segunda-feira, 30 de março de 2015

Ministério Público Estadual pede suspensão de ônibus gratuito em Maricá

27/03/2015 - Jornal Barão de Inohan E Maricá Info


Um dos 'responsáveis' por tornar inconstitucional a Lei Municipal que permitia a instalação do 'Porto de Jaconé', o advogado Manuel Ramos Moura, fez uma ação popular e enviou para o Ministério Público Estadual (MP-RJ), que deu parecer favorável e já encaminhou para a Comarca de Maricá, para que as atividades da Empresa Pública de Transportes (EPT), criada no final do ano passado e que substitui a MTP (Maricá Transportes Público), sejam suspensas e que deixe de transportar os moradores da cidade sem cobrar passagem.

O advogado informou na ação que encontrou diversas irregularidades nas contratações e no funcionamento da autarquia municipal responsável pela Empresa Pública de Transporte.

A prefeitura de Maricá criou a autarquia através da Lei Complementar nº 244 de 11 de setembro de 2014, alegando atender a "interesse público excepcional", mas segundo o promotor de Justiça Leonardo Cuña de Souza, "o chefe do executivo municipal na verdade planeja a prestação direita e gratuita do serviço de transporte coletivo há tanto tempo, que falar de excepcionalidade gerada por circunstâncias temporárias beira a ficção cientifica".

Com parecer favorável às demandas da ação popular, pede então a liminar para suspender todas as portarias, atos administrativos que importem na contratação temporária ou direta de profissionais para exercícios de funções dentro da EPT, sob pena de multa diária de R$ 10 mil por dia de descumprimento, e que sejam condenados pessoalmente o prefeito municipal e o diretor presidente da EPT ao pagamento de multa diária no valor de R$ 10 mil caso não cumpram as obrigações. O juiz de direito da Comarca de Maricá poderá deferir o pedido nos próximos 15 dias.

Com informações: Jornal Barão de Inohan E Maricá Info




quinta-feira, 26 de março de 2015

Sem solução para abandono da estação Cesarão II do BRT, moradores fazem faxina por conta própria

26/03/2015 - Extra - RJ

Leia: Moradores da comunidade do Rola reivindicam a volta do BRT nas estações Cesarão II e Vila Paciência - Extra - RJ

Corredor BRT do Rio tem três estações fantasmas – Extra/RJ

Foi com vassoura e balde nas mãos que a dona de casa Maria Cristina Campos Santana comemorou seus 36 anos, nesta quarta-feira. Moradora da comunidade do Rola, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, ela é uma das pessoas prejudicadas pela suspensão dos serviços nas estações do BRT Cesarão II e Vila Paciência. Depois de ter participado, na última terça-feira, da retirada de cerca de 30 usuários de crack do Cesarão II, ela e cerca de dez moradores da região fizeram uma limpeza na estação. De presente, ela só quer que o serviço volte:

— Tomara que esse presente venha. Sem essa estação, os moradores têm que andar até 25 minutos para chegar ao Curral Falso (estação).

Após varrerem a estação, eles encheram baldes no comércio local e lavaram as plataformas. Agora, esperam que a Comlurb conclua o serviço.

— Agora, dependemos da Comlurb para vir recolher o lixo e fazer uma lavagem maior — disse o presidente da Associação de Moradores da Comunidade do Rola, Osvaldo Cardoso, de 65 anos.

A Comlurb informou que a limpeza do BRT é de responsabilidade de uma empresa particular, mas que, mesmo assim, em solidariedade aos moradores, vai lavar a estação, nesta quinta-feira. Segundo a Secretaria municipal de Transportes, a prefeitura irá executar a reforma da estação Cesarão II, mas não definiu a data.

Já o Consórcio BRT disse que, "confirmando-se a saída dos usuários de drogas que lá se concentravam, será feito um levantamento de custos para se iniciar o trabalho de recuperação das estruturas da estação."

Entrevista com Osvaldo Cardoso, presidente da Associação de Moradores do Rola:

Como foi a retirada dos usuários de crack da estação Cesarão II, na terça-feira?

A comunidade está sendo prejudicada por eles. Eu e mais três moradores pedimos para que eles saíssem, e eles saíram numa boa, sem problemas.

O que vocês esperam com essa limpeza?

A comunidade aqui está correndo atrás para ver se, com a estação limpa, a prefeitura toma alguma providência.

Como os moradores da região estão fazendo com o serviço suspenso na Cesarão II?

Isso é uma covardia com a comunidade. Essa estação é quase de frente para a UPA. Às vezes, você está na Vila Paciência. Como lá não para o ônibus, tem que vir caminhando até aqui. O que mais me indigna é que a estação Cesarão II fica próxima a um posto policial.

Leia as respostas na íntegra:

Secretaria municipal de Transportes

A Prefeitura irá executar a reforma da estação Cesarão II, a data ainda não foi definida.

Consórcio BRT

Conforme foi informado mais de uma vez ao Extra, a estação Cesarão II foi incendiada criminosamente no dia 7 de janeiro deste ano. Após o ato de vandalismo, verificou-se não haver condições de segurança para que fosse iniciado o trabalho de reconstrução. Confirmando-se a saída dos usuários de drogas que lá se concentravam, será feito um levantamento de custos para se iniciar o trabalho de recuperação das estruturas da estação.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Paixão por ônibus vira fonte de renda

25/03/2015 - O Dia - RJ


Rio - "Busologia: atividade, geralmente praticada como hobby, do estudo de assuntos relacionados a ônibus, tais como história, motores e carrocerias". Uma breve busca online explica o significado do termo, estranho à primeira vista. Alguns "busólogos", os aficcionados por ônibus, são tão apaixonados que fazem do passatempo fonte de renda. É o caso do arquiteto Ricardo Avellar, niteroiense de 49 anos que produz e vende dezenas de miniaturas artesanais de ônibus antigos por mês.

A "brincadeira" de Ricardo tem até nome: RRV Miniaturas, oficina que mantém na própria casa desde 2000. A sigla é em homenagem ao irmão Rafael Avellar, 52, e ao amigo Vinícius Vieira, 53. "Meu irmão gosta de ônibus desde pequeno. Um dia resolvi fazer uma miniatura para dar de presente para ele, que gostou e pediu outra. Fiz a segunda, aí veio um amigo que também gostava de ônibus antigos, veio outro, outro... De lá pra cá já fiz mais de 400", conta o arquiteto, que começou a vender os produtos quando estava desempregado.

Rafael é funcionário público e, como se tornou estudioso do tema, atua como consultor na confecção das peças. Já Vinícius, motorista de ônibus há 25 anos, produz as maquetes que compõem cenários para as miniaturas. "O Rafael é o expert , fotografa ônibus desde criança e sabe tudo de motorização, número de chassi... Ele dá assessoria de pesquisa ao Ricardo para que as réplicas sejam cópias fiéis dos modelos de cada época", relata o rodoviário, ressaltando que os cenários não são vendidos com os miniônibus.

"Eles são só para divulgar as miniaturas de forma mais atraente, relembrando como era a cidade em cada período da história", pondera ele, que utiliza materiais recicláveis na ambientação.

Segundo Ricardo, a estrutura das miniaturas é feita em madeira e os detalhes, resina. Os modelos que mais fascinam o trio são os antigos, quando as cores dos coletivos que circulavam no Rio não eram padronizadas. "Cada empresa tinha o seu visual e todo mundo identificava a viação pelas cores. Era muito interessante, porque cada ônibus tinha a pintura do seu estilo", lembra, nostálgico.

As miniaturas têm cerca de 50 centímetros e podem levar até seis meses para ficarem prontas. Vinícius avisa que quem solicitar uma hoje só deve receber o protótipo em setembro. A equipe recebe em torno de 20 pedidos por mês. Segundo ele, cada exemplar custa em torno de R$ 550. Os interessados vão desde colecionadores a motoristas, cobradores, empresários e demais apaixonados por ônibus. O telefone para encomendas é (21) 2622-8828.

domingo, 22 de março de 2015

Estações do BRT: Prefeitura regulamenta horário de funcionamento

19/03/2015 - SMTR

PREFEITURA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
Secretaria Municipal de Transportes
Núcleo de Comunicação Social
Rio de Janeiro, 18 de Março de 2015
 
A Secretaria Municipal de Transportes publica nesta quinta-feira (19), no Diário Oficial do Município, uma Portaria que regulamenta o horário de funcionamento das estações dos BRTs Transoeste e Transcarioca.  Pela nova regra, 48 estações passam a operar durante 24h. Outras 31 ficarão abertas das 4h a 1h da madrugada; 18, das 5h a 1h; uma de 4h às 23h e uma de 5h às 23h.
 
Até então, o funcionamento das estações não era normatizado, sendo definido em função da demanda de cada estação. Levantamentos da SMTR mostraram a necessidade de ajustes, o que levou a essa regulamentação.  A partir de agora, independentemente de qualquer demanda, o horário de funcionamento das estações, das bilheterias e dos equipamentos de autoatendimento aos cidadãos seguirá a determinação da Prefeitura.
 
"Essa medida é fundamental para melhorar o funcionamento do sistema. Somente esse ano, de janeiro até o início de março, 355 denúncias foram encaminhadas ao atendimento 1746, da Prefeitura, com reclamações sobre o BRT.  Desse total, metade correspondia a críticas sobre o funcionamento das estações enquanto que a outra parte reclamou das bilheterias e dos terminais de autoatendimento. Com essa medida vamos melhorar o sistema e oferecer um serviço mais adequado à população", afirma o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani.
 
Todas as estações deverão conter sinalização, em locais de fácil visualização, com a informação sobre seu horário de funcionamento. O descumprimento dos horários determinados pela Portaria sujeitará o consórcio operador às sanções previstas no Código Disciplinar do Serviço Público de Transportes de Passageiros (SPPO).
 
A nova regra de funcionamento das estações BRT passa a valer nesta quinta-feira, a partir da publicação da Portaria no Diário Oficial. Abaixo, acompanhe a lista completa com o novo horário de funcionamento das Estações BRT.
 
TRANSOESTE
 
Estação
Horário de funcionamento
 
 
01 - Terminal Alvorada
 24h
 
02 - Bosque da Barra
 4h a 1h
 
03 - Novo Leblon
 24h
 
04 - Américas Park
 4h a 1h
 
05 - Santa Mônica Jardins
 4h a 1h
 
06 - Rio Mar
 24h
 
07 - Golfe Olímpico
Fechada
 
08 - Interlagos
 4h a 1h
 
09 - Pedra de Itauna
 4h a 1h
 
10 - Pontões / Barra Sul
 24h
 
11 - Salvador Allende
 24h
 
12 - Gelson Fonseca
 4h a 1h
 
13 - Guignard
 4h a 1h
 
14 - Gláucio Gil
 24h
 
15 - Benvindo de Novaes
 4h a 1h
 
16 - Nova Barra
 4h a 1h
 
17 - Gilka Machado
4h a 1h
 
18 - Guiomar de Novaes
 24 h
 
19 - Recreio Shopping
 24h
 
20 - Recanto das Garças
 4h a 1h
 
21 - Notre Dame
 4h a 1h
 
22 - Dom Bosco
 4h a 1h
 
23 - Pontal
 24h
 
24 - Ilha de Guaratiba
 24h
 
25 - Cetex
 24 h
 
26 - Embrapa
 4h a 1h
 
27 - Mato Alto
 24h
 
28 - Magarça
 24h
 
29 - Pingo D'Água
 24h
 
30 - Vendas de Varanda
4h a 1h
 
31 - Santa Veridiana
 4h a 1h
 
32 - Curral Falso
 24h
 
33 - Cajueiros
 4h a 1h
 
34 - Gastão Rangel
 24h
 
35 - General Olímpio
 4h a 1h
 
36 - Terminal Santa Cruz
 24h
 
37 - Rod. Campo Grande
 24h
 
39 - Prefeito Alim Pedro
 24h
 
42 - Cesarão I
 4h a 1h
 
43 - Cesarão II
 24h
 
44 - Cesarão III
 24h
 
46 - Três Pontes
 4h a 1h
 
47 - Cesarinho
 24h
 
48 - 31 de Outubro
 4h a 1h
 
49 - Santa Eugênia
 24h
 
50 - Júlia Miguel
 4h a 1h
 
51 - Parque São Paulo
 4h a 1h
 
52 - Cosmos
 4h a 1h
 
53 - Icurana
4h a 1h
 
54 - Vilar Carioca
 24h
 
55 - Inhoaíba
 4h a 1h
 
56 - Ana Gonzaga
 4h a 1h
 
57 - São Jorge
24h
 
58 - Pina Rangel
 24h
 
59 - Parque da Esperança
 4h a 1h
 
61 - Gramado
 4h a 1h
 
62 - Candido Magalhães
 4h a 1h
 
 
 
TRANSCARIOCA
 
Estação
Horário de funcionamento
 
 
01 - Estação Lourenço Jorge
 24h
 
02 - Estação Aeroporto de Jacarepaguá
 5h a 1h
 
03 - Estação Via Parque
24h
 
04 - Estação Centro Metropolitano
 5h a 1h
 
05 - Estação Hospital Sarah
 5h a 1h
 
06 - Estação Rio II
24h
 
07 - Estação Pedro Correia
 5h a 1h
 
08 - Estação Curicica
 24h
 
09 - Estação Praça do Bandolim
 24h
 
10 - Estação Arroio Pavuna
 5h a 1h
 
11 - Estação Vila Sapê - IV Centenário
 24h
 
12 - Estação Recanto das Palmeiras - Jardim São Luiz
 5h a 1h
 
13 - Estação Divina Providência
 5h a 1h
 
14 - Estação Santa Efigênia
 05h às 23h
 
15 - Estação Merck
 24h
 
16 - Estação André Rocha
 5h a 1h
 
17 - Estação Taquara
 24h
 
18 - Estação Aracy Cabral
 5h a 1h
 
19 - Estação Tanque
 24h
 
20 - Estação Ipase
 24h
 
21 - Estação Praça Seca
 24h
 
22 - Estação Cap. Menezes
 5h a 1h
 
23 - Estação Pinto Teles
 4h a 1h
 
24 - Estação Campinho
 24h
 
25 - Estação Madureira - Manaceia
 24h
 
26 - Terminal Madureira - Paulo da Portela
 4h às 23h
 
27 - Estação Mercadão
 24h
 
28 - Estação Otaviano
 5h a 1h
 
29 - Estação Vila Queiroz
5h a 1h
 
30 - Estação Vaz Lobo
 24h
 
31 - Estação Marambaia
5h a 1h
 
32 - Estação Vicente de Carvalho
 24h
 
33 - Estação Vila Kosmos - Nossa Senhora do Carmo
 5h a 1h
 
34 - Estação Pedro Taques
 5h a 1h
 
35 - Estação Praça do Carmo
 24h
 
36 - Estação Guaporé
 5h a 1h
 
37 - Estação Pastor José Santos
 24h
 
38 - Estação Penha 1
 24h
 
39 - Estação Penha 2
 24h
 
40 - Estação Ibiapina
 5h a 1h
 
41 - Estação Olaria - Cacique de Ramos
 24h
 
42 - Estação Cardoso de Moraes - Viúva Garcia
 5h a 1h
 
43 - Estação Santa Luzia
 24h

quinta-feira, 19 de março de 2015

Prefeitura do Rio vai reorganizar linhas e retirar 700 ônibus da zona sul

Projeto terá dois corredores principais e uma linha com foco no turismo

19/03/2015 - R7

Mapa mostra novo sistema de ônibus


créditos: Divulgação/SMTR
 
A Prefeitura do Rio anunciou que vai retirar 700 ônibus da zona sul no segundo semestre de 2015. Das 123 linhas que circulam na região, 78 serão eliminadas, com uma redução de 35% da frota. O órgão informou que 20 novas linhas serão criadas especialmente para o novo modelo. A zona sul também deve ganhar uma linha com viés turístico. Até junho, a secretaria deve finalizar o plano de racionalização da frota que atende a área. Segundo a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), o objetivo é gerar mais fluidez no trânsito e diminuir o tempo de viagem.
 
O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, explicou que 70% das linhas serão aglutinadas.
 
"O desenho dessa rede segue uma lógica de ligação por corredores entre a zona sul e o centro. Teremos dois grandes corredores principais: Leblon, Ipanema, Copacabana e centro, via aterro do Flamengo. O outro é São Conrado, Gávea, Jardim Botânico, Botafogo e centro, via praia do Flamengo. Esses corredores principais vão concentrar a maioria das linhas. Ao todo, serão oito linhas troncais."
 
Para ligar os bairros da zona sul ao Maracanã e à rodoviária Novo Rio, serão criadas sete linhas integradoras que passarão pela Lagoa, pelo túnel Rebouças e também pelo Santa Bárbara.
 
Os bairros que não estarão nos corredores principais, como a Urca e o Cosme Velho, serão atendidos por uma linha circular. Outras áreas terão linhas alimentadoras, como o Horto, o Leme, o Vidigal e a Rocinha. Os ônibus que partem da Rocinha ou do Vidigal serão mantidos sem quaisquer alterações. Já as linhas que saem da Barra da Tijuca e que chegam ao centro serão encurtadas: farão apenas o trajeto até a zona sul.
 
Rafael Picciani declarou que, atualmente, existe um excesso de oferta de ônibus na zona sul, com linhas sobrepostas e ocupação média baixa, já que muitos ônibus circulam vazios em diversos horários. Ele afirmou que o sistema será mais fácil de ser compreendido, otimizando a qualidade do serviço oferecido aos passageiros.
 
Segundo a secretaria, não haverá mudanças no trânsito durante a implantação do novo sistema, que será feita de forma gradual entre os meses de julho e dezembro.  Para auxiliar os passageiros, está em estudo um sistema de informação em tempo real para serem adotados nos pontos e em aplicativos. Os ônibus que não possuem ar condicionado deverão sair de circulação.
 
De acordo com o órgão, o novo sistema deve ser totalmente implementado até a Olimpíada de 2016.

Corredor BRT do Rio tem três estações fantasmas

19/03/2015 -  Extra - RJ

O único movimento visto, na última quarta-feira, na estação do BRT Maria Tereza, em Campo Grande, era do vigia que, sem ter o que fazer, cochilava, por volta do meio-dia. Pronta há um ano e dois meses, a estrutura nunca recebeu passageiros. Mas esta não é a única estação fantasma do corredor Transoeste. Destruídas durante protestos, a Vila Paciência e a Cesarão II, ambas em Santa Cruz, também deixaram os moradores a pé.

— O jeito é desembarcar uma estação antes ou uma depois e caminhar com peso — reclama a vendedora Carla Trindade da Silva, de 38 anos, que precisa andar cerca de 500 metros sempre que vai às compras no centro de Santa Cruz ou de Campo Grande.

Para alcançar a estação Vila Paciência, ao lado de sua casa, a moradora não caminharia mais do que 20 passos. O transtorno já dura cerca de um ano, desde que a estrutura foi incendiada num protesto de moradores da Favela do Aço contra ação da PM que resultou na morte de um menino de 12 anos.

Duas estações adiante, no sentido Santa Cruz, o mesmo drama é enfrentado por quem mora perto da Cesarão II, incendiada em janeiro, também durante protesto após ação policial na mesma favela. Fechada e com pedaços de madeira onde havia vidros, não tem previsão de reabertura.

Em Campo Grande, a estação Maria Tereza, pronta e equipada há mais de um ano, nunca funcionou. O desgaste provocado pela falta de uso e pela ação de vândalos é visível, como vidros quebrados e parte da grade de aço de uma das rampas arrancada. Há sete meses, um grupo de moradores fez a inauguração "simbólica", alertando para o problema e para o fim das linhas 853,854 e 855, que seriam substituídas pelo BRT.

— Essa estação não traz benefícios para ninguém — afirma a panfletista Jaqueline Helena Alves, de 34 anos, que, para ir à Barra, precisaseguir primeiro no sentido contrário, até Santa Cruz.

Para o aposentado Benedito da Maia, de 59 anos, morador de Campo Grande, a estação Maria Tereza não funcionar é "uma falta de respeito" com a população:

— A gente custa para comprar um saco de cimento, e eles gastam material à toa com essa estrutura desativada e ainda pagam funcionários para tomar conta. Do jeito que está, só serve de abrigo para mendigos. Enquanto isso, a gente fica sem locomoção. É um desperdício de dinheiro público e um desrespeito com o morador da Zona Oeste. O prefeito deveria se manifestar sobre isso. Moro na Avenida Aldo Botelho e lá sim, precisamos do BRT, mas o corredor só atende à Cesário de Melo. Estou fotografando e vou jogar na rede social para que todos vejam como está.

Já o barbeiro Edson Santos, de 41 anos, morador em Santa Cruz, lamenta a situação da estação Cesarão II.

— Ela foi destruída no começo do ano e acabou deixando a população a pé. Quem paga a conta é o morador, pois quem queima nem sempre precisa de condução. Como as autoridades costumam demorar a olhar para a Zona Oeste, a solução para um problema desses demora a chegar. Acho que nem tão cedo vão reconstruir. Com isso, o povo é que sofre. Hoje, nossa opção é descer uma estação antes ou uma depois e caminhar por cerca de 500 metros, quando tínhamos uma estação do BRT, onde o ônibus deixava na nossa porta. É uma situação lamentável.

O preço do vandalismo

Localizadas perto da Favela do Aço, as estações da Avenida Cesário de Melo em Santa Cruz são o calcanhar de Aquiles do sistema do BRT Transoeste, pois são alvo frequente de vandalismo. A Vila Paciência chegou a ser totalmente reconstruída a um custo de R$ 833 mil para a prefeitura, gastos só com a estrutura, conforme despacho publicado em setembro no Diário Oficial do município.

Na ocasião, a prefeitura contratou uma empresa em caráter emergencial para executar a obra em dois meses. O município garante que o trabalho foi feito dentro do prazo estipulado. Entretanto, ontem, o EXTRA esteve no local e constatou que a estação ainda não está funcionando e apresenta sinais de vandalismo.

O consórcio BRT, a quem cabe equipar as estruturas, explicou que a estação chegou a ser reaberta, após a conclusão dos reparos, mas foi alvo de novos ataques de vândalos, que levaram os equipamentos instalados, como câmeras e monitores, forçando um novo fechamento.

Sem prazo

A Prefeitura do Rio não informou o valor total gasto com a construção das três estações visitadas pelo EXTRA. A Vila Paciência e a Cesarão II ainda não têm previsão para serem reabertas. Segundo a Secretaria municipal de Transportes, a estação Maria Tereza foi construída para atender a demanda futura, servindo ao trecho Campo Grande-Alvorada, que já tem projeto definido. A obra, no entanto, não tem data para começar. Sobre as linhas 853, 854, 855, informou que se tornaram alimentadoras do BRT e continuam atendendo a população da região. A diferença é que antes elas seguiam direto para a Barra e, agora, vão até o Mato Alto, onde os passageiros precisam fazer transbordo.

A Secretaria de Conservação informou que a Vila Paciência teve seu reparo concluído no prazo previsto e que, depois, foi novamente entregue ao consórcio que administra o BRT. Já em relação ao reparo da Estação Cesarão II, a Secretaria de Transportes informou apenas que esse serviço cabe ao consórcio. E não se manifestou sobre o fato de as duas estações estarem inoperantes.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Linha 3: ônibus e trens na disputa

14/03/2015 - O Fluminense

Uma possibilidade, mais barata, estudada para atender ao Leste Fluminense pelo Governo Estadual, é a implantação de linhas de Transporte Rápido por Ônibus (da sigla em inglês BRT), para substituir o projeto inicial da Linha 3, que usa o sistema de monotrilho suspenso.  Neste momento, a Secretaria de Estado de Transportes está desenvolvendo estudos com relação ao modal que irá utilizar. De acordo com o secretário da pasta, Carlos Roberto Osório, o projeto do BRT foi pensado por conta da atual situação econômica que o estado e o país estão passando.

"Estamos buscando soluções para atender ao leste da Região Metropolitana, que não possui um transporte de massa. Hoje, o que está na mesa é um monotrilho que ligaria o Centro de Niterói a Alcântara, que transportaria 228 mil pessoas por dia e que estaria pronto de 5 a 6 anos", explicou o secretário, que lembrou que o investimento seria de R$ 3,9 bilhões com 22,4 km. 

Como alternativa, custando menos que a metade do projeto inicial (R$ 1,7 bilhões) e tendo previsão de ficar pronto em dois anos - a  partir do início das obras - o uso dos BRTs seria uma saída mais barata, que percorreria 46 km, mais que o dobro da coberta pelo VLT. O projeto prevê utilização de ônibus articulados e biarticulados. 

"No projeto dos BRTs, seriam criados dois sistemas, um ligando Niterói a Alcântara, no mesmo trajeto que seria o VLT (seguindo a antiga linha férrea), e um segundo, margeando a RJ-104 que iria de Niterói até Itaboraí. Com um custo menor, o projeto, caso seja o escolhido, irá atender 310 mil pessoas por dia. Para se ter uma comparação, os dois BRTs do Rio atendem cerca de 500 mil pessoas por dia, isso mostra que o do Leste Fluminense também teria capacidade de expansão", esclareceu Osório.

Outro ponto que está sendo levado em conta para a escolha do projeto é o descongestionamento do Centro de Niterói. Caso os corredores de BRTs sejam os escolhidos, os atuais ônibus intermunicipais deixariam de circular, afirmou o secretário. 

"Além disso, existe a BRT TransOceânica, que poderia integrar com os BRTs da Linha 3", afirmou. 

No início da semana o secretário esteve em Brasília nos ministérios da Cidade e do Planejamento levando os projetos para captar os recursos. Atualmente, documentos estão sendo preparados para ser encaminhados ao Governo Federal para aprovação. No projeto inicial divulgado pelo governo estadual, o trajeto completo teria 37,2 quilômetros e 16 estações, e era divido em dois trechos: o primeiro, que liga Niterói a São Gonçalo (o mesmo do atual VLT), e o segundo, que segue até Itaboraí, com uma parte feita por rodovia. A expectativa divulgada na época era que o metrô transportaria 350 mil passageiros por dia.