. As empresas, por sua vez, dizem que, ao não conceder o reajuste, a prefeitura inviabiliza a compra de novos ônibus com ar-condicionado.

Hoje, depois de doar sangue no Instituto de Hematologia do Rio (Hemorio), Crivella disse que a prefeitura fez vários investimentos para as empresas, como a criação dos BRTs (corredores exclusivos de ônibus), que teria, segundo a prefeitura, reduzido em 30% o custo operacional das empresas.

“Os ônibus hoje têm muito mais viabilidade econômica, gastam menos combustível, levam centenas de pessoas e andam sempre lotados. Portanto, faço um apelo às empresas para que, nesse momento em que temos uma crise econômica e 350 mil pessoas desempregadas, vamos segurar o aumento, vamos deixar para o ano que vem”, disse Crivella.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ataques a ônibus no Rio crescem 132% em relação ao ano passado

08/06/2017 - Estadão

Com ocorrências desta quarta e quinta, já são 58 coletivos incendiados em 2017, contra 25 no mesmo período de 2016

Lucas Gayoso

Especial para o Estado

RIO - Dois ataques a ônibus na zona norte do Rio de Janeiro entre quarta-feira, 7, e esta quinta-feira, 8, elevaram para 58 a quantidade de coletivos incendiados criminosamente no Estado, somente em 2017. De acordo com dados da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), o número representa um aumento de 132% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 25 veículos foram queimados.

Ônibus articulado é incendiado na zona norte do Rio
O Centro de Operações da prefeitura do Rio emitiu aviso pedindo para que motoristas evitam a região da Avenida Edgard Romero Foto: Centro de Operações do Rio

Na manhã desta quinta-feira, um ônibus articulado do BRT, da Auto Viação Tijuca, que operava no corredor Transcarioca, foi incendiado durante um protesto na Avenida Edgard Romero, em Vaz Lobo. Já no fim da noite desta quarta-feira, um ônibus da Viação Vila Real foi queimado na Rua Luís Cavalcanti Coutinho, em Guadalupe. 

Com os dois casos, são 101 veículos incendiados desde janeiro de 2016. O prejuízo do setor ultrapassa os R$ 45 milhões.

Em nota, a Fetranspor afirma que esses recursos poderiam ser investidos em melhorias no sistema de transporte.

"Como não há seguro para esse tipo e sinistro, as empresas absorvem todo o custo de reposição; e os passageiros são os principais prejudicados com a redução da oferta de transporte", informou o texto. "Diante dos graves efeitos do desequilíbrio econômico-financeiro das empresas do Rio com a não concessão do reajuste da tarifa, somada à crise financeira que reduz o número de passageiros e à recente escalada de ataques criminosos aos ônibus no Estado do Rio, não há viabilidade para a reposição dos veículos destruídos."

A federação informou ainda que um ônibus novo com ar-condicionado tem custo aproximado de R$ 450 mil.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Consórcio Intermunicipal ABC vai formalizar proposta de BRT no lugar de monotrilho na linha 18

06/06/2017 - Diário do Transporte

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando na condição de presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, que reúne os sete chefes dos executivos das cidades da região, disse em reunião da entidade nesta terça-feira, 6 de junho de 2017, que nesta quarta-feira, 7, será apresentada uma proposta ao Governo do Estado para substituir o projeto da linha 18 Bronze de Monotrilho por BRT – Bus Rapid Transit, corredor de ônibus de maior capacidade e velocidade, para A ligação de 15,7 km prevista entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e Estação Tamanduateí de trens e metrô na capital paulista.

Segundo Orlando Morando, estudos comprovam que um BRT no trecho poderia ser quase dez vezes mais barato, com a mesma capacidade de transportes e tempo de percurso apenas sete minutos maior.

“ O prazo [do contrato do monotrilho] foi aditado por mais 180 dias, é o terceiro aditamento, e nós percebemos que mediante a crise econômica, tá muito distante [a concretização da obra] e a sociedade clama por um novo modal. Não dá para a gente continuar só simplesmente justificando que por fatores financeiros a obra não vai ser iniciada. A gente [Consórcio] está oferecendo então por autorização e deliberação que o governo do Estado submeta uma nova proposta, dentre elas poderia ser um BRT, ‘aonde’ o tempo de viagem origem-destino aumentaria alguma coisa em torno de sete minutos, o corredor seria o mesmo que hoje seria a linha, então sairia por São Bernardo do Campo, ingressando pela Aldino Pinotti, passando pela Lauro Gomes, Guido Aliberti e Presidente Wilson, que seriam as três cidades [do ABC] mais a capital, ‘aonde’ tem um trecho de 1,5 km. Nós estamos já no dia de amanhã [quarta, 07 de junho] mandando este comunicado, buscando uma solução e ao mesmo tempo oferecendo uma alternativa” – disse Orlando Morando.

Pela quarta vez, na verdade, desde agosto de 2014, o Governo do Estado de São Paulo prorrogou o contrato com o consórcio Vem ABC para o monotrilho da linha 18-bronze, previsto para ligar a região do bairro Djalma Dutra, em São Bernardo do Campo, a Estação Tamanduateí, de trem e metrô, na capital paulista, passando por Santo André e São Caetano do Sul.

Há um verdadeiro jogo de empurra-empurra entre o Consórcio, o Governo do Estado e o Governo Federal, principalmente a respeito das desapropriações para a implantação do elevado e estações, um dos principais entraves para o monotrilho, embora não o único.

O Governo do Estado de São Paulo não consegue aval da Cofiex  – Comissão de Financiamento Externo, do Ministério do Planejamento, para contrair um empréstimo internacional de US$ 128,7 milhões junto ao BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Desde 2015, o Governo Federal diz que a gestão Alckmin não apresentou os laudos que comprovem segurança no pagamento do empréstimo. O aval do Governo Federal é necessário porque o Ministério do Planejamento entraria com uma espécie de fiador da negociação, se o Governo do Estado não pagar, o dinheiro teria de sair do Governo Federal.

Os problemas relacionados ao monotrilho do ABC não se limitam às desapropriações e aos recursos.

Ainda não houve uma definição sobre a situação das galerias de água sob a Avenida Brigadeiro Faria Lima, no centro de São Bernardo do Campo, que podem alterar o lado de implantação das vigas para o elevado por onde passariam os trens leves com pneus.

Foram problemas de galerias pluviais na Avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo não previstas no projeto que atrasaram as obras do monotrilho da linha 15-Prata, na zona leste de São Paulo, onde há apenas duas estações no trajeto de 2,3 quilômetros.

Também há a interpretação sobre uma cláusula no contrato que determina que o monotrilho do ABC só poderia ser inaugurado após os testes e o funcionamento da linha 17-Ouro, também de monotrilho, que está em construção, mas sem operação.

MONOTRILHO ESTÁ FICANDO CADA VEZ MAIS CARO:

O custo do monotrilho quando foi apresentado em 2012, com previsão de ficar pronto em 2015, deveria ser de R$ 4,2 bilhões, mas diante de indefinições, demora, aditivos contratuais e agora o risco fiscal identificado neste ano, o modal terá o valor de cerca de R$ 5 bilhões. O custo do quilômetro se aproxima de metrô, que pode transportar até três vezes mais pessoas, e está dez vezes maior que de um BRT, que poderia atender os 314 mil passageiros previstos para o trajeto.

O monotrilho do ABC, previsto para passar por São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista, deveria ter ficado pronto em 2015, mas depois de diversos problemas, entre financeiros e indefinições técnicas, as obras sequer foram iniciadas e vão ficar bem mais caras que o projetado inicialmente. De acordo com relatório das Parcerias Público-Privadas, obtido pelo Diário do Transporte, a obra tem riscos fiscais e deve ter um custo de mais R$ 250 milhões de reais aos cofres públicos. Com isso, o valor total dos 15,7 km passaria a ser de cerca de R$ 5 bilhões. O quilômetro se tornaria um dos mais caros do modal no mundo: R$ 318,4 milhões. A título de comparação, de acordo com dados da UITP  – União Internacional de Transporte Público, cada quilômetro de BRT – Bus Rapid Transit, corredor de ônibus que pode atender a uma demanda de cerca de 300 mil passageiros por dia, custaria em média quase 10 vezes menos, R$ 35,4 milhões. Já cada quilômetro de metrô poderia custar entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão, no entanto, a demanda seria praticamente três vezes maior que do monotrilho, podendo levar até um milhão de passageiros por dia.