terça-feira, 20 de junho de 2017

Três anos após a inauguração, BRT Transcarioca sofre com sinais de abandono

19/06/2017 - O Globo

Mesmo feita com concreto, via apresenta rachaduras e buracos
   
POR STÉFANO SALLES

Chão rachado. Trecho da pista do BRT Transcarioca afunda, em meio a rachaduras, na Rua Cândido Benício, próximo à saída do mergulhão, na estação Campinho - Fabio Rossi / Agência O Globo

RIO - No último dia 1º, o BRT Transcarioca, que liga o Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, ao Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador, cruzando 13 bairros da Zona Norte, completou três anos de funcionamento. A obra é um dos legados deixados pelos Jogos Olímpicos Rio-2016, mas já apresenta problemas operacionais e sinais de degradação que preocupam motoristas e passageiros com relação à segurança.

A Estação do BRT, no Terminal 1 do GaleãoConsórcio BRT critica prefeitura por liberar táxis no corredor Transcarioca

Obras. O trecho que ligará Deodoro ao Caju deve ficar pronto em junho de 2018Transbrasil: prevista para a Olimpíada de 2016, via continua em obra

Na última sexta-feira, a equipe do caderno Zona Norte visitou alguns pontos considerados problemáticos pelos usuários do sistema e viu o desgaste da estrutura. O corredor, mesmo feito de concreto, para suportar veículos mais pesados sem o desgaste que o peso provoca com mais facilidade no asfalto, apresenta danos em diversos trechos. Na Rua Cândido Benício, na saída da estação Campinho, no sentido Praça Seca, um trecho da pista está rachado e ela parece afundar, na saída do mergulhão.

Passageira regular da linha, que utiliza para chegar diariamente ao trabalho, na Ilha do Governador, a atendente comercial Luana Barbosa diz que o problema não é novo.

— Já tem uns meses que a pista está assim e não recebe manutenção. Fico preocupada, porque o corredor foi concebido para que os ônibus trafegassem em alta velocidade. E são veículos grandes, então, é necessário tomar cuidado para evitar um desastre aqui — afirma.

Na saída da estação Ibiapina, na Penha, um grande buraco no meio da pista força os veículos a reduzirem a velocidade ao se aproximarem da área. Esse trecho foi inaugurado depois do primeiro: em outubro de 2014. Há também rachaduras no solo, na entrada do viaduto de saída da estação Cacique de Ramos, no sentido Galeão.

Um passageiro, que prefere não ser identificado, lembra a existência de outro problema que põe em risco a segurança de quem utiliza o serviço.

— Em frente à Avenida Brasil, diversos passageiros e usuários de crack obrigam os motoristas a pararem os veículos onde querem descer. É entre a Maré a e a Santa Luzia. Por causa da passarela que fica ali, dizem que é a estação Caracol. Já houve caso em que o motorista não parou no local e, poucos metros adiante, o ônibus foi destruído — explica.

Buraco. Problema está na saída da estação Ibiapina, na Penha - Fabio Rossi / Agência O Globo

Alvo constante de depredações em áreas cercadas por comunidades controladas pelo tráfico de drogas, as estações também sofrem com problemas de caracterização que ampliam a sensação de insegurança dos passageiros. As estações Cacique de Ramos, Cardoso de Moraes e Santa Rita, por exemplo, não têm mais vidros. São frequentes também as queixas sobre moradores que utilizam o serviço sem pagar e baderna dentro dos veículos, como relata o universitário Lucas Rodrigues.

— Há uma grande sensação de insegurança dentro do BRT Transcarioca, que passa por áreas perigosas, onde há ausência das instâncias de governo, e tudo costuma piorar ao anoitecer. Antes, o principal risco eram os crimes cometidos dentro das estações ou do ônibus. Agora, há perigo também na via por onde ele passa — afirma.

De acordo com a Secretaria municipal de Transportes, os problemas relatados são responsabilidade da Secretaria municipal de Meio Ambiente e Conservação (Seconserma). A Secretaria municipal de Assistência Social e Direitos Humanos informou que, ao longo do ano, já realizou oito ações no viaduto da Avenida Brasil, e que 18 pessoas foram acolhidas nas ações. O órgão reforçou ainda que, como a legislação proíbe a internação compulsória, os usuários de drogas só podem ser encaminhados aos abrigos por livre e espontânea vontade.

O consórcio responsável pela operação do BRT informou que o vandalismo é um problema constante das estações. Por meio de nota, informa: “No dia 26 de julho de 2015, apenas cinco dias depois de ter sido totalmente restaurada, a estação Cacique de Ramos voltou a ser atacada. Na segunda vez, além das pichações, foram roubados equipamentos necessários para a segurança viária do sistema de ônibus exclusivos: a câmera que acompanha a circulação dos ônibus no sentido Galeão, dois sensores, que sincronizam a abertura de portas da estação com a chegada do ônibus, e um semáforo que informa ao motorista sobre a abertura das portas. A troca de vidros das três estações citadas ocorreu na semana passada. A previsão é que nova troca aconteça na próxima semana, mas isso depende do estoque. Como a demanda provocada por vandalismo é grande, algumas vezes não há tempo hábil para repor o material no estoque”, explica o documento.

Por meio de nota, a Seconserma informa que as equipes da secretaria já realizam o levantamento dos reparos necessários para a via. As ações serão incluídas na programação de serviços do corredor Transcarioca.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Prefeitura do Rio anuncia mudanças nos ônibus e autoriza aumento

12/06/2017 - RJ TV Segunda Edição

VÍDEO:
https://globoplay.globo.com/v/5933851/programa/

sábado, 10 de junho de 2017

Prefeito do Rio pede para ônibus aguardarem 2018 a fim de reajustar tarifas

10/06/2017 - Istoé

Agência Brasil

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, fez um pedido hoje (10) às empresas de ônibus para que esperem até 2018 a fim de reajustarem suas tarifas. O reajuste deste ano não foi autorizado nem pelo prefeito anterior, Eduardo Paes, nem pelo atual, que assumiu em 1º de janeiro. Por isso, as empresas de ônibus entraram na Justiça em abril passado, pleiteando o reajuste.

As empresas publicaram uma nota ontem (9) nos jornais do Rio de Janeiro dizendo que, se a prefeitura não autorizar o reajuste deste ano, elas entrarão em colapso. Os empresários classificaram a decisão da prefeitura de não autorizar o reajuste de “omissão”. Segundo o sindicato das empresas, o RioÔnibus, isso pode levar à paralisação de todo o sistema, inclusive com a demissão de trabalhadores do setor.

Em resposta, a prefeitura publicou nota hoje (10) nos jornais em que rebateu a crítica de que estava sendo omissa. Além disso, segundo o órgão, o aumento da tarifa ocasionaria redução do número de passageiros já que, com a crise econômica, muitos não terão condições de pagar um valor mais alto.

A prefeitura lembrou também que as empresas ainda não atenderam à obrigatoriedade de colocar ar-condicionado em 100% da frota. As empresas, por sua vez, dizem que, ao não conceder o reajuste, a prefeitura inviabiliza a compra de novos ônibus com ar-condicionado.

Hoje, depois de doar sangue no Instituto de Hematologia do Rio (Hemorio), Crivella disse que a prefeitura fez vários investimentos para as empresas, como a criação dos BRTs (corredores exclusivos de ônibus), que teria, segundo a prefeitura, reduzido em 30% o custo operacional das empresas.

“Os ônibus hoje têm muito mais viabilidade econômica, gastam menos combustível, levam centenas de pessoas e andam sempre lotados. Portanto, faço um apelo às empresas para que, nesse momento em que temos uma crise econômica e 350 mil pessoas desempregadas, vamos segurar o aumento, vamos deixar para o ano que vem”, disse Crivella.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ataques a ônibus no Rio crescem 132% em relação ao ano passado

08/06/2017 - Estadão

Com ocorrências desta quarta e quinta, já são 58 coletivos incendiados em 2017, contra 25 no mesmo período de 2016

Lucas Gayoso

Especial para o Estado

RIO - Dois ataques a ônibus na zona norte do Rio de Janeiro entre quarta-feira, 7, e esta quinta-feira, 8, elevaram para 58 a quantidade de coletivos incendiados criminosamente no Estado, somente em 2017. De acordo com dados da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor), o número representa um aumento de 132% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 25 veículos foram queimados.

Ônibus articulado é incendiado na zona norte do Rio
O Centro de Operações da prefeitura do Rio emitiu aviso pedindo para que motoristas evitam a região da Avenida Edgard Romero Foto: Centro de Operações do Rio

Na manhã desta quinta-feira, um ônibus articulado do BRT, da Auto Viação Tijuca, que operava no corredor Transcarioca, foi incendiado durante um protesto na Avenida Edgard Romero, em Vaz Lobo. Já no fim da noite desta quarta-feira, um ônibus da Viação Vila Real foi queimado na Rua Luís Cavalcanti Coutinho, em Guadalupe. 

Com os dois casos, são 101 veículos incendiados desde janeiro de 2016. O prejuízo do setor ultrapassa os R$ 45 milhões.

Em nota, a Fetranspor afirma que esses recursos poderiam ser investidos em melhorias no sistema de transporte.

"Como não há seguro para esse tipo e sinistro, as empresas absorvem todo o custo de reposição; e os passageiros são os principais prejudicados com a redução da oferta de transporte", informou o texto. "Diante dos graves efeitos do desequilíbrio econômico-financeiro das empresas do Rio com a não concessão do reajuste da tarifa, somada à crise financeira que reduz o número de passageiros e à recente escalada de ataques criminosos aos ônibus no Estado do Rio, não há viabilidade para a reposição dos veículos destruídos."

A federação informou ainda que um ônibus novo com ar-condicionado tem custo aproximado de R$ 450 mil.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Consórcio Intermunicipal ABC vai formalizar proposta de BRT no lugar de monotrilho na linha 18

06/06/2017 - Diário do Transporte

O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando na condição de presidente do Consórcio Intermunicipal do ABC, que reúne os sete chefes dos executivos das cidades da região, disse em reunião da entidade nesta terça-feira, 6 de junho de 2017, que nesta quarta-feira, 7, será apresentada uma proposta ao Governo do Estado para substituir o projeto da linha 18 Bronze de Monotrilho por BRT – Bus Rapid Transit, corredor de ônibus de maior capacidade e velocidade, para A ligação de 15,7 km prevista entre São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul e Estação Tamanduateí de trens e metrô na capital paulista.

Segundo Orlando Morando, estudos comprovam que um BRT no trecho poderia ser quase dez vezes mais barato, com a mesma capacidade de transportes e tempo de percurso apenas sete minutos maior.

“ O prazo [do contrato do monotrilho] foi aditado por mais 180 dias, é o terceiro aditamento, e nós percebemos que mediante a crise econômica, tá muito distante [a concretização da obra] e a sociedade clama por um novo modal. Não dá para a gente continuar só simplesmente justificando que por fatores financeiros a obra não vai ser iniciada. A gente [Consórcio] está oferecendo então por autorização e deliberação que o governo do Estado submeta uma nova proposta, dentre elas poderia ser um BRT, ‘aonde’ o tempo de viagem origem-destino aumentaria alguma coisa em torno de sete minutos, o corredor seria o mesmo que hoje seria a linha, então sairia por São Bernardo do Campo, ingressando pela Aldino Pinotti, passando pela Lauro Gomes, Guido Aliberti e Presidente Wilson, que seriam as três cidades [do ABC] mais a capital, ‘aonde’ tem um trecho de 1,5 km. Nós estamos já no dia de amanhã [quarta, 07 de junho] mandando este comunicado, buscando uma solução e ao mesmo tempo oferecendo uma alternativa” – disse Orlando Morando.

Pela quarta vez, na verdade, desde agosto de 2014, o Governo do Estado de São Paulo prorrogou o contrato com o consórcio Vem ABC para o monotrilho da linha 18-bronze, previsto para ligar a região do bairro Djalma Dutra, em São Bernardo do Campo, a Estação Tamanduateí, de trem e metrô, na capital paulista, passando por Santo André e São Caetano do Sul.

Há um verdadeiro jogo de empurra-empurra entre o Consórcio, o Governo do Estado e o Governo Federal, principalmente a respeito das desapropriações para a implantação do elevado e estações, um dos principais entraves para o monotrilho, embora não o único.

O Governo do Estado de São Paulo não consegue aval da Cofiex  – Comissão de Financiamento Externo, do Ministério do Planejamento, para contrair um empréstimo internacional de US$ 128,7 milhões junto ao BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Desde 2015, o Governo Federal diz que a gestão Alckmin não apresentou os laudos que comprovem segurança no pagamento do empréstimo. O aval do Governo Federal é necessário porque o Ministério do Planejamento entraria com uma espécie de fiador da negociação, se o Governo do Estado não pagar, o dinheiro teria de sair do Governo Federal.

Os problemas relacionados ao monotrilho do ABC não se limitam às desapropriações e aos recursos.

Ainda não houve uma definição sobre a situação das galerias de água sob a Avenida Brigadeiro Faria Lima, no centro de São Bernardo do Campo, que podem alterar o lado de implantação das vigas para o elevado por onde passariam os trens leves com pneus.

Foram problemas de galerias pluviais na Avenida Luiz Inácio de Anhaia Melo não previstas no projeto que atrasaram as obras do monotrilho da linha 15-Prata, na zona leste de São Paulo, onde há apenas duas estações no trajeto de 2,3 quilômetros.

Também há a interpretação sobre uma cláusula no contrato que determina que o monotrilho do ABC só poderia ser inaugurado após os testes e o funcionamento da linha 17-Ouro, também de monotrilho, que está em construção, mas sem operação.

MONOTRILHO ESTÁ FICANDO CADA VEZ MAIS CARO:

O custo do monotrilho quando foi apresentado em 2012, com previsão de ficar pronto em 2015, deveria ser de R$ 4,2 bilhões, mas diante de indefinições, demora, aditivos contratuais e agora o risco fiscal identificado neste ano, o modal terá o valor de cerca de R$ 5 bilhões. O custo do quilômetro se aproxima de metrô, que pode transportar até três vezes mais pessoas, e está dez vezes maior que de um BRT, que poderia atender os 314 mil passageiros previstos para o trajeto.

O monotrilho do ABC, previsto para passar por São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano do Sul, até a estação Tamanduateí, na Capital Paulista, deveria ter ficado pronto em 2015, mas depois de diversos problemas, entre financeiros e indefinições técnicas, as obras sequer foram iniciadas e vão ficar bem mais caras que o projetado inicialmente. De acordo com relatório das Parcerias Público-Privadas, obtido pelo Diário do Transporte, a obra tem riscos fiscais e deve ter um custo de mais R$ 250 milhões de reais aos cofres públicos. Com isso, o valor total dos 15,7 km passaria a ser de cerca de R$ 5 bilhões. O quilômetro se tornaria um dos mais caros do modal no mundo: R$ 318,4 milhões. A título de comparação, de acordo com dados da UITP  – União Internacional de Transporte Público, cada quilômetro de BRT – Bus Rapid Transit, corredor de ônibus que pode atender a uma demanda de cerca de 300 mil passageiros por dia, custaria em média quase 10 vezes menos, R$ 35,4 milhões. Já cada quilômetro de metrô poderia custar entre R$ 700 milhões e R$ 1 bilhão, no entanto, a demanda seria praticamente três vezes maior que do monotrilho, podendo levar até um milhão de passageiros por dia.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Sistema BRT completa 5 anos sem motivos para comemorar

06/06/2017 - O Globo

Corredores expressos colecionam problemas como asfalto ruim, vandalismo, assaltos e estações fechadas

POR LUIZ ERNESTO MAGALHÃES E RENAN RODRIGUES

RIO - Morador de Guaratiba, o vigilante Fabiano Trajano reclama da superlotação na Estação Mato Alto do BRT Transoeste. Já usuários do BRT Transcarioca se queixam de assaltos em Campinho. Na Barra, o terminal de integração dos BRTs Transoeste e Transolímpico, que, durante os Jogos de 2016, ficou apinhado de passageiros, agora vive às moscas - construído para receber uma média de 2.200 passageiros por dia, só é utilizado por 220. Cinco anos após ser lançado, o sistema, planejado para proporcionar rápidas ligações com o metrô e os trens, está em xeque. Os problemas se multiplicam nos três corredores expressos de ônibus já implantados na cidade, que foram percorridos pela equipe do GLOBO.

Os dois corredores mais antigos do Rio - o Transoeste e o Trancarioca - foram implantados ao longo de pistas que já existiam e custaram R$ 2,6 bilhões. O BRT Transolímpico saiu por R$ 2,7 bilhões: neste caso, a prefeitura investiu na abertura de uma via com pedágio e duplicou a Avenida Salvador Allende, entre outras intervenções. Um quarto corredor, o BRT Transbrasil, ainda está em construção, e o cronograma de obras apresenta um atraso de mais de um ano.

O BRT Transoeste completa cinco anos nesta terça-feira. Em 2012, permitia uma redução de mais de uma hora nas viagens de Santa Cruz até o Jardim Oceânico, na Barra. Hoje, a situação mudou, devido à grande quantidade de buracos em sua pista. Ao iniciar a construção do corredor expresso, a prefeitura optou por usar asfalto comum, que não vem resistindo ao peso dos ônibus lotados

A situação se agravou nos últimos meses por conta de cortes no orçamento da Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos. Trabalhos de manutenção deixaram de ser realizados. O problema é mais crítico no trecho da Avenida das Américas em Guaratiba. Este ano, pela primeira vez, também surgiram buracos na altura do Recreio. Ao todo, são 25 quilômetros de piso irregular. A reportagem identificou pelo menos dez pontos em que praticamente não há mais asfalto.

VEJA AS IMAGENS DOS BRTS NO RIO

Buracos na pista, próximo à Estação Santa Eugênia, no BRT TransoesteFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Estação Vila Paciência, na Transoeste, fechada há cerca de um anoFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Passageira embarca na estação Madureira da TransCarioca Foto: Antonio Scorza / Agência O Globo

Portas quebradas na estação Mercadão da TransCarioca permitem acesso sem pagar. No local passageiros esperam na beira da plataformaFoto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

Esqueleto da estacao Manguinhos na TransBrasil, que após meses parada voltou a ser construídaFoto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

Engarrafamentos causados pelas obras na TransBrasil, na altura do Mercado São SebastiãoFoto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

Mais engarrafamentos causados pelas obras na TransBrasil Foto: ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

Estação Ilha Pura, da TransOlímpica. Até o meio-dia apenas 6 passageiros entraram no localFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Buraco na pista da TransOlímpica, na altura da estação Catedral do Recreio, na Rua Salvador AllendeFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Poucos carros circulam pela TransolímpicaFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Placa indica o novo reajuste do pedágio na Transolímpica, pouco usada, mas que já teve dois reajustes em cinco mesesFoto: Márcia Foletto / Agência O Globo


— Infelizmente, a gente comemora os cinco anos do BRT Transoeste com muita tristeza. Há cinco anos, a cidade festejava a implantação do projeto como um grande exemplo de mobilidade urbana. Mas, com tantos buracos, o tempo de viagem aumentou em 40% desde o fim de 2012 — disse Suzy Baloussier, coordenadora de relações institucionais do consórcio que opera o sistema.

Em nota, a Secretaria municipal de Conservação e Serviços Públicos afirmou que a pavimentação do BRT Transoeste foi feito, na gestão passada, "de forma incompatível com o tipo de carga em circulação". "Isso gera um trabalho constante de reparação asfáltica, o tapa-buracos, aplicação apenas paliativa naquele tipo de piso, mas que vem sendo feito de acordo com um cronograma de serviços", diz o comunicado. A solução definitiva, de acordo com o órgão, seria a retirada de todo o asfalto: "Esse procedimento é inviável no momento, tendo em vista o corte de 70% no orçamento da pasta e uma dívida de mais de R$ 3 bilhões herdada do governo anterior".

Nos demais corredores de BRTs, inclusive na obra do BRT Transbrasil, a prefeitura decidiu fazer a pavimentação com concreto. Neles, buracos são mais raros, mas não faltam queixas por outros motivos.

— Muitos ônibus estão sujos, e alguns têm o ar-condicionado quebrado — reclamou a promotora de vendas Kelly Cristine, moradora de Madureira e usuária do BRT Transcarioca.

‘Com tantos buracos na pista, o tempo de viagem (no BRT Transoeste) aumentou em 40% desde o fim de 2012’- SUZY BALOUSSIER

Representante do consórcio que administra o sistema

Um outro motivo de queixa é o vandalismo. Segundo o consórcio que opera as linhas, apenas no ano passado, o prejuízo com depredações chegou a R$ 5,5 milhões. Nessa conta entra, por exemplo, a reconstrução da Estação Vila Queiroz (em Madureira), que foi incendiada. Segundo Suzy Baloussier, em algumas casos, os ataques têm hora e local para acontecer:

— Os vândalos agem mais nas noites de sexta-feira e sábado. Depois de cada fim de semana, dez coletivos, em média, passam por reparos. Muitos são atacados a pedradas quando passam perto de bailes funk que acontecem no Complexo da Maré.

Em março, a Estação Cesarão III do BRT Transoeste, em Santa Cruz, foi fechada após uma depredação e não reabriu mais. No mesmo bairro, a Estação Vila Paciência deixou de funcionar devido a ameaças do tráfico. Tanto no BRT Transcarioca quanto no Transoeste, várias estações se encontram com portas quebradas. No Transcarioca, nas proximidades da Estação Capitão Menezes, na Praça Seca, até as grades de ferro que separam as pistas foram arrancadas. A violência também atinge diretamente os passageiros.

— Já testemunhei dois assaltos na Estação Pinto Teles (em Campinho). Parei de usar o BRT por falta de segurança — afirmou um morador da região, que pediu para não ser identificado.

Em janeiro, o consórcio do BRT tentou fechar uma parceria com a Secretaria de Ordem Pública (Seop) para colocar guardas municipais nas estações. Na época, o titular da pasta, Fernando Mac Dowell, disse que cerca de 700 agentes seriam mobilizados. O projeto, no entanto, não saiu do papel. A Seop alegou que a assessoria jurídica da prefeitura recomendou que a parceria não fosse firmada. De acordo com o órgão, um artigo do contrato de concessão das linhas de ônibus, firmado em 2010, prevê que as empresas do setor arquem com as despesas de segurança.

‘Muitos ônibus estão sujos, e alguns têm o ar condicionado quebrado’-KELLYCRISTINE, Passageira

Mac Dowell afirmou que o município vem desenvolvendo estudos para avaliar a demanda de cada estação de BRT. Isso, de acordo com o secretário, permitirá "um remodelamento do sistema". Mas ele não deu prazo para a implantação de eventuais mudanças.

Um outro problema do BRT está relacionado à demanda. No trecho em funcionamento do Transolímpico, entre o Recreio e a Vila Militar, a previsão inicial era que 70 mil passageiros o utilizassem a cada dia. No entanto, atualmente, só vem recebendo 29 mil (41% da capacidade projetada), o que fez com que o consórcio desativasse algumas estações. Outras, como a Ilha Pura, localizada em frente ao condomínio onde os atletas dos Jogos ficaram hospedados, está sempre vazia. Na última quarta-feira, apenas 21 passageiros passaram pelo local das 5h ao meio-dia.

— É uma estação fantasma — resume um funcionário do BRT.

A via expressa construída com o corredor para ônibus também tem demanda reduzida. Administrada por uma concessionária privada, a Transolímpica pode receber, segundo a empresa, 90 mil veículos por dia. Porém, 60 mil cruzam atualmente seus 26 quilômetros, o equivalente a 67% da capacidade esperada. A Via Rio, responsável pela administração, destaca que 20 mil veículos não pagam o pedágio, cujo valor (R$ 7) foi reajustado anteontem.

Para o especialista em transportes José e professor da PUC-Rio José Eugenio Leal, os problemas do sistema BRT, principalmente nos corredores Transoeste e Transolímpico, mostram que faltou uma integração entre projetos urbanísticos e de mobilidade, ao contrário do que aconteceu em Curitiba, primeira capital a apostar em grandes corredores viários.

— Curitiba planejou a expansão do BRT à medida que a cidade ia crescendo. Aqui, a oferta de transportes chegou primeiro. No futuro, à medida em que as áreas do entorno dos corredores forem ocupadas, poderá haver aumento de demanda. No Transcarioca, a situação é oposta, o sistema fica mais cheio porque passa por áreas de grande densidade populacional. Pelo que parece, os projetos foram concebidos sem que o potencial de desenvolvimento de algumas regiões fossem considerados — argumentou Leal.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/rio/sistema-brt-completa-5-anos-sem-motivos-para-comemorar-21439782#ixzz4jEHhmAus 
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terça-feira, 30 de maio de 2017

Aditivo amplia prazo de entrega das obras da Transoceânica

28/05/2017 - O Globo

Operários trabalham em obra de drenagem nas imediações do mercado Diamante, em Itaipu: novo aditivo - Analice Paron / Agência O Globo

NITERÓI - A prefeitura de Niterói publicou mais um termo aditivo ao contrato com o consórcio responsável pela Transoceânica. Desta vez, o termo não muda o valor da obra, mas o prazo, estendido agora até novembro de 2018. A prefeitura garante, contudo, que fica mantido o prazo de entrega atual, previsto para o primeiro trimestre do mesmo ano.

A publicação do aditivo — o sexto desde a assinatura do contrato — foi feita no Diário Oficial de 20 de maio. Nele, a vigência do contrato com o consórcio Transcoeânica — formado pelas empreiteiras Constran e Carioca Engenharia — foi ampliada em 16 meses, até 25 de novembro de 2018. A justificativa era a necessidade de obras de dragagem no trecho 6, entre o trevo do Itaipu Multicenter e o mercado Diamante. Porém, três dias depois, a prefeitura publicou uma corrigenda ao ato administrativo, mantendo apenas a prorrogação do vínculo com as empreiteiras, sem explicar o motivo.

A equipe do GLOBO-Niterói questionou a prefeitura sobre as razões da alteração do prazo do contrato. Em nota, o município afirma que “a entrega da obra não foi adiada para novembro de 2018” e que “continua trabalhando com a previsão de entrega para o primeiro trimestre de 2018”. Acrescenta que “o aditivo, comum em obras deste porte, é apenas uma forma de precaução para possíveis imprevistos em relação a prazos.”

Essa, porém, não é a primeira vez que os prazos referentes à Transoceânica são alterados pela prefeitura. Quando foi assinado o contrato, em setembro de 2014, a previsão era que todo o projeto — incluindo o túnel Charitas-Cafubá e o corredor de ônibus BHS — estivesse concluído dois anos depois, em setembro de 2016. O prazo foi adiado diversas vezes. Na campanha eleitoral do ano passado, a prefeitura sustentava que o túnel seria entregue até o fim de 2016, e que toda a Transoceânica estaria em operação até o fim deste ano. O túnel, porém, só foi aberto ao tráfego cinco meses depois, em maio de 2017. Já a previsão de abertura do corredor BHS passou para o primeiro trimestre de 2018. O valor da obra, orçado inicialmente em R$ 310,9 milhões, passou para R$ 384,8 milhões. Um possível entrave para a entrega do corredor é a conclusão de 11 das 13 estações previstas para o percurso. Elas serão alvo de uma nova licitação, que utilizará cerca de R$ 36 milhões, oriundos do financiamento da Cooperação Andina de Fomento (CAF). A prefeitura não respondeu se a entrega das estações poderia afetar o prazo de conclusão da Transoceânica.

Diante dos engarrafamentos registrados durante os períodos de rush nas orlas de São Francisco e Charitas após a abertura do túnel Charitas-Cafubá, o prefeito Rodrigo Neves anunciou na semana passada um conjunto de medidas para dar mais fluidez ao tráfego na região. A principal mudança é no itinerário dos ônibus da linha 52 (Baldeador-Itaipu). Agora ela passará pelas Avenidas Rui Barbosa e Quintino Bocaiúva, seguindo para Itaipu pelo túnel Charitas-Cafubá. Além disso, a NitTrans vai destinar mais 15 agentes de trânsito para trabalhar no ordenamento do fluxo de veículos na orla da Zona Sul.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Prefeitura dá início a testes para novo plano de linhas de ônibus

15/05/2017 - O Globo

Trajetos extintos ou encurtados poderão ser reativados até junho

Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

Retorno. O ponto final do 284, antigo 484: ônibus pode voltar a antigo trajeto, de Olaria a Copacabana
Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Retorno. O ponto final do 284, antigo 484: ônibus pode voltar a antigo trajeto, de Olaria a Copacabana - Fabiano Rocha / Agência O Globo
   
POR BRUNO ALFANO E PEDRO ZUAZO

RIO - O prefeito Marcelo Crivella pretende entregar até o mês que vem um plano de reorganização das linhas de ônibus. A racionalização dos trajetos, promovida durante o governo de Eduardo Paes, foi suspensa por decreto pela atual administração. Na semana passada, alguns trajetos começaram a sofrer alterações, ainda em fase de testes. De acordo com a Secretaria municipal de Transportes (SMTR), é grande o número de reclamações de usuários contra as alterações feitas na gestão anterior, e estão em análise alguns pedidos da população para a volta de linhas que foram extintas ou encurtadas.

— As pessoas me cobram nas ruas. Na Zona Sul, os usuários se confundem, reclamam muito que não têm o (ônibus) 571, o 572. Na Zona Oeste, reclamam também. A SMTR está fazendo consultas junto às empresas e ao público. Espero que, no máximo até junho, a gente já possa resolver isso. Realmente estamos devendo isso para a população do Rio — afirmou Crivella neste domingo, durante uma visita à Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Centro.

QUEDA NO MOVIMENTO

Segundo a SMTR, a extinção da linha 484 (Olaria-Copacabana), substituída pela 284 (Olaria-Candelária), é o maior alvo de reclamações. Por isso, ela deve ser a primeira a ser recriada. A proposta foi comemorada por passageiros e até motoristas, cansados de ouvir lamentações dos usuários.

— As pessoas se queixam todos os dias. A gente recebe reclamações por uma culpa que não tem. A volta da 484 vai ser útil para a população, se mantiver o trajeto original. Não sei por que acabaram com ela. Era uma linha que transportava muita gente, só andava cheia. O movimento de passageiros caiu muito com a mudança — diz Geraldo Ismael, ex-motorista da 484 que, desde dezembro, trabalha na 284.

Criadora do movimento “Quero meu ônibus de volta”, apoiado por quase 8 mil internautas em uma página no Facebook, a jornalista Luciana Guerra Malta prefere esperar um anúncio oficial do município para festejar:

— Espero que as linhas extintas realmente voltem e que as encurtadas retomem seus trajetos originais. As pessoas se queixam muito das baldeações. E tem outro problema: com a redução da frota, as pessoas estão ficando desassistidas em diversos horários, sobretudo à noite, quando a situação dos transportes públicos é mais dramática.

Professor de Engenharia de Transportes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), José de Oliveira Guerra diz que a organização das linhas deve ser totalmente repensada.

— Não precisa ser, necessariamente, um retorno ao estágio anterior. Se eu fosse o secretário, faria tudo de novo, e não apenas baseado nas reclamações da população, mas principalmente em um planejamento global. É preciso fazer estudos de forma que a rede atenda ao geral e ao setorial ao mesmo tempo.

José Eugênio Leal, que é professor de Engenharia de Transportes da PUC-Rio, afirma que, além de repensar os trajetos, é preciso considerar outros aspectos:

— É importante garantir que o Bilhete Único funcione sem limite de transbordo dentro de certo período, porque isso é o que mais atrapalha as pessoas. O passageiro não consegue chegar ao destino com apenas um transbordo. Se isso fosse resolvido, apesar do desconforto, ele chegaria ao destino final.

Em nota, a SMTR afirma que foi feito um diagnóstico sobre o atual panorama do transporte coletivo municipal, e que está dando andamento à suspensão da racionalização. (Colaboraram Geraldo Ribeiro e Renan Rodrigues)

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Empresários querem ônibus a R$ 5,30

01/05/2017 - Extra

Luiz Ernesto Magalhães - O Globo

RIO — A Secretaria municipal de Transportes analisa as conclusões de uma auditoria, contratada pelo Rio Ônibus e pelos consórcios da cidade, que prevê uma nova tarifa para os coletivos de, pelo menos, R$ 5,30. O estudo é da empresa EY (antiga Ernest & Young) e foi encomendado em 2013 para atender a uma cláusula do contrato com a prefeitura. A concessão, formalizada em 2010, estabelece que devem ocorrer revisões periódicas nas tarifas, além dos reajustes anuais nas passagens, com o objetivo de manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato.

O início do processo de revisão tarifária foi determinado, na semana passada, pela juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes, da 8ª Vara de Fazenda Pública, no mesmo processo em que o Ministério Público Estadual questiona por que toda frota não foi climatizada até o fim de 2016, como havia sido acordado. A Procuradoria Geral do Município (PGM) informou que já foi iniciado o processo de revisão da tarifa, mas que ainda não há uma avaliação técnica para definir se o valor proposto é possível ou não.

No estudo apresentado pelos empresários, a auditoria sugere tarifa de R$ 5,30 como forma de atender a exigências feitas pela prefeitura nos últimos anos para a operação do serviço. Entre elas, está a climatização de todos os veículos da frota. O cálculo também leva em consideração uma série de fatores, tais como, o município ter aumentado por decreto o prazo de validade do bilhete único de duas horas para duas horas e meia e a ampliação do direito à gratuidade para estudantes universitários. O estudo foi entregue ao município há algum tempo, mas o processo de revisão ficou paralisado porque a prefeitura não havia finalizado uma segunda auditoria que havia sido contratada junto à PricewaterhouseCoopers. Em dezembro, último mês do governo do ex-prefeito Eduardo Paes, quando faltavam apenas dez dias para a entrega do relatório, a prefeitura suspendeu o contrato. Segundo o site Rio Transparente, até a última sexta-feira, não havia informações se ele havia sido retomado.

Empresas têm outras receitas

Apesar do que informa o site, a Procuradoria Geral do Município garantiu que, no processo de revisão, também serão avaliados estudos feitos pelo município, sem especificar quais seriam eles. Segundo a PGM, será observado ainda que os consórcios são remunerados não apenas com o valor da tarifa, mas também pelas chamadas receitas acessórias, que incluem, por exemplo, a verba obtida com a exploração de publicidade nos ônibus.


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