quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Propinas de Cabral fizeram passagens intermunicipais aumentarem 11,9%

15/08/2017 - O Globo

Percentual é equivalente ao reajuste extra das tarifas de ônibus para garantir esquema
   
POR RAFAEL SOARES 

Linha de São Gonçalo para o Rio, sem propina, seria R$11, e não R$12,50 - Márcio Alves

RIO - As benesses garantidas durante o governo Sérgio Cabral a empresas que operam linhas de ônibus intermunicipais em troca de propina pesam no bolso do trabalhador que usa transporte público. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal que culminou na operação Ponto Final, o então presidente do Detro em 2009, Rogério Onofre, reajustou o valor das passagens em 7%, quando o aumento deveria ter sido de só 2%. Cálculo feito pelo EXTRA e chancelado pelo economista Gilberto Braga, professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), revela que a diferença de 5% — ou seja, o percentual que proporcionou a propina para autoridades — passados oito anos, corresponde hoje a 11,9% dos preços dos bilhetes hoje.

Sem o reajuste extra, a passagem, que varia conforme o trajeto, custaria por mês até R$ 74 a menos. É o caso de um passageiro que vai todo dia de Vilar dos Teles, em São João de Meriti para o Centro do Rio.

Segundo o cálculo, a diferença de 5%, reajustada com base nas variações do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que determina desde 2009 a variação dos preços das passagens ano a ano, corresponde hoje aos 11,9%. Assim, dos R$ 15,50 pagos pelo passageiro da linha 1512 (Vilar dos Teles-Castelo), R$ 1,85 correspondem ao aumento extra autorizado em 2009. Se considerar o custo com passagens de ida e volta em todos os dias úteis do mês, esse valor adicional deve ser multiplicado por 40, chegando aos R$ 74.

DOZE PRESOS EM JULHO

Segundo as investigações, que culminaram na prisão de 12 pessoas, em julho, R$ 260 milhões em propina foram pagos pelas empresas de ônibus para autoridades políticos do estado. Os valores eram encaminhados para a quadrilha liderada por Cabral como “prêmios” em troca de benefícios para as empresas de ônibus, como a concessão de reajustes nas tarifas. O aumento de 7% nas tarifas em 2009 foi contestado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE): segundo o órgão, a medida foi tomada sem considerar os benefícios fiscais concedidos e outras benesses que justificavam o aumento em um percentual de apenas 2%.

Para o economista especializado em planejamento de transportes Marcos Poggi, o percentual das atuais passagens que ajudou a sustentar o esquema de corrupção no estado é ainda maior, já que só o reajuste extra de 2009 foi detectado pelas investigações.

— Essa não é uma prática pontual, esses valores indevidos vão se acumulando com os anos — diz Poggi.

ACUSAÇÕES E RESPOSTAS

Investigação

Os investigadores chegaram aos 12 acusados por meio de colaboração premiada do doleiro Álvaro José Galliez Novis. Ele contou aos procuradores que ia às sedes de empresas de ônibus buscar o dinheiro que, então, era repassado a políticos.

Lista de presos

Foram presos os empresários Jacob Barata Filho, Marcelo Traça Gonçalves, David Augusto da Câmara Sampaio, José Carlos Reis Lavouras. Além deles, os dirigentes da Fetranspor Lelis Teixeira e Carlos Roberto Alves; os dirigentes do Rio Ônibus João Augusto Morais Monteiro, Eneas da Silva Bueno e Otacílio de Almeida Monteiro; o funcionário de uma empresa de transporte de valores Márcio Marques Pereira de Miranda; o ex-presidente do Detro Rogério Onofre e seu operador Claudio Sá Garcia de Freitas.

Fetranspor

Questionada sobre ilegalidades nos reajustes, a Fetranspor, por meio de nota, alegou que “colabora com as autoridades policiais e está à disposição da Justiça para os esclarecimentos necessários”.

Detro

Já o presidente do Detro, Fernando Moraes, afirmou que, se as irregularidades forem comprovadas, o preço da passagem será revisto.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Empresa Pública de Maricá compra mais sete ônibus novos

15/08/2017 - Diário do Transporte

Compra é para ampliar atendimento, diz prefeitura.

Promessa da prefeitura é ampliar linhas que não cobram tarifa

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de Maricá, no Rio de Janeiro, anunciou a compra de sete novos ônibus para a EPT – Empresa Pública de Transportes, criada em dezembro de 2014 para fazer operar gratuitamente na cidade.

Segundo a prefeitura, o primeiro veículo já chegou à cidade e outros seis devem ser entregues até quarta-feira, 16.

Em nota, o poder público afirma que não se trata de renovação de frota, mas de ampliação dos serviços. Os veículos são apelidados de vermelhinhos

“O primeiro Vermelhinho chegou nesta segunda-feira (14). Os novos veículos vão possibilitar a diminuição dos intervalos das viagens nas linhas já existentes e, também, a criação de novos trajetos.”

A criação da companhia de ônibus rendeu diversas polêmicas. Várias decisões judiciais movidas pelas empresas que prestam serviços na cidade por meio de contrato, Empresa Nossa Senhora do Amparo e Viação Costa Leste, tiveram o pleito atendido e a EPT teve de parar de operar. A prefeitura recorreu, fez alterações nas linhas, e a EPT voltou a funcionar.

Diante da concorrência, a Viação Costa Leste suspendeu as operações em 13 de abril de 2016, e as linhas foram assumidas emergencialmente pela EPT.

Dias depois, a empresa privada voltou aos trabalhos na cidade.

A EPT também teve suspeitas de propaganda política. Em junho de 2016, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendou que o logotipo EPT fosse retirado dos ônibus gratuitos por fazerem referência, segundo entendimento dos promotores, ao PT – Partido dos Trabalhadores, do qual faz parte o ex-prefeito que criou a companhia Washington Quaquá, que conseguiu eleger um sucessor do mesmo partido, Fabiano Horta, que contabilizou 96,12% dos votos válidos.

Ultimamente, as linhas de EPT receberam reclamações de passageiros pelo intervalo excessivo entre os veículos e também pela falta de limpeza. Muita terra, restos de alimentos e até insetos são encontrados diariamente pelos passageiros.

A falta de conservação dos ônibus também foi alvo de críticas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

sábado, 12 de agosto de 2017

Detro determina mudança de empresa em dez linhas de ônibus da Baixada Fluminense

11/08/2017 - G1

Viação Costeira sofre intervenção por conta de reclamações sobre qualidade dos ônibus e serviços. Linhas serão operadas por três empresas por um ano ou até problemas serem resolvidos.

Por G1 Rio

A partir deste sábado (12), dez linhas de ônibus que eram operadas pela Viação Costeira passam a ter seus itinerários feitos por outras três empresas: Viação Ponte Coberta, Expresso Recreio e Transporte Flores. A mudança acontece por determinação do Departamento de Transportes Rodoviários (Detro), que fez uma intervenção nessas dez linhas por causa das constantes reclamações dos passageiros e do não atendimento das solicitações para resolver os problemas.

Dentre os problemas frequentemente relatados, estão o mau estado dos ônibus, que colocava em risco a integridade dos usuários e a baixa qualidade do serviço prestado. Segundo o Detro, a empresa não resolvei problemas operacionais, fiscais e trabalhistas.

A intervenção, feita em caráter emergencial, vale por um ano ou até a abertura de procedimento licitatória. Durante esse prazo, segundo o Detro, a Viação Costeira poderá regularizar sua situação e pedir o retorno das linhas. Caso a empresa não tome as devidas providências, poderá perder a concessão definitivamente.

Veja abaixo as linhas que serão operadas por outras empresas

Viação Ponte Coberta: 
456T (Duque de Caxias – Itacuruçá);
452T (Duque de Caxias - Muriqui (via Nova Iguaçu)); 
546I (Duque de Caxias - Km 32/BR-465) 
450T (Nova Iguaçu - Itacuruçá (via Avenida Brasil)).

Expresso Recreio: 
454U (Itaguaí – Itacuruçá); 
455U (Itaguaí – Muriqui) e 
116T (Itaguaí – Mangaratiba).

Transporte Flores: 
118T (Duque de Caxias - Mangaratiba (Via Nova Iguaçu)); 
453T (Duque de Caxias - Cabuçu (via Nova Iguaçu)) e 
120T (Duque de Caxias - Itaguaí (via Nova Iguaçu)).

O G1 ainda não conseguiu contato com a Viação Costeira.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Menos passageiros do que esperado no Transolímpica

23/07/2017 - O Dia

À espera da rede completa de BRTs, o corredor inaugurado para os Jogos de 2016 transporta, um ano depois, 30 mil pessoas por dia, menos da metade do prometido

CLAUDIO SOUZA

Rio - Construído com a promessa de transportar até 70 mil pessoas por dia, o corredor Transolímpica completa um ano de operação em julho com menos da metade dos passageiros esperados. Segundo o consórcio BRT Rio, que opera o sistema, o corredor transporta, em média, 30 mil passageiros por dia. As razões para o movimento baixo são a crise econômica, que reduz as viagens em toda a cidade, e a não conclusão do projeto inicial da rede de BRTs.

O corredor Transolímpica liga a Vila Militar ao Recreio dos Bandeirantes, onde se conecta com o Transoeste. Divulgação

“A expectativa é de que quando houver a ligação desse corredor com o Terminal Deodoro, a demanda do Transolímpica aumente em pelo menos 10 mil passageiros por dia. Atualmente, a última estação é Vila Militar, que só recebe ônibus alimentadores dos bairros daquela área até a Avenida Brasil. Com o terminal, haverá a demanda do outro lado da Brasil e do próprio corredor Transbrasil”, explica Suzy Ballossier, diretora de Relações Institucionais do BRT Rio.

Entretanto, se depender dessa ligação, o BRT ainda terá de esperar bastante. Apesar de as obras do trecho de Caju a Deodoro do Transbrasil terem recomeçado em abril, a licitação, realizada ainda na gestão de Eduardo Paes, não prevê a construção dos três terminais previstos nesta parte do projeto: Deodoro, Nações e Margaridas. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, a previsão é de que a construção dos três terminais, avaliados em cerca de R$ 100 milhões cada, seja licitada até o fim do ano. Com isso, o trecho Caju-Deodoro do Transbrasil, previsto para inaugurar em julho de 2018, começará a funcionar como faixas seletivas para os ônibus comuns.

Também precisa ser licitada ainda a construção da ligação Vila Militar-Deodoro e o trecho Caju-Centro, do Transbrasil. Mas tudo depende da disponibilidade de recursos para novas licitações.

Com isso, estações do Transolímpica continuam vazias. “O Terminal Centro Olímpico, projetado para 2 mil pessoas por dia, recebe atualmente só 220”, completa Suzy. Além de a rede de BRTs não ter sido concluída, com o Transbrasil, a queda da economia tira passageiros do sistema, que recebe hoje 374 mil passageiros por dia, menos do que os 420 mil de um ano atrás.


sábado, 22 de julho de 2017

Prefeitura descarta pemanência de ônibus intermunicipais no Cafubá

22/07/2017 - O Globo

Linhas que operavam sem autorização voltarão para Charitas
   
POR RENAN ALMEIDA 

Linha de Charitas exibe letreiro indicando caminho pelo túnel Charitas-Cafubá - Ana Branco / Agência O Globo

Dias contados. Um dos quiosques da orla de Charitas, construídos em 1989, e que estão sob ameaça de serem removidos da orla Foto: Agência O Globo Quiosqueiros cobram apoio da prefeitura para permanecerem em Charitas 22/07/2017 4:00

NITERÓI - A baldeação voltará a ser a única saída para quem mora no Cafubá e vai de ônibus para o Rio. A prefeitura informa que retirará do bairro o ponto de estacionamento dos ônibus da Viação 1001 — transferidos em maio de Charitas para a Avenida Sete. As linhas estavam embarcando e desembarcando passageiros no bairro sem autorização.

A mudança imposta pela prefeitura alterou apenas o local de estacionamento dos ônibus, mas, como passou a ser obrigada a ir até o Cafubá para estacionar, a Autoviação 1001 solicitou ao Detro, ainda em maio, a extensão do itinerário das linhas para o bairro. O órgão levou o pedido para análise da prefeitura, mas não teve retorno.

Mesmo sem a autorização, os ônibus das linhas 750D (Charitas-Gávea), 760D (Charitas-Galeão) e 775D (Charitas-Gávea, via Lapa) passaram a embarcar e desembarcar passageiros livremente no bairro da Região Oceânica. Nas últimas semanas, os letreiros dos ônibus exibiam a legenda “Túnel Cafubá”.

A prefeitura afirma em nota que “não tem interesse em aumentar a quantidade de ônibus intermunicipais circulando na cidade, uma vez que está fazendo investimentos em pistas exclusivas para o sistema municipal.” Acrescentou que, por esse motivo, “não tem por que colocar linhas concorrentes no mesmo eixo.”

A posição da prefeitura desagradou a moradores da região. Na rua, a possível retirada dos ônibus do Cafubá é criticada por moradores. Carlos Marins, coordenador da Comissão de Moradores da Região Oceânica, diz que a permanência é fundamental.

— Se retirarem, vamos fazer uma manifestação aqui — diz Marins, que fez um abaixo-assinado em defesa do ponto final no bairro.

Larissa Leite mora perto da rótula do Cafubá e também defende os intermunicipais ali.

— Não tem nenhum ônibus para o Rio aqui. Quanto mais opções, melhor — afirmou.

A prefeitura informa que a definição da área de estacionamento dos ônibus intermunicipais ainda não foi concluída mas que, em breve, os ônibus da 1001 deixarão de parar no Cafubá e retornarão para Charitas. O Detro informa que encaminhará uma equipe de fiscalização para averiguar possíveis irregularidades.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Abre-se o caixa 2 das empresas de ônibus do Rio

04/07/2017 - O Globo

A corrupção no Rio se tornou sistêmica. Ao esquema envolvendo governo, empreiteiras, TCE e Assembleia Legislativa, juntam-se agora empresários de ônibus
   
A operação Ponto Final — desdobramento da Lava-Jato no Rio — é, na verdade, ponto de partida para se desvendar a caixa-preta das empresas de ônibus. Embora dominem amplamente o mercado fluminense — transportam cerca de 70% de todos os passageiros — e recebam R$ 28,3 milhões por mês em subsídios do governo do estado, elas nunca primaram pela transparência. Não por acaso, suspeitas de corrupção sempre rondaram o sistema. A chamada “caixinha” da Fetranspor (Federação das Empresas de Transporte do Rio de Janeiro), que abasteceria políticos em troca de vantagens para o setor, sempre foi negada pelos empresários, e quase virou lenda urbana, mas, agora, ganha nomes, endereços e CPFs. O esquema veio a público a partir da prisão do empresário Jacob Barata Filho, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na noite de domingo, quando tentava embarcar para Portugal.

O fio da meada começou a ser puxado com a delação premiada do doleiro Álvaro José Novis, encarregado pelos empresários de fazer os repasses. De acordo com as investigações do Ministério Público Federal (MPF), dos R$ 260 milhões pagos em propina pelas empresas de ônibus, R$ 122,9 milhões foram destinados ao ex-governador Sérgio Cabral, que está preso. Novis relatou que, embora as planilhas façam referência ao período de setembro de 2009 a janeiro de 2016, o esquema teria começado quando Cabral ainda era deputado estadual, antes de assumir como governador, em 2007.

Por determinação do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, foram presos, além de Jacob Barata Filho, o presidente da Fetranspor, Lélis Marcos Teixeira; o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro (Setrerj), Marcelo Traça Gonçalves; e o ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro) Rogério Onofre. O órgão é encarregado de fiscalizar os ônibus intermunicipais.

Pelo que apurou a força-tarefa da Operação Calicute (versão da Lava-Jato no Rio), a propina saía da garagem das empresas em carro-forte e era guardada no cofre da própria transportadora de valores. O dinheiro pagaria favores como reajustes injustificados de tarifa, retenção de créditos do Riocard e relaxamento da fiscalização sobre linhas intermunicipais.

Entende-se agora por que o serviço de ônibus, de modo geral, deixa tanto a desejar, com frota envelhecida, veículos malconservados e horários intermitentes. Pelo jeito, não faltam recursos.

A Operação Ponto Final é mais uma evidência de que, tal qual no plano federal, a corrupção no Rio se tornou sistêmica. Ao esquema envolvendo governo, empreiteiras, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Assembleia Legislativa, juntam-se os empresários de ônibus. Há possibilidade agora de se completar o mapeamento da corrupção fluminense, para se saber o tamanho exato dessa teia.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

Esquema de propina nos transportes do RJ tinha custo mensal de R$ 1,2 milhão, diz MPF

04/07/2017 - RJ TV

Verba era usada para pagar seguranças, funcionários e taxas em geral. Segundo investigação da Operação Ponto Final, em 6 anos, Sérgio Cabral recebeu quase R$ 56 mil por dia.

Esquema milionário de propina nos transportes custava R$ 1,2 milhão por mês

Um milhão e duzentos mil reais por mês. Esse era o custo mensal do esquema milionário de pagamento de propina instalado no setor de transportes do Rio. Na segunda-feira (3), toda a cúpula foi presa numa operação conjunta do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Empresários são acusados de desviar até R$ 500 milhões sob o comando do ex-governador Sérgio Cabral.

A Operação Lava Jato interrompeu um esquema de corrupção antigo: foram 26 anos de propinas. É o que conta o colaborador Edimar Moreira Dantas no inquérito da Operação Ponto Final, deflagrada na segunda pelo MPF no Rio

Edimar Dantas era funcionário da empresa Hoya, a corretora de valores e câmbio do doleiro e delator Álvaro José Novis. Era ela quem controlava as planilhas e os pagamentos do caixa dois da Fetranspor. Dantas revelou que a federação, a mando de Lavouras, passou a utilizar os serviços dele para guardar dinheiro e fazer pagamentos de vantagens indevidas a políticos.

Dantas contou que, entre 1990 e 2016, as ordens para os pagamentos eram dadas unicamente por José Carlos Lavouras, presidente do conselho da Fetranspor, sempre em bilhetes.

Os procuradores descobriram que Lavouras foi um dos que mais receberam propina entre 2010 e 2016: R$ 40 milhões, em três contas.

O conselheiro da Fetranspor é o único que ainda não foi preso na operação Ponto Final entre os que tiveram prisão decretada. Ele está em Portugal, e os advogados disseram que ele volta ao Rio no próximo sábado.

Edimar Dantas também entregou aos procuradores uma tabela com a relação das empresas de ônibus que participavam do esquema ilegal. Só em janeiro do ano passado, elas arrecadaram cerca de R$ 6,5 milhões. Quase R$ 1,2 milhão foram descontados para pagar o que os investigadores chamam de "despesas operacionais".

O RJTV apurou que essa era a verba mensal, necessária para manter a quadrilha funcionando, pagando seguranças, funcionários e taxas em geral. Os R$ 5,2 milhões que sobraram foram repassados para uma conta da quadrilha.

Os procuradores dizem ainda que o maior empresário de ônibus do Rio, Jacob Barata Filho, também usava suas empresas para abastecer o caixa dois da Fetranspor. Entre fevereiro de 2013 e maio de 2014, ele depositou mais de R$ 17 milhões nas contas da organização criminosa.

O dinheiro era misturado com as contribuições das outras empresas do setor. Mais tarde, parte desses recursos era redistribuída para os integrantes da quadrilha. Os investigadores dizem que Barata recebeu, de volta, pelo menos R$ 27 milhões. Dinheiro usado para irrigar as relações entre os donos do transporte coletivo do Rio com o poder concedente do transporte público.

O maior beneficiário do esquema foi o ex-governador Sérgio Cabral. Em seis anos, ele recebeu quase R$ 123 milhões dos empresários: cerca de R$ 56 mil por dia. O número equivale a 14 mil passagens de ônibus intermunicipal, a R$ 4. Ou 350 ônibus lotados rodando na cidade do Rio.

Os procuradores concluíram que Lavouras, Lélis Teixeira, o atual presidente da Fetranspor, e Jacob Barata Filho “controlam o setor de transportes do Rio, exercendo influência para além dos trâmites legais e legítimos, em negócios ilícitos, em prejuízo da população do Rio, maior usuária dos serviços de transportes de suas empresas”.