quarta-feira, 23 de julho de 2014

BRT Transcarioca começa a funcionar integrado com trens a partir deste sábado

23/07/2014 - O Globo

RIO — A partir do próximo sábado, o BRT Transcarioca passará a funcionar integrado com os trens da SuperVia, com a abertura de seis novas estações. Inicialmente, o trecho Alvorada-Madureira funcionará das 10h às 15h, fora do horário do rush. Mas o serviço será estendido progressivamente, até operar 24 horas por dia. O secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, estimou, nesta terça-feira, que, com a implantação do novo trecho, o usuário que fizer a integração com os trens da SuperVia poderá percorrer o trajeto entre a Barra e o Centro em menos de uma hora (sem contar o tempo de espera e o deslocamento entre as plataformas). Isso porque o tempo de viagem do Transcarioca no serviço expresso Alvorada-Madureira é estimado em 35 minutos, enquanto o deslocamento de trem entre Madureira e a Central, também no serviço expresso, é de 20 minutos.

— O tempo total de viagem é de 55 minutos. Hoje, para fazer o mesmo percurso entre a Barra e o Centro, de carro, geralmente o motorista gasta muito mais tempo — afirmou Sansão.

As estações que vão abrir serão Ipase, Praça Seca, Capitão Menezes, Pinto Teles, Campinho e Paulo da Portela. Quando a ligação Alvorada-Madureira estiver funcionando 24 horas por dia, serão extintos os serviços de ônibus locais e expresso entre Barra e Tanque, absorvidos pelo novo trecho. As mudanças não vão alterar a rotina do serviço semiexpresso Barra-Galeão (que tem integração com o metrô em Vicente de Carvalho).

O secretário acrescentou que, num primeiro momento, não serão eliminadas linhas convencionais que fazem percursos idênticos entre Barra e Madureira, para que os usuários se acostumem com as mudanças. A expectativa é que o serviço funcione 24 horas em 20 dias.

PREVISÃO DE 200 MIL USUÁRIOS POR DIA

Nesta primeira fase, os ônibus circularão a intervalos de cinco minutos, alterando os dois serviços e atendendo 29 estações. No novo serviço expresso, os coletivos vão parar apenas em sete estações. O BRT Transcarioca tem sido usado por 60 mil usuários por dia. Quando os novos serviços estiveram funcionando 24 horas, a previsão é chegar a 200 mil por dia. Ainda não há previsão para a abertura de 18 estações, todas na Zona Norte.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Mudanças em função do BRT confundem moradores do Méier

Linha 691 teve itinerário alterado e não vai mais até o Terminal Alvorada

17/07/2014 - O Globo


A linha 691 agora tem seu ponto final na Cidade de Deus - Bia Guedes / Agência O Globo
RIO - O carioca ainda se adapta às mudanças ocorridas com a implantação do BRT. Como se trata de um período de transição, muitas dúvidas surgem. No Méier, moradores que trabalham na Barra da Tijuca não sabem como vão fazer a partir da implantação definitiva do sistema viário. A jornalista Fernanda Prestes é um exemplo.

— Uso todos os dias a linha 691 (Méier-Alvorada). Esse ônibus sempre fez um trajeto por Jacarepaguá antes de seguir para o terminal Alvorada, e a linha 693, expressa, faz o caminho mais rápido, direto pela Linha Amarela, apenas em horários específicos, de 6h às 9h e de 16h às 20h. No entanto, com a inauguração do BRT, várias linhas estão mudando e, pelo que foi divulgado pela Rio Ônibus, a 691 passaria a ser Méier-Cidade de Deus Circular, ou seja, não iria mais até a Alvorada. E quem quisesse seguir até o terminal deveria pegar o BRT na Taquara. Mas ninguém sabe me informar o que vai acontecer. Se houver a alteração, ou a extinção da linha, vai nos causar um grande transtorno, pois teremos que pegar três conduções diferentes — diz.

De acordo com a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), a linha não será extinta, mas sofreu alterações. Em nota, a SMTR informa que a implantação do BRT "pressupõe corte e mudança de itinerários das linhas de ônibus convencionais, nas vias em que há superposição destas linhas com o BRT. Esta integração se justifica para o usuário pois o tempo total da viagem é menor, já que o tempo perdido no transbordo é compensado pelo tempo ganho no BRT sem trânsito e menos paradas".

Ainda de acordo com a secretaria, o itinerário da linha 691 já foi alterado. O ônibus não segue mais até o terminal, na Barra, mas continua passando pela Taquara e Linha Amarela, fazendo ponto final na Cidade de Deus. Passageiros com destino à Barra podem descer no terminal da Taquara e pegar o BRT Transcarioca. A SMTR informa também que foi criada a linha alimentadora 991A (Taquara-Alvorada, via Cidade de Deus) e mantida a 693 (Méier-Alvorada, via Dias da Cruz/Linha Amarela).

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Para implantar Transolímpico, Rio terá uma das maiores remoções de favelas desde 2009

16/07/2014 - O Globo

RIO - A construção do BRT Transolímpico, que ligará Deodoro à Barra e ao Recreio para os Jogos de 2016, levará a uma das maiores remoções em favelas do Rio desde 2009. A partir de setembro, 876 das cerca de 1.500 famílias da Vila União de Curicica (58% do total), em Jacarepaguá, começam a deixar as suas casas. As desocupações de imóveis nessa favela superam as 794 feitas em comunidades, para implantar os BRTs Transcarioca (150) e Transoeste (644).

As negociações com os moradores ainda não terminaram, mas a tendência é que a maioria seja reassentada num condomínio do programa Minha Casa Minha Vida, que a prefeitura constrói a dois quilômetros dali, num terreno da Colônia Juliano Moreira. Como opções às casas, a Secretaria municipal de Habitação está oferecendo indenizações com base na área construída. Ou ainda a chamada compra assistida: a prefeitura arca com o custo de aquisição de um novo imóvel, com valor semelhante ao que será demolido.

O subprefeito da Barra, Alex Costa, explicou que as remoções serão por etapas. Em setembro, saem as primeiras 337 famílias, que vivem na beira do rio Pavuninha, que será canalizado para eliminar um ponto de Curicica onde as enchentes eram frequentes. A obra também faz parte do pacote de intervenções do Transolímpico. Segundo ele, essas famílias estavam numa área considerada não edificante, devido ao risco de enchentes. As demais famílias terão que sair até março de 2015, para permitir a construção de um dos viadutos da nova via.

O Minha Casa, Minha Vida da Juliano Moreira está em fase final de construção. Ele terá 1.400 apartamentos, em prédios de cinco andares. Além do pessoal da Vila União, o conjunto receberá moradores que vivem em outras áreas de risco de Jacarepaguá.

A favela de Curicica surgiu de uma invasão, em 1986. Quando Marcello Alencar foi prefeito (1989-2002), algumas obras de reurbanização chegaram a ser feitas no local, pelo projeto Mutirão. Em 2010, a prefeitura fez reuniões com os moradores, com o objetivo de urbanizar toda a favela, através do Morar Carioca. Mas o processo foi interrompido, quando o projeto executivo do Transolímpico definiu que havia necessidade de demolir casas da comunidade. As remoções na Vila União só perderão, em número de reassentamentos num mesmo local, para as 1.016 famílias da Vila das Torres, que foi totalmente removida para a construção do Parque Madureira. Naquele caso, boa parte dos moradores foi levada para o Bairro Carioca, em Triagem.

Segundo Costa, as negociações começaram em abril de 2013, com o cadastramento das famílias da favela de Curicica:

— O reassentamento será gradual. Temos realizado várias reuniões com moradores. As famílias têm visitado as obras, e até montamos um estande decorado, para que tenham uma ideia de como ficarão os apartamentos Além dos imóveis, as famílias ganharão um kit-casa, com geladeira, fogão, colchão, beliche e sofá. As negociações prosseguem. Mas, pelo menos em relação às 337 famílias que terão que se mudar em setembro, todas optaram por apartamentos em lugar de indenizações.

A associação de moradores da favela participa das negociações, tirando dúvidas sobre a identificação dos posseiros. Isso porque, na subprefeitura, foram identificados casos de inquilinos que tentaram se passar por donos de imóveis. Na comunidade, os moradores ainda se dividem entre aqueles que querem os apartamentos e os que preferem indenizações. No primeiro caso, estão principalmente famílias que dividem um mesmo lote ou cômodos com parentes ou amigos. É o caso da comerciante Francineide Silva, de 47 anos. No acordo com a prefeitura, a família (inclui duas filhas casadas, entre outros agregados) vai ganhar seis apartamentos.

— Todo mundo ficou satisfeito. Somos vários parentes vivendo em casas distintas no mesmo terreno. Minha única preocupação, agora, é obter uma indenização justa, porque o sacolão que tenho será demolido também.

Na comunidade, há casos de famílias que vivem em casas que chegam a ter mais de cem metros quadrados. Elas querem discutir exaustivamente com a prefeitura o valor da indenização ou o subsídio para a compra assistida. Comerciantes estabelecidos no local também aguardam a prefeitura para negociar ressarcimentos.

— Tenho quatro funcionários com carteira assinada, e meu comércio é legalizado. Claro que me preocupo com a indenização. Quero um valor suficiente para montar um novo negócio perto daqui, pois já formei clientela — disse Carlos Hipólito, de 42 anos, proprietário de um depósito de gás.

Entre os que não querem ir para a Juliano Moreira está uma das fundadoras da comunidade. A aposentada Regina Sônia Gomes Batista, de 62 anos, prefere a compra assistida. Ela ainda vai negociar com a prefeitura, mas afirma que um imóvel do mesmo padrão ao que mora não custa menos do que R$ 160 mil em Curicica:

— Na minha casa, vivem meu marido e três filhos. Minha casa tem dois quartos, sala, cozinha e duas varandas. É um imóvel valorizado.

Em Vila União, também se registra um fenômeno observado na Vila Autódromo — que, desde abril, está sendo parcialmente removida —, nas vizinhanças do Parque Olímpico da Barra. Algumas famílias, cujas casas não estão o traçado do BRT, também querem se mudar. A prefeitura ainda não respondeu se concorda com a reivindicação, como fez na Vila Autódromo. Entre os que querem se mudar está Vânia de Jesus Júlio, presidente associação de moradores:

— Parte da comunidade vai embora. Se for possível, eu também gostaria de me mudar para ter um imóvel legalizado. Mas também acho que a prefeitura deveria assegurar melhorias para quem ficar

terça-feira, 15 de julho de 2014

Prefeitura proíbe Vans no BRT Transoeste

15/07/2014 - O Dia - RJ

Rio - A partir desta terça-feira, vans e Kombis estão proibidas na Avenida Cesário de Melo, entre a Rua Messias, próximo ao viaduto de Paciência, e a Estrada do Monteiro, em Campo Grande. A determinação foi publicada no Diário Oficial da prefeitura, na segunda-feira, e tem como um dos objetivos impedir a competição do transporte alternativo com o BRT Transoeste. A restrição deve tirar de circulação desse trecho cerca de 700 veículos, que transportam por dia, em média, 30 mil passageiros, segundo cooperativas.

A gente quer impedir a concorrência entre modais. A quantidade de vans naquele local tem trazido até impactos no trânsito, argumentou o coordenador de Transporte Completar da cidade, delegado Claudio Ferraz.

Até a próxima sexta-feira, fiscais da prefeitura vão apenas orientar os motoristas e distribuir cópias da resolução para os funcionários das cooperativas, com intuito de informar sobre as punições. A partir de segunda-feira, quem insistir em circular na Cesário de Melo, no trecho proibido, terá que pagar multa no valor de R$ 1.324,60, e o veículo será apreendido.

Se o motorista for multado numa segunda vez, terá a licença cassada. A coordenadoria informou que já enviou ofícios aos batalhões e às delegacias da área para que auxiliem, na questão de segurança, as operações de fiscalização. A notícia pegou passageiros e cooperativas de surpresa. A maior reclamação de quem precisa usar o sistema Transoeste é que os ônibus passam lotados e em intervalos muito longos.

Tenho Bilhete Único, mas pago a passagem na van com dinheiro, porque gasto somente na estação Cesarão II, onde faço integração, cerca de 1h20 para pegar o ônibus até minha casa, em Sepetiba. É muito cansativo. Esse tempo que fico lá é o suficiente para eu chegar de transporte alternativo em casa. Se a prefeitura aumentar a frota de ônibus, acho que consegue diminuir o problema, disse o vigilante Sebastião Braz, de 46 anos.

Usuário pede reforço no BRT

Enquanto a equipe do DIA ficou em frente à Estação Prefeito Alim Pedro, em Campo Grande, passaram 30 vans e três veículos do BRT. Não só os ônibus estavam cheios, como também os veículos de transporte alternativo. A constação revela um problema sério da região: por mais que se tenha investido em mobilidade a demanda ainda é muito grande. A Coordenadoria de Transporte Complementar explicou que deve ter reforço de linhas no trecho da Cesário de Melo, com as mudanças previstas. A estratégia foi a mesma usada na Zona Sul, quando as vans foram proibidas.

Portadora de uma doença degenerativa e moradora de Campo Grande, a aposentada Suely Coelho Viana, 57, está com receio. O problema não é tirar a van. É colocar um transporte eficiente. Desisti do BRT porque só andava em pé. Vamos ver como vou me virar agora.

Alteração para instaurar o STPL

As alterações na Cesário de Melo, para a prefeitura, são um importante passo para que se dê o processo de reordenamento e prepare a região para a entrada do Sistema de Transporte Público Local (STPL), que tem regras mais rígidas, como a exigência de validadores que permitem a utilização do Bilhete Único Carioca.

Mas, apesar do processo de licitação para novos serviços de transporte alternativo já ter sido concluído pelo município, ainda não há previsão de quando o sistema será colocado nas ruas de bairros como Bangu, Padre Miguel, Senador Camará, Campo Grande, Campos dos Afonsos, Paciência, Inhoaíba, Deodoro e Santíssimo. A previsão inicial é que o novo modelo seja primeiro instaurado na Zona Norte, antes de chegar a essa região.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Obras do Transoeste mudam o trânsito na Barra

10/07/2014 - O Globo

Desde esta quarta-feira, a prefeitura interdita diariamente uma das faixas de trânsito da Avenida das Américas entre as imediações do Barra Shopping e o Jardim Oceânico das 10 às 16h, no sentido Zona Sul, durante pelo menos dois meses. As interdições fazem parte das obras de implantação do lote zero do BRT Transoeste que está sendo expandido do Terminal Alvorada até a futura estação do Metrô, no Jardim Oceânico. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) vai monitorar as obras, podendo rever os horários de bloquio se houver grandes transtornos ao trânsito

O coordenador de trânsito da CET-Rio para Barra e Jacarepaguá, João Machado, porém, acredita que as mudanças não irão alterar a rotina da via, já que ocorrerão no horário do rush. A obra, que atinge um trecho de dois quilômetros de um dos trechos mais movimentados da Avenida das Américas, é dividida por fases. Na primeira, duas novas faixas (uma por sentido) serão construídas com a eliminação de parte do canteiro lateral, para ser usadas pelos carros de passeio. Quando essas novas pistas ficarem prontas, as faixas centrais serão interditadas e preparadas para se transformar em corredor exclusivo de BRTs.

— As novas pistas vão compensar a perda das faixas centrais. As obras serão feitas por trechos. As interrupções podem ser na faixa central ou em uma das faixas laterais, conforme o andamento das obras. Mas a interdição não será total. E Não acredito em transtornos no trànsito, porque a estrategia foi semelhante a adotada na Avenida Ayrton Senna para implantar o Transcarioca que também exigiu a implantação de faixas adicionais de trânsito — disse João.

Segundo Machado, no futuro, outras mudanças poderão ser necessárias para a conclusão do projeto. Mas, por enquanto, os cronogramas não foram fechados. A previsão de inauguração do lote zero da Transoeste é o primeiro semestre de 2016, juntamente com as obras da Linha 4 do Metrô.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Moradores da Zona Oeste do Rio acumulam gastos elevados para ir ao trabalho

08/07/2014 - O Dia - RJ

Rio - Moradores de diferentes bairros da Zona Oeste, Julio e Valeska partilham o mesmo problema: ambos acumulam gastos elevados para seguir viagem até o Centro. A dupla representa uma parcela de cariocas que acham que o Bilhete Único não é suficiente para os percursos do dia a dia — o cartão proporciona a integração de dois ônibus municipais urbanos no período de 2h30, pagando apenas uma passagem. Por falta de coletivos que cobrem a tarifa convencional até o Centro ou de veículos alimentadores que os deixem perto do BRT, eles gastam até R$ 27 por dia.

Levantamento do DIA aponta que apenas a linha 388 faz o itinerário Santa Cruz — Centro a R$ 3,00, e, mesmo assim, passageiros reclamam que os veículos não são vistos com frequência. Já o número de linhas especiais, com tarifas que chegam a R$ 13,50, é cinco vezes superior.

E é num desses ônibus que Julio Lavrador, de 39 anos, embarca diariamente. "Até pensei em ir de carro até a estação BRT em Ilha de Guaratiba, entrar no ônibus e fazer a baldeação na Alvorada. Mas, de manhã, as filas são imensas, e os ônibus chegam lotados à estação", disse o morador de Guaratiba. "Não tem como eu sair de terno e gravata, num dia de reunião, e optar pelo BRT", completou. Responsável pelo planejamento da malha rodoviária da cidade, a Secretaria Municipal de Transportes não informou sobre o critério de proporção utilizado para estabelecer o número de linhas convencionais e especiais que fazem trajetos semelhantes, mas informou que o BRT Transoeste opera com 144 veículos e que o tempo da viagem entre Santa Cruz e Barra caiu 60% com a implementação do corredor.

"Não faz sentido pegar uma veículo alimentador, entrar num ônibus articulado, saltar na Alvorada e, de lá, pegar ainda outra condução para encarar o trânsito da Barra até o Centro. É bem mais prático seguir pela Brasil", opina a estudante Valeska Campos, 33, moradora de Santa Cruz.

SMTR: Rio passa por transição

Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes informou que o Rio passa por um reordenamento e racionalização das linhas por conta da implantação dos BRTs Transoeste e Transcarioca.

"Foram substituídas linhas que faziam trajetos semelhantes ao percurso do corredor Transoeste, que inclui os bairros de Santa Cruz e Campo Grande, e o eixo da Avenida das Américas, nas regiões de Pedra de Guaratiba e Ilha de Guaratiba". O Transoeste transporta hoje cerca de 160 mil passageiros, com 80% da demanda viajando nos horários de pico.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Com um mês de funcionamento, BRT Transcarioca já transporta 60 mil pessoas ao dia

07/07/2014 - Extra - RJ

O BRT Transcarioca deve atingir, nesta semana, a marca de 60 mil passageiros transportados por dia, segundo previsão da Prefeitura do Rio. O total diário de usuários — inicialmente 23 mil — praticamente triplicou em pouco mais de um mês de operação, completado na última quarta-feira. Com a implantação da segunda etapa do sistema, quando serão abertas estações entre o Tanque e Madureira — ainda sem data estabelecida —, a previsão é que 200 mil pessoas utilizem esse corredor expresso. Quando todo o trecho de 39 quilômetros de extensão, 47 estações e cinco terminais estiverem funcionando, a expectativa é chegar a transportar 320 mil passageiros por dia.

Usuário do serviço desde a inauguração, o eletricista Vinícius Nascimento Vieira, de 31 anos, aponta a rapidez e o conforto como principais vantagens. Antes, ele pegava quatro conduções — trem, metrô e dois ônibus — para se deslocar de casa, em Vigário Geral, para o trabalho, na Barra da Tijuca. Agora, bastam dois coletivos: um até o terminal de Vicente de Carvalho e o do BRT.

— Com as baldeações e engarrafamentos, perdia até duas horas e meia no trânsito. Hoje, faço a viagem em pouco menos da metade do tempo — garantiu.

O microempresário Manuel de Jesus Ramos, de 34 anos, que mora na Pavuna e trabalha na Barra, também aderiu ao BRT para ganhar agilidade nos deslocamentos, antes feitos em duas horas. A viagem caiu para 40 minutos. Mas, enquanto uns comemoram o tempo economizado, outros ainda sonham com a abertura das estações perto de suas casas. Das 47 existentes, menos da metade entrou em operação.

— Trabalho na Barra e sou obrigada a pegar van ou ônibus até Vicente de Carvalho, se quiser economizar tempo de viagem — lamentou a auxiliar de serviços gerais Ariana Duarte Cabral, de 30 anos, ao lado da estação da Penha, onde mora.

Na segunda etapa, Madureira

Atualmente estão em funcionamento apenas os serviços Alvorada-Tanque (parador e expresso) e Alvorada-Galeão (semi-direto), com parada em Vicente de Carvalho para integração com o metrô. Quando a segunda etapa for implantada, serão estendidos até Madureira os serviços que hoje retornam do Tanque. Também será criado o trajeto Santa Efigênia-Madureira expresso. Mais adiante, com a implantação de todo o corredor, serão abertas as estações entre Madureira e Fundão.

Entre os ajustes realizados desde a entrada em operação do sistema, a prefeitura destaca a criação de um serviço parcial Alvorada-Vicente de Carvalho, que funciona nos horários de pico, com intervalos de dez e 15 minutos. A medida foi adotada para atender os passageiros que utilizavam a linha 614 no Terminal Alvorada para fazer a integração com o metrô em Vicente de Carvalho e migraram para o BRT. No mesmo período, entraram em operação cinco linhas alimentadoras, oito tiveram o itinerário alterado e outras duas foram extintas, todas em Jacarepaguá, resultando na retirada de 60 ônibus convencionais das ruas.

O principal desafio dos agentes de trânsito, neste início de operação do Transcarioca, tem sido a desodebiência às regras de trânsito por pedestres e motoristas que circulam ao longo do corredor expresso. No primeiro mês de operação e na semana anterior à inauguração do corredor, foram aplicadas 3.215 multas pela Guarda Municipal, o que dá cerca de 90 por dia. Segundo o órgão, esse número pode aumentar, porque algumas infrações ainda estão sendo cadastradas no sistema. A maioria das multas aplicadas foi por conversões e estacionamento irregulares e veículos flagrados transitando pela canaleta do BRT.

A desobediência às normas do trânsito e circulação foi a principal causa dos cinco acidentes registrados no primeiro mês de operação do BRT, que resultaram em duas mortes e cinco feridos. O último foi no dia 30, e a vítima, Maria Ferreira, de 63 anos, morreu após ser atingida por um dos ônibus do corredor expresso na altura da estação Aracy Cabral, na Taquara, na pista sentido Tanque. Segundo bombeiros e o consórcio que administra o serviço, a vítima atravessou a pista fora da faixa de pedestres. O outro acidente fatal foi no mesmo trecho, no dia 21, quando uma moto avançou o sinal e invadiu a via expressa colidindo com um ônibus articulado.

Para tentar conter as infrações, o corredor recebe fiscalização constante dos guardas municipais, desde a inauguração, com emprego diário de cerca de 240 agentes atuando em pontos estratégicos. A fiscalização também atua no sentido de orientar e conscientizar condutores e pedestres sobre a importância de respeitar as leis de trânsito e as regras de circulação para evitar acidentes.

Do total de multas aplicadas pela Guarda Municipal, 420 foram na semana que antecedeu a inauguração do BRT. A maioria por estacionamento irregular.