terça-feira, 8 de abril de 2014

Obra mais cara da Copa custa 37% mais que o previsto e atinge R$ 2,2 bi

08/04/2014 - UOL / Universo Jurídico

A obra mais cara da Copa do Mundo de 2014 encareceu ainda mais. Orçada em R$ 1,610 bilhão em 2010, a construção da TransCarioca –corredor de ônibus que ligará o Aeroporto do Galeão, no Rio, à Barra da Tijuca-- já custa hoje cerca de R$ 2,206 bilhões. Alta acumulada de 37%.

O novo orçamento foi divulgado na semana passada pela SMO (Secretaria Municipal de Obras do Rio de Janeiro). A estimativa leva em conta as correções monetárias aplicadas aos contratos da obra, aditivos assinados entre prefeitura e empreiteiras, e o custo das desapropriações de imóveis necessárias para a implantação do corredor de ônibus expresso.

A SMO informa que espera que a TransCarioca esteja concluída em junho, ou seja, no mês do início do Mundial. Uma greve de trabalhadores, entretanto, pode adiar novamente a entrega da obra do corredor, já remarcada algumas vezes.

Ressalta-se que, em 2010, o prefeito Eduardo Paes havia assinado um documento em que ele previa construir o mesmo corredor de ônibus até maio de 2013. Para pagar a obra e as desapropriações necessárias, foi estimado um custo R$ 600 milhões menor. Segundo a SMO, mudanças no plano original da construção e correções monetárias causaram o reajuste no preço da TransCarioca. Veja abaixo:

CONFIRA O ORÇAMENTO ATUAL DA TRANSCARIOCA:

Contrato original: R$ 1,341 bilhão
Correção monetária: R$ 260 milhões (aproximadamente)
Construção de estações: R$ 183 milhões
Aditivos ao contrato: R$ 151 milhões
Desapropriações: R$ 271 milhões (1.534 imóveis)
TOTAL: R$ 2,206 bilhões (R$ 596 milhões a mais que o previsto)
CONFIRA ABAIXO O ORÇAMENTO ORIGINAL DA OBRA:



 

Cronograma apertado

A entrega da Transcarioca em 2013 obviamente não ocorreu. A construção já começou um ano atrasada e hoje corre sério risco de não ficar pronta para a Copa.

Na segunda-feira, operários que trabalham na TransCarioca aderiram a uma paralisação geral dos trabalhadores da construção pesada do Rio de Janeiro em busca de melhores salários. Empregados e patrões do setor não chegaram a uma acordo sobre o índice de reajuste dos pagamentos da categoria –trabalhadores querem 10% e empresários aceitam dar só 9%-- e a obra parou.

Segundo o presidente do Sitraicp (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro), Nilson Duarte Costa, não há previsão de volta ao trabalho. Em entrevista ao UOL Esporte, ele disse que os operários estão mobilizados e insatisfeitos porque, entre outras coisas, não recebem parte dos ganhos obtidos por empresas em renegociações de contrato.

"O custo das obras sempre aumenta, mas o salário do trabalhador não acompanha", afirmou Duarte. "As empresas não repartem os seus ganhos com os operários."

Rodolpho Tourinho, presidente executivo Sinicon (Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada), entidade que representa as empresas do setor, rebate. Ele diz que o reajuste salarial de 9% proposto por empresas representa um ótimo ganho aos trabalhadores. Segundo eles, as empresas não podem pagar mais. "Estamos no limite", afirmou Tourinho.

Tourinho disse ainda que o Sinicon buscará a Justiça para que seja definido qual o índice de reajuste mais justo para o salário dos trabalhadores. Ele afirmou que não há prazo para uma decisão sobre assunto. Por isso, as grandes obras em execução no Rio, entre elas a Transcarioca, correm sim risco de atraso.

"O cumprimento do cronograma depende da duração da greve. Obviamente, a paralisação tem um impacto", afirmou Tourinho, que evitou falar especificamente do trabalho da obra mais cara da Copa do Mundo.

Prefeitura responde

O UOL Esporte procurou a SMO para obter informações sobre o impacto da greve no andamento das obras. O órgão não se pronunciou. Informou que o assunto deve ser discutido somente entre empresas e empregados.

Sobre o aumento no custo da obra da TransCarioca, a SMO declarou que o alta deveu-se a três motivos: 1) inflação acumulada desde o início da obra; 2) aditivo ao contrato para construção das estações do corredor de ônibus; e 3) mudanças no projeto causadas pela "complexidade da TransCarioca". Vale ressaltar que o gasto com as desapropriações até agora é menor do que o estimado em 2010.

O UOL Esporte também procurou o consórcio responsável pela execução das obras do segundo trecho da TransCarioca, o mais atrasado. O grupo é formado pelas construtoras OAS, Carioca e Contern. Ninguém não respondeu à reportagem.

A Transcarioca vai integrar um sistema de BRTs (Bus Rapid Transit) que está sendo implantado no Rio de Janeiro até a Olimpíada. Além dela, em 2016, estarão funcionando na capital fluminense a Transoeste e a Transolímpica.

A Transoeste, aliás, já teve trechos inaugurados no ano passado e já está funcionando. Desde que o corredor foi aberto, porém, a obra apresentou alguns problemas, como buracos na pista.

Universo Jurídico - Juíz de Fora/MG

Transcarioca: TCU acompanha concessão de crédito do BNDES ao município do Rio

Acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU) analisou o acordo celebrado entre o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o município do Rio de Janeiro, para o projeto Bus Rapid Transit (BRT) Transcarioca. O empreendimento incluído na matriz de responsabilidades da Copa do Mundo 2014 ligará o bairro da Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão).

O relatório identificou que o BNDES não cumpriu as orientações de normativos da própria instituição. Entre eles, o que delimita a porcentagem do financiamento de transporte urbano em 80% do valor total efetivamente contratado. O banco também incluiu no valor repassado ao município itens não passíveis de financiamento.

O projeto de transporte urbano foi dividido em dois estágios: a etapa I, que ligará a Barra da Tijuca à Penha, com R$ 997 milhões pagos pelo banco; e a etapa II, interligando a Penha à Ilha do Governador, com R$ 416,7 milhões já liquidados. O prazo contratual da primeira etapa acaba em maio, às vésperas da Copa, e o da segunda, em setembro, posteriormente ao mundial.

O Tribunal determinou que o BNDES informe o motivo pela qual a porcentagem do financiamento não foi ajustada e a respeito da inclusão de serviços não diretamente relacionados com a obra. O TCU solicitou, ainda, ao Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM-RJ), informações sobre eventuais providências tomadas pelo município para solucionar impropriedades identificadas.

O relator do processo é o ministro Valmir Campelo.

Serviço:

Leia a íntegra da decisão: Acórdão 431/2014 - Plenário

Processo: 032.733/2013-5

Sessão: 26/02/2014

Secom – GC/RT

Tel: (61) 3316-5060

E-mail: imprensa@tcu.gov.br

Fonte: Tribunal de Contas da União

Passageiros do BRT Transoeste sofrem com superlotação e viajam até em cima de motor

08/04/2014 - Extra - RJ

"Olha como isso vai", reclamava o pintor de paredes Wanderlubi da Silva Félix, de 50 anos, que viajava espremido e em pé nos fundos do ônibus do BRT Transoeste que partia lotado da estação Pingo D'Água, em Guaratiba, na Zona Oeste, por volta das 7h desta segunda-feira. Os veículos já chegavam cheios e partiam lotados com passageiros em pé, espremidos como Wanderlubi, ou sentado em degraus. Duas estações depois, no Mato Alto, só com muito esforço e alguns empurrões outros usuários conseguem entrar. Para uns, o sofrimento começa do lado de fora da estação, na fila para a recarga do cartão do Bilhete Único Carioca, numa espera que pode chegar a 40 minutos.

— Se a pessoa não quiser chegar atrasada no trabalho tem que chegar aqui às 5h30m — se queixava o ajudante de pedreiro, Fábio da Silva, de 29 anos, por volta de 6h30m.

Ônibus articulados, vindos de Santa Cruz, já passavam superlotados nas estações intermediárias. Mal conseguiam fechar as portas. Na estação, as filas se multiplicavam. Duas para cada coletivo esperado: a dos que viajarão sentados e a dos que vão em pé, esta geralmente no dobro do tamanho da primeira. É a rotina de quem utiliza o BRT Transoeste, nos horários de pico, como o pintor de paredes.

— Já desisti de ir sentado. Para isso deveria chegar muito cedo — diz o morador de Pedra de Guaratiba, que vai de BRT até a estação Salvador Allende, no Recreio, e de lá pega o 758 (Recreio-Cascadura) até Madureira, onde fica seu trabalho.

Cada um se acomoda como pode. Luciene Conceição Ferreira, de 31 anos, por exemplo, encontrou um lugarzinho em cima do motor traseiro, de onde seguiria numa viagem, que segundo ela, poderia durar até uma hora e 40 minutos de Pedra de Guaratiba à Barra da Tijuca.

— Se não for assim vou ficar esmagada no meio desse povo todo. O problema maior é quando está fazendo muito calor, já que o motor esquenta e o ar-condicionado não dá vazão.

O leitor Leandro Soares, morador de Santa Cruz, reclamou pelo WhatsApp do EXTRA.

— Não aguentamos mais essa falta de respeito.

Saindo de Santa Cruz, Eliene Batista da Silva, de 32 anos, teve de descer no Mato Alto, porque o ônibus quebrou. Ela temia perder a entrevista de emprego.

— O motorista disse que teríamos de descer, porque estava soltando fumaça.

Na segunda-feira, uma mulher foi atropelada pelo BRT na altura do Recreio.

Consórcio BRT diz que aumentou a frota

O Consórcio BRT informou, através de nota, que "devido ao aumento de demanda, a frota foi redimensionada no fim do ano passado com a entrega de 15 novos carros articulados. E, durante o mês de março, outros novos 15 carros entraram em circulação. A frota total operante do BRT Transoeste é de 119 veículos articulados e 25 do tipo padron (não articulados)."

Sobre as filas, esclareceu que "elas são organizadas de forma a ordenar o acesso dos passageiros ao interior dos veículos em condições de segurança e igualdade, evitando assim os abusos que deixavam mulheres, idosos e crianças sem assentos. Com relação à recarga, informou que além das bilheterias, as estações dispõem de máquinas de recarga que aceitam dinheiro e cartão de débito.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Petrópolis já conta com transporte 100% integrado

06/04/2014 - Diário de Petrópolis

A partir desta segunda-feira (7/4) os petropolitanos poderão se deslocar, por meio do transporte público, do primeiro ao quinto distrito, pagando apenas uma passagem: começa a vigorar a integração de 100% das linhas, uma antiga reivindicação dos moradores garantida por decisão do Conselho Municipal de Transportes (Comutran). Em votação histórica, os membros do conselho condicionaram o reajuste da tarifa para R$ 2,80 à integração total do sistema. O reajuste também passa a vigorar a partir desta segunda-feira . Petrópolis é a única cidade do estado, depois da capital, a implantar um sistema 100% integrado.

 "O processo de integração do transporte público em Petrópolis foi iniciado 1992. Só agora, depois de 22 anos, que esse sistema está sendo consolidado com a participação popular. Parabenizo o conselho, que teve maturidade para tomar essa importante decisão. Este é um momento único, histórico e que representa uma vitória do povo e para o processo democrático", disse o prefeito Rubens Bomtempo.

 O reajuste ficou menor do que o INPC - mesmo índice já aprovado pela Câmara de Vereadores em outras situações, como o de revisão dos valores do IPTU. Para que a integração estivesse garantida para esta segunda-feira (7/4) foram necessárias adequações no sistema de bilhetagem eletrônica. "Testamos várias combinações e não foi detectado qualquer problema para o pleno funcionamento do sistema", afirmou o presidente da CPTrans, Gilmar Oliveira.

 Gilmar informou ainda que 85 linhas foram incluídas no sistema e ressaltou que a integração é feita com o uso do Cartão Riocard (vale transporte, cartão expresso e escolar), que pode ser adquirido na sede do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro).

Ao todo, seis empresas de transporte coletivo atuam no município com uma frota de 356 veículos, distribuídos em 222 linhas de ônibus que atendem a cidade. O percurso mais longo é feito pela linha 602 – Vale das Videiras, com 69,9 kms (ida e volta), seguido pela linha 101 – Rocio, com 53 km (ida e volta). Em terceiro lugar, ambas com 28 kms (ida e volta), duas linhas se destacam: linha 450 – Morin x Terminal Bingen e 801 – Jurity.

 Morador de Pedro do Rio, o jardineiro Wilson da Silva tem que acordar todo dia às 5 horas da manhã para trabalhar em Araras. "Além de dinheiro, vou economizar uma hora com a integração, porque não vou precisar ir mais ao transbordo de Corrêas, vou pegar o ônibus em Bonsucesso", comemorou. O empresário Alexandre Costa dos Anjos também destaca a economia nos gastos da pequena empresa. "Meus funcionários vão continuar a ganhar o benefício do transporte e isso vai custar menos para a minha empresa", disse.

sábado, 5 de abril de 2014

Expansão da Via Light deve desafogar tráfego na Dutra


Projeto, orçado em R$ 465 milhões, inclui corredor expresso para ônibus e ciclovias

NATASHA MAZZACARO 

5/04/14 - O Globo

 Placa já anuncia o início das obras de ampliação da Via Light Foto: Divulgação/Eny Miranda
Placa já anuncia o início das obras de ampliação da Via Light Divulgação/Eny Miranda

RIO - O início das obras de ampliação da Via Light — que liga o Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, à Avenida Brasil, na altura do bairro de Guadalupe, na Zona Norte do Rio — foi anunciado neste sábado, pelo governador Luiz Fernando Pezão. A expansão da RJ-081, como foi oficialmente batizada, terá quatro quilômetros. A expectativa é que, depois de pronto, o trecho receba cerca de 22 mil veículos por dia, o que, consequentemente, diminuirá o fluxo de carros na Rodovia Presidente Dutra.

Durante o anúncio das intervenções, Pezão ressaltou que o projeto terá corredores expressos de ônibus, para melhorar a mobilidade e a qualidade de vida dos trabalhadores. A ampliação, que será executada pelo Departamento de Estradas de Rodagem, da Secretaria estadual de Obras, deve ser entregue no primeiro semestre de 2016.

— Vamos estudar também a implantação de ciclovias nos fins de semana, para aproveitar esta integração. Tirar este projeto do papel foi muito difícil, porque não é de simples execução. Vamos abrir dois túneis modernos e construir 12 viadutos — explica.

Embora tenha sido projetada para receber 50 mil carros diariamente, circulam hoje pela Via Light apenas 13 mil veículos. Com o projeto de ampliação, espera-se que a rodovia deixe de ser subutilizada. A ampliação, que está orçada em R$ 465 milhões, prevê também uma faixa exclusiva para a passagem de BRT, além dos 12 viadutos localizados em pontos estratégicos de bairros que cortam a RJ-081.
Firjan sugere mais amplianções

Dois estudos realizados pela Firjan apontam que a ampliação deste trecho e a execução de uma segunda obra (que ligaria a Avenida Brasil a Madureira), fariam com que 37 mil veículos deixassem de passar pela Dutra diariamente. A Federação propõe ainda mais duas extensões da Via Light: a primeira, na altura de Nova Iguaçu, ligaria a rodovia à Dutra, e a segunda uniria a RJ-081 à Linha Vermelha, na altura da Pavuna. O objetivo seria aumentar a capacidade da via para 75 mil veículos por dia e absorver 40% do volume diário da Dutra.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/expansao-da-via-light-deve-desafogar-trafego-na-dutra-12106159#ixzz2y3zlyniz 
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Ônibus da mesma linha ainda fazem dois trajetos

05/04/2014 - O Globo
    
Ônibus 217 passavam, ontem, pela pista lateral, apesar de a prefeitura ter mudado o itinerário
Ônibus 217 passavam, ontem, pela pista lateral, apesar de a prefeitura ter mudado o itinerário Foto: Paulo Mumia / Extra
Geraldo Ribeiro

A mudança no trajeto dos ônibus do corredor BRS que passam na Praça Onze vai levar as paradas dos veículos que antes ficavam na pista lateral da Avenida Presidente Vargas para cem metros adiante. É que, segundo a Secretaria municipal de Transportes, os coletivos vão parar nos pontos já existentes na pista central da Avenida Presidente Vargas, por onde estão passando agora. O mais próximo fica perto da Central.

Nessa sexta-feira, quando reportagem do EXTRA mostrou que os passageiros estavam confusos com a alteração do itinerário de algumas linhas de ônibus (como a 226, a 371 e a 232), nada parecia ter mudado. Ainda havia alguns motoristas de linhas como a 217 (Andaraí-Carioca) utilizando a pista lateral da Avenida Presidente Vargas, quando a prefeitura informa que o correto é seguir pela pista central. Também não havia nenhuma sinalização informando sobre a mudança.

- Aqui é na base da sorte. Tem motorista que para, e outros que não. A gente nunca sabe. Já teve dias de esperar meia hora pelo ônibus - afirmou a assistente administrativo Cleo Castro, de 27 anos, que disse estar surpresa com a notícia de que o trajeto dos ônibus havia sido alterado: - Eu não sabia e não tem nenhuma sinalização para informar - completou a passageira.

Outros usuários de ônibus, desinformados sobre a mudança, também esperavam pelos coletivos no mesmo local. Não havia qualquer agente para orientá-los. A única fiscalização nas proximidades, no final da tarde de ontem, era feita por um agente que controlava o trânsito no cruzamento com a Rua de Santana, a cerca de 50 metros dali.
A prefeitura informou na sexta-feira que solicitou ao Rio Ônibus que reforce, junto aos passageiros, as informações sobre as mudanças. Com relação à sinalização, acrescentou que será implantada pelo Consórcio Porto Novo.

Já o Rio Ônibus garantiu que os consórcios Intersul, Internorte e Transcarioca reforçaram ontem as orientações aos motoristas sobre o novo trajeto. Já os usuários serão orientados por fiscais.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/onibus-da-mesma-linha-ainda-fazem-dois-trajetos-12101044.html#ixzz2y0byTVWx

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Liminar é esperança de moradores contra BRT no Jardim Oceânico

02/04/2014 - O Globo

RIO - Muitos moradores do Jardim Oceânico estão ansiosos para que abril acabe. Isso porque em maio deve ser julgada, em segunda instância e por meio de decisão colegiada, a liminar ajuizada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) que pede a interrupção imediata das obras de expansão do BRT Transoeste do Terminal Alvorada até o Jardim Oceânico, além de um Estudo de Impacto Ambiental (EIA). O tema foi discutido na última terça-feira (25), em reunião realizada pela Associação dos Moradores do Jardim Oceânico e Adjacências (Amar) na OAB-Barra.

Em fevereiro, o juiz da 3ª Vara da Fazenda suspendeu a liminar. O MPRJ recorreu e já teve uma derrota em segunda instância. Mas a medida poderá ser revertida pelo relator e pelos dois desembargadores que compõem a 7ª Vara Cível.

— Estamos preocupados com a legalidade do projeto. Pontuamos falhas na sinergia das obras e no impacto ambiental. Até agora, a Justiça só respondeu sobre a reposição de árvores. Questionamos muito mais — diz o promotor de Justiça José Alexandre Maximino.

Na reunião, o presidente da Amar, Luiz Igrejas, disse que um parecer do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) apresentado pelo promotor mostra o reconhecimento pelo Estado da importância da extensão do metrô ao Alvorada:

— O Jardim Oceânico tem de ter estação de passagem do metrô, não pode ser terminal. O bairro não comporta isso.

Gasto com o BRT Transcarioca já é 46% maior que o previsto

Projeto de ponte estaiada na Ilha teve de ser mudado por não prever proximidade do aeroporto

LUIZ ERNESTO MAGALHÃES

2/04/14 - O Globo

 A ponte estaiada que está sendo construída na Ilha do Governador: em vez de um mastro com 120 metros de altura, estrutura ganhou dois arcos de 60 metros Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo
A ponte estaiada que está sendo construída na Ilha do Governador: em vez de um mastro com 120 metros de altura, estrutura ganhou dois arcos de 60 metros Marcelo Piu / Agência O Globo

RIO — A menos de três meses da abertura da Copa do Mundo, no dia 12 de junho, a prefeitura do Rio tem que correr contra o relógio para inaugurar até o evento as obras do BRT Transcarioca (Barra-Aeroporto Tom Jobim) que integram o pacote de investimentos públicos em mobilidade urbana para o evento. Iniciada em março de 2011 com financiamento do BNDES, a obra convive com atrasos, paralisação de funcionários em algumas frentes e já teve várias alterações no projeto que contribuíram para elevar os custos em 46%, de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,9 bilhão. Na conta, não estão incluídos os gastos com desapropriações, nos quais foram pagos mais de R$ 200 milhões entre 2010 e 2013.

Entre as razões que contribuíram para o aumento de custos, estão situações curiosas, como a mudança no projeto de uma ponte estaiada na Ilha para que o BRT chegue ao Aeroporto Tom Jobim. A licitação da obra tomou como base um projeto conceitual. A proposta original previa que a ponte teria um mastro de sustentação com 120 metros de altura nas imediações de uma das cabeceiras de pista do Galeão. 

Apenas quando os arquitetos foram desenvolver o projeto constataram que a altura do mastro interferiria no tráfego aéreo. A solução foi projetar e construir duas estruturas de 60 metros, exigindo remanejamentos no orçamento.

Os dados sobre custos das obras e atrasos do BRT constam de relatórios de acompanhamento do projeto pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Tribunal de Contas do Município (TCM), além de documentos internos da prefeitura aos quais O GLOBO teve acesso. Em muitas frentes, por exemplo, equipes trabalham 24 horas por dia para entregar a obra a tempo, aumentando despesas. Mesmo assim, no trecho entre Penha e Aeroporto, as obras só devem ser concluídas em setembro, de acordo com o cronograma atual. Na Barra, mudanças no projeto deixaram dois mergulhões R$ 60 milhões mais caros que o previsto. O projeto foi reformulado devido à proximidade do lençol freático com as pistas.

O prefeito Eduardo Paes, porém, se diz otimista e argumenta que os imprevistos são normais numa obra desse porte. Garante que todo o projeto será entregue em maio. Segundo ele, entre todos os projetos de mobilidade para a Copa em andamento nos estados, o Transcarioca é o que terá melhor custo-benefício.

— O que é preciso compreender é que o BRT Transcarioca é uma das obras mais complexas já realizadas na história da prefeitura do Rio. Na prática, não são apenas três anos de obras, mas muito mais. As negociações para desapropriações começaram em 2009. A execução, por exemplo, é mais difícil até mesmo que as obras do Porto Maravilha, porque não se limitaram a tentar minimizar problemas de trânsito numa única região da cidade. O BRT atravessa diversos bairros que contam como uma infraestrutura antiga, que exigiu muita negociação para o remanejamento de rede de concessionárias como Light e Cedae.

No chamado Lote I (Barra-Penha), o cronograma original previa que as obras seriam concluídas até o dia 28 de fevereiro deste ano. Baseada nessa informação, a Secretaria municipal de Transportes fechou, no dia 29 de dezembro de 2013, um plano operacional para o Transcarioca. O documento previa que o BRT seria inaugurado em três fases, entre os meses de março e maio deste ano. O objetivo era permitir uma absorção gradual de usuários, já que a expectativa é que o sistema receba em suas 46 estações cerca de 320 mil passageiros por dia. Isso é mais do que o dobro de usuários do Transoeste (130 mil passageiros/dia).

Pelo plano original, seriam inauguradas, em março, 19 estações entre o Terminal Alvorada, na Barra, e o Largo do Tanque, em Jacarepaguá, totalizando 15 quilômetros. Mas boa parte das estações ainda está em fase de acabamento. Na Barra, instalações elétricas precisaram ser refeitas em duas estações. Na Taquara e no Tanque, os acessos das futuras linhas alimentadoras do BRT ainda estão em obras. Nenhuma das estações, por exemplo, já teve sua rede elétrica ativada para permitir o funcionamento de bilheterias e portas de embarque.

No cronograma fechado em dezembro, a proposta era fazer, em cada uma das fases, testes operacionais por até três semanas, de modo a facilitar os ajustes, reduzindo o risco de imprevistos. Os coletivos circulariam inicialmente sem passageiros, para que os motoristas se acostumassem com o itinerário. Depois, o BRT operaria fora de horários de pico com passageiros, até rodar 24 horas por dia. Para cada uma das fases, previa-se também a redução gradual de itinerários de diversas linhas tradicionais, porque seus trajetos coincidem com o BRT.

— Precisamos de algum tempo para fazer testes, que chamamos de "dar carga" nas estações. Isso inclui ajustar câmeras, checar equipamentos de bilhetagem eletrônica e de abertura automática de portas, entre outros itens. Além disso, dirigir um veículo de BRT é mais complexo que um ônibus comum. Nenhum motorista de BRT começa a receber passageiros sem passar por pelo menos uma semana de treinamento prático com ajuda de instrutores. Além das diferenças de tecnologia dos veículos, há outros detalhes. Ao parar nas estações, as portas dos ônibus têm de ser alinhadas com as entradas das plataformas — disse o gerente-geral do Consórcio Operacional BRT, Alexandre Castro.
Os empresários encomendaram mais de 20 ônibus novos para os testes de março. A frota chegou a tempo. Mas, sem ter como circular pelo Transcarioca, e para não ficarem ociosos, os veículos passaram a reforçar provisoriamente a frota do BRT Transoeste (Barra-Santa Cruz). Este mês, pelo cronograma original, mais seis estações, entre Tanque e Madureira, entrariam em operação. Finalmente em maio, seriam liberados para testes os 21 pontos de parada entre Madureira e o Aeroporto Internacional Tom Jobim. Os prazos estão sendo revistos, mas, no melhor dos cenários, acredita-se que o sistema possa finalmente começar a ser testado até meados deste mês. Ainda assim, num trecho (Alvorada-Taquara) bem menor que o previsto.

Os atrasos não se limitam às obras físicas. A exemplo do Transoeste, o Transcarioca atravessará vias de grande movimento. Para tentar reduzir os acidentes, o corredor expresso terá 30 pontos de monitoramento. Os pardais vão identificar casos de invasão dos corredores exclusivos por veículos particulares, além de excesso de velocidade e avanço de sinal. Esses aparelhos serão alugados por dois anos pela CET-Rio, mas ainda não chegaram.

Também houve atrasos do lado dos operadores. O Consórcio Operacional BRT — gerenciado pelas empresas de ônibus do Rio — ainda não concluiu a implantação da nova central de controle que acompanhará os veículos por meio de GPS e câmeras de vídeo. Em nota, o consórcio alegou que a conclusão da obra não era uma exigência para o início de operação, porque os testes operacionais podem ser feitos da central que hoje atende apenas ao Transoeste.

*Colaboraram Bruno Amorim e Tais Mendes

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/gasto-com-brt-transcarioca-ja-46-maior-que-previsto-12062395#ixzz2xjBaennS 
© 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.