terça-feira, 25 de novembro de 2014

Porto Maravilha: novas mudanças confundem passageiros e desagradam motoristas

24/11/2014 - Jornal do Brasil

Louise Rodrigues*

O primeiro dia útil após as novas mudanças em 40 linhas de ônibus foi confuso, como esperava o Secretário Municipal de Transportes, Alexandre Sansão Fontes. Para dar prosseguimento às obras do projeto Porto Maravilha, os ônibus que paravam no Terminal Misericórdia foram realocados para a Avenida Churchill, Rua Santa Luzia e Praça Marechal Âncora.

>> Mudança no ponto de 40 linhas de ônibus provoca congestionamento no Centro

Alexandre Sansão Fontes
Alexandre Sansão Fontes

Durante a manhã desta segunda-feira (24), o secretário Alexandre Sansão esteve na Praça Marechal Âncora, onde, a partir de hoje, será o ponto final das linhas 130, 131 e 202. Ele avaliou o movimento e esclareceu pontos levantados após a mudança. "O primeiro dia útil é sempre o dia que a maioria das pessoas vai aprender de fato. A gente está divulgando em todos os meios de comunicação e também diretamente ao usuário já há alguns dias. É claro que todo usuário vai se preocupar mais com a mudança no dia que implanta. Então hoje é um dia que a gente tem que intensificar essa informação. Amanhã é a mesma coisa e quanto tempo for necessário", declarou Sansão.

O Secretário Municipal de Transportes minimizou os impactos da mudança para os taxistas, que tinham 15 vagas de parada e agora têm sete. Na sexta-feira (21), o Jornal do Brasil conversou com o presidente do ponto de táxi, Wilson Menezes, que reclamou das consequências da transferência das linhas para a Praça. "Isso não tem problema. Aqui a questão é rotatividade. Nem sempre esse ponto está cheio. Este é um bom local e ajuda a ter espaço para as linhas de ônibus que vão ficar paradas ali para trás – e que carregam mais gente que os táxis. Os táxis vão continuar operando aqui normalmente, os passageiros virão e o espaço é suficiente porque o trabalho no ponto de táxi é o 'entra e sai'. Não é para ficar estacionado. Se é para ficar estacionado, fica em outro lugar. Aqui não é estacionamento. É ponto de táxi, para embarcar e desembarcar. A quantidade de vagas é suficiente", enfatizou.

Na sexta-feira o Jornal do Brasil conversou com o engenheiro de transportes Alexandre Rojas, que levantou o questionamento acerca das medidas paleativas tomadas pela Prefeitura. Entre os pontos criticados por ele foi a criação do Terminal Misericórdia para abrigar linhas que depois seriam novamente transferidas. Perguntado, Alexandre Sansão explicou: "Fizemos isso por causa do andamento das obras. Agora que a gente preparou esse local para receber convenientemente essas linhas. Fizemos aquele retorno, colocamos os abrigos, melhoramos a calçada. Todo preparativo que foi necessário para colocar as linhas de ônibus aqui foi concluído e a gente, estrategicamente, fez a mudança junto com as outras mudanças para facilitar também o entendimento".

>> Porto Maravilha: novas mudanças no trânsito preocupam cariocas

A tranquilidade do secretário, contudo, não reflete o clima entre os passageiros e profissionais das empresas de ônibus. Durante a manhã, um carro da linha 202 errou a entrada que deveria fazer. A despachante Mary Oliveira teve que explicar ao motorista qual caminho ele deveria fazer. Perguntada sobre as mudanças, ela é sucinta. "No sábado os motoristas reclamavam da entrada porque eles estavam com dificuldade para passar. Agora a principal reclamação é quanto as condições do uso do sanitário. A gente não tem desde sexta. Tem um ali, mas que é da obra. Quando eles tiraram, pediram desculpa, mas não colocaram outro. Está insuportável, o cheiro está desagradável a beça", disse.

Segundo motoristas e cobradores, os profissionais que fazem as obras na Praça XV estão compartilhando o banheiro químico. Segundo Mary, "cada um informa uma coisa: uns dizem que é com a nossa empresa, outros dizem que é com a Prefeitura e a gente fica a Deus dará. A gente tem que prestar um serviço de qualidade aos usuários, mas como profissionais da área não estamos sendo respeitados como deveríamos".

José Luiz Pereira não se mostrou satisfeito com a mudança
José Luiz Pereira não se mostrou satisfeito com a mudança

José Luiz Pereira, motorista da linha 202, não se mostrou satisfeito com mais uma mudança. "Para mim piorou. A minha linha era curta e agora se tornou longa. Nós íamos só até o Terminal Misericórdia. Agora temos que ir lá em baixo, na Beira Mar, retornar e entrar aqui. Ou seja, eu venho e volto pelo Aeroporto. Nós fazemos seis viagens. Vamos ver qual a decisão que a empresa vai tomar em relação às viagens agora".

Sobre a falta de banheiros, José brinca: "Se o pessoal da obra parar de deixar a gente usar, a gente sai fazendo xixi por aí, igual cachorrinho". O motorista, contudo, acredita que a empresa solucionará o problema. "Tenho certeza que vão resolver isso em breve".

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

DO FUNDO DO BAÚ - FICHAS LOTAÇÃO

22/11/2014 - Blog Saudades do Rio

Estas três fichas de lotação, da Copacabana Lotações S/A, foram enviadas pelo João Romeu, a quem o "Saudades do Rio" agradece.

Estas fichas eram da linha de lotações "Largo do Machado-Ipanema", circular, que tinha seu ponto final no Largo do Machado, na atual Rua Tavares de Lira.

A área da Lagoa vizinha a Ipanema, onde eu morava, era servida por duas linhas de lotações: havia a "Largo do Machado-Ipanema", circular, com 10 carros partindo do Largo do Machado, via Copacabana, e outros 10 carros também partindo do Largo do Machado, via Botafogo. Ambas iam até o Jardim de Alá e voltavam para o ponto inicial/final no Largo do Machado, na Rua Ministro Tavares de Lira.

A outra era a "Estrada de Ferro-Leblon", que fazia o trajeto pela Av. Pres. Vargas, Av. Rio Branco, Praia do Flamengo, Praia de Botafogo, Voluntários da Pátria, Lagoa, Jardim de Alá, Leblon (e vice-versa).

Três linhas de ônibus atendiam a esta área: a "Estrada de Ferro-Leblon", que fazia o trajeto pela Av. Pres. Vargas, Av. Rio Branco, Praia do Flamengo, Praia de Botafogo, Barata Ribeiro, Corte do Cantagalo, Lagoa, Jardim de Alá, Leblon (e vice-versa, voltando pela Av. N. S. de Copacabana), a "Rocinha-Mourisco" que também utilizava o Corte do Cantagalo, e a "Jacaré-Ipanema", que tinha o ponto final na Praça Corumbá, junto do Corte do Cantagalo (esta linha vinha do Jacaré, passava por Copacabana e Ipanema, virava no Jardim de Alá e voltava pela Lagoa. No retorno fazia o caminho inverso).

Além dessas, tínhamos por perto, os lotações "Lins-Lagoa", com ponto final junto da garagem de barcos do Botafogo Esta linha era ótima para ir e voltar do Maracanã. E, finalmente, uma linha de ônibus "Ponte de Táboas-Copacabana", com um ponto final em Copacabana na Rua Xavier da Silveira, na esquina com Rua Leopoldo Miguez, e outro ponto final na Ponte de Táboas, ali perto da Rua General Garzon, no Jardim Botânico (fazia só um trajeto curto, pelo Corte do Cantagalo, Favela da Catacumba, Fonte da Saudade, Jardim Botânico).

Era difícil, em determinados horários, se conseguir vaga nos lotações, que tinham 20 ou 24 lugares. Pedíamos, com uma sinalização característica, para irmos abaixados no corredor central, para a polícia de trânsito não nos ver. Apenas alguns poucos motoristas conhecidos consentiam.

No caso dos lotações o pagamento era feito diretamente com o motorista, na saída. A ficha deveria ser depositada num receptáculo revestido de vidro, junto à porta de saída, e ficava à vista de todos para comprovar o pagamento da passagem. A seguir o motorista puxava um cabo que acionava o alçapão sobre o qual a ficha ficava depositada e ela caía na caixa coletora, na base do tal receptáculo que, na parte inferior, era opaco, revestido de metal.

A grande façanha era sair do lotação levando a ficha, seja para colecionar, seja para usá-la como palheta no jogo de botões.

22/11/2014 Publicada por luizd.rio
Blog Saudades do Rio

Os novos ônibus com itinerários fora de série

24/11/2014 - O Globo

Não, eles não são todos iguais. E as diferenças vão muito além de ter ou não ar-condicionado. Já imaginou, por exemplo, andar em um ônibus que se transforma em barco? Alguma vez você embarcou num coletivo e, ao entrar, descobriu que havia uma festa com DJ e tudo? Esses são alguns dos serviços que estão chamando a atenção de quem passa pelas ruas do Rio. E, de acordo com empresários que apostam no setor, a tendência é que, cada vez mais, aumente a circulação de ônibus personalizados e que ofereçam serviços exclusivos, como o Surf Bus, que leva surfistas e turistas da Zona Sul às principais praias da Zona Oeste.

Um dos ônibus que anda despertando a curiosidade é o BusParty. De acordo com Maurício Somlo, empresário e idealizador do projeto, o objetivo é agradar ao cliente. Tamanha exclusividade custa entre R$ 1.500 e R$ 1.800 por uma noite de festa.

— Para entrar no clima romântico temos a modalidade Bus in Love, com ambientação de flores, passeios por locais românticos, além de fantasias temáticas para os participantes. Também produzimos aniversários, passeios noturnos e festas temáticas dos anos 60, 70, futuristas e de halloween, e baile de máscaras — explica.

O serviço mais inusitado oferecido pela BusParty é o Bus in Vegas. Nele, o passageiro entra no clima dos casinos de Las Vegas e se diverte com duas mesas de Black Jack. As comemorações de aniversário e as despedidas de solteiro também estão entre as mais procuradas. A estudante de direito Camila Martins Piacentini comemorou o aniversário de 23 anos no BusParty. Segundo ela, a festa será no mesmo local nos próximos anos.

— Foi especial. O ônibus pegou e deixou os meus amigos na porta de casa. Não é como comemorar numa boate normal com pessoas desconhecidas. Eram só os meus amigos, as músicas que escolhemos, as fantasias e a iluminação. Foi fora do comum. O mais engraçado era quando o ônibus ia parando para buscar os meus amigos. Quando eles embarcavam, se deparavam com aquela fumaça, a música e a galera dançando — lembra ela.

PUBLICITÁRIO FAZ FESTA DO HAVAÍ

Já o empresário João Pedro Cantelmo, de 43 anos, encontrou uma maneira diferente para comemorar os 15 anos da sua agência de publicidade:

— Sou publicitário e pensei que deveria despertar esse lado criativo nos meus funcionários. Minha empresa tem apenas 25 pessoas. Fretei o BusParty e fiz uma festa do Havaí. Coloquei no roteiro o endereço dos nossos principais clientes. Conforme passávamos pelo imóvel de cada um, fazíamos um brinde e dançávamos até o chão. Foi uma forma de mostrar aos meus colaboradores que o caminho da comemoração passa pela porta dos nossos clientes.

Mais um passeio que está animando os turistas é o Duck Tour Brasil. De acordo com o gerente do projeto, Felipe Garcia, a ideia veio de outros países e foi inspirada nos caminhões anfíbios usados pelo exército americano na Segunda Guerra Mundial. O veículo começa o passeio na Praia Vermelha, seguindo pelo Aterro do Flamengo até chegar à Marina da Glória. Lá, faz o "tibum" na Baía de Guanabara e inicia um passeio aquático de 40 minutos.

Na quinta-feira passada, a comerciante baiana Zélia Santos Viana, que veio conhecer o Rio com a família, estava na Praia Vermelha. A intenção era visitar o Pão de Açúcar. Mas o neto Gabriel insistiu para que fizessem o passeio no ônibus anfíbio, ao escutar que ele se transformaria em um barco.

— Ainda bem que ele nos convenceu. Tem apenas 5 anos, mas foi uma escolha ótima. Logo depois de dizer que entraria na água, o motorista perguntou se os turistas queriam entrar na água com ou sem emoção. Todos gritaram: com emoção. E ele entrou na água de forma formidável — conta Zélia sobre o passeio, que tem duração de uma hora e meia e custa R$ 100.

Para os surfistas, um dos serviços mais apreciados é o oferecido pelo Surf Bus. Com saídas do Largo do Machado, o coletivo tem capacidade para levar 50 pranchas e 36 pessoas.

— O Rio precisava de um serviço para atender aos esportistas do mar, além dos turistas nacionais e internacionais — disse o surfista e empresário Antônio Carlos Guanabara.

domingo, 23 de novembro de 2014

Obras do Porto Maravilha fecham Terminal Rodoviário no Centro do Rio

21/11/2014 - Agência Rio

A Prefeitura do Rio dará início, neste sábado (22) - devido ao fechamento do Terminal Rodoviário da Misericórdia para execução da frente marítima das obras do Porto Maravilha - a transferência dos pontos finais de 40 linhas de ônibus. Os novos locais de parada serão ativados neste dia e o Terminal da Misericórdia estará totalmente desativado no domingo (23).

A orientação de passageiros e pedestres já teve início na última quarta-feira (19), com 42 agentes explicativos que trabalham na distribuição de 250 mil folhetos entre 7h e 19h, além de caixas de som, painéis informativos e placas. Também está sendo feita uma campanha educativa junto aos motoristas sobre os novos itinerários e solicitando que desliguem os motores quando os veículos estiverem estacionados.

Para atender a integração com as barcas, as linhas 130,131 e 202 serão realocadas na Praça Marechal Âncora, onde farão acesso pela Avenida General Justo. As demais linhas serão divididas entre pontos na Avenidas Churchill (ambos os sentidos), Rua Santa Luzia, Avenida Almirante Barroso e Avenida General Justo.

A Travessa Santa Luzia e uma das pistas da Avenida Churchill terão seus sentidos de mão de direção invertidos. O ponto de táxi existente na rotatória Praça Marechal Âncora será transferido para a lateral da praça à beira mar. O trajeto da ciclovia também será modificado e passará à esquerda no Largo da Misericórdia e à direita na Ladeira da Misericórdia, em direção à Avenida Alfred Agache.

As linhas 2342, 2343 e 2344 com destino à Ilha do Governador deixam a Avenida Churchill e passam a ter o ponto final na Avenida Almirante Barroso sentido Avenida República do Chile, entre a Avenida Presidente Antônio Carlos e a Rua Debret. Todas as demais operarão em modo circular com pontos reguladores nos locais indicados, conforme listagem.

PONTOS TERMINAIS

- Praça Marechal Âncora

130, 131, 202

- Avenida Churchill - sentido Avenida Marechal Câmara

343, 346, 354, 320, 321, 322, 323, 324, 325, 326, 327, 328, 329, 330

- Avenida Churchill - sentido Avenida Presidente Antônio Carlos

232, 238, 292, 310, 311, 363, 367

- Rua Santa Luzia - entre Praça Ana Amélia e Avenida Marechal Câmara

254, 277, 348, 352, 362, 368, 380, 390

- Av. Almirante Barroso - sentido Avenida República do Chile, entre Avenida Presidente Antônio Carlos e Rua Debret

2342, 2343, 2344

- Av. General Justo - sentido Avenida Marechal Câmara, entre Rua Professor Floravanti di Piero e Praça 22 de Abril

344, 349, 374, 376, 377

MS

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Com o bairro na prancheta

20/11/2014 - O Globo


Talvez o morador da Barra da Tijuca não saiba, mas o trabalho de Jozé Cândido Sampaio de Lacerda Jr. ajudou a moldar o cotidiano de toda a região. Após 34 anos como funcionário público municipal, período em que atuou em projetos como a duplicação da Avenida das Américas (em 2000), o arquiteto e urbanista cuida, desde 2009, exclusivamente do escritório ZK Arquitetos Associados. Dali saiu o projeto de um dos novos símbolos da Barra: as estações de BRT. A influência dele não para por aí. O Terminal Alvorada remodelado surgiu de sua prancheta. Lacerda projetou também as novas passarelas da Avenida Ayrton Senna, entregues este ano. E, em breve, virá à luz o desenho do terminal do Parque Olímpico, a tempo dos Jogos de 2016. Ao GLOBOBarra, o arquiteto fala sobre os conceitos que nortearam a criação das estações do BRT e sobre sua visão da Barra.

Na hora de criar o projeto das estações, do BRT, quais foram suas principais preocupações?

Como era a primeira vez de um projeto assim no Brasil desde Curitiba, foi importante ter um protótipo, a estação do Novo Leblon. Ali aplicamos vários conceitos importantes. O primeiro era a refrigeração da estação sem arcondicionado. Todo mundo dizia: tem que ter ar-condicionado. Expliquei que era impossível. Como ter aparelhos de ar-condicionado em mais de 60 estações e que deem conta de portas abrindo e fechando a toda hora? Imagina o custo de manutenção disso. O que fizemos, então, foi usar técnicas de arquitetura para tornar o espaço mais fresco. Pode-se ver que a estação é quase toda feita em vidro, o que teoricamente esquentaria o espaço, mas conseguimos evitar isso com o telhado grande e curvo, que impede que o sol bata. Colocamos paredes de metal perfurado, permitindo, assim, que o ar circule. Também criamos uma separação entre o telhado e o teto da estação, com a mesma função. Por fim, colocamos o que chamamos de captador eólico, um equipamento que fica entre o teto e o telhado. Ele capta vento quando a estação está vazia e tira o ar quente quando ela está muito cheia. E fizemos toda a iluminação com LED. Me disseram que era muito caro, mas sabíamos que valia a pena, porque ela dura mais e gasta menos energia, o que corta o custo de manutenção.

Parece que uma grande preocupação foi com o custo de manutenção.

Sim, foi uma das nossas principais preocupações. Por isso colocamos vidro e aço, que são mais resistentes e duráveis. Não adianta fazer algo lindo e cheio de equipamentos se vai estar tudo quebrado por falta de manutenção. Foi a razão pela qual não colocamos banheiros nas estações. Ficaria um nojo em uma semana e não haveria manutenção no mundo capaz de mantêlos limpos. Argumentei que, se ponto de ônibus não tem banheiro, estação de BRT também não poderia ter.

Qual foi o conceito norteador da reforma do Terminal Alvorada?

Foi outro desafio grande, porque recebemos de saída o número de linhas de ônibus e o número de vagas para BRT que seria preciso ter no projeto. Era muito em um espaço relativamente pequeno. Chegamos ao conceito de uma platafoma central para os BRTs e para os alimentadores e dois subsolos. Um deles não saiu do papel, então ficou um pouco desequilibrado, mas acho que vão consertar isso. O mais importante foi feito, que é ter segurança e conforto no terminal. Por conforto se entende fazer a integração dos dois sistemas, do ônibus com o BRT, da forma mais fácil possível. Não queríamos passarela. Nada que obrigasse o passageiro a subir ou descer escada para mudar de modal.

Com o que vocês estão trabalhando agora?

No sistema modal estamos com a Transolímpica. Especificamente na Barra, temos o projeto do terminal do Parque Olímpico. A Transolímpica, no trecho da Salvador Allende, tem a curiosidade de que talvez tenhamos um "bichoduto", uma espécie de mergulhão para a passagem de animais. Estamos conversando sobre isso ainda. Inicialmente queriam que eu fizesse um mergulhão de dois metros, o que só teria sentido se passassem elefantes ou girafas por ali.

Que detalhes o senhor pode dar do terminal do Parque Olímpico?

Não posso dizer muito porque o projeto ainda não foi apresentado à prefeitura. Será o terminal que atenderá a todo o Parque Olímpico e terá integração com o BRT.

Há quanto tempo o senhor está na Barra e como a vê hoje, urbanisticamente?

O escritório foi criado aqui em 1982. Acho o urbanismo da Barra uma coisa complicada. Meu projeto de conclusão de curso, em 1978, foi uma avaliação do Plano Lucio Costa. Com o passar do tempo, foi-se deturpando muita coisa do plano. A Barra se criou em feudos de condomínios fechados, e isso nunca foi consertado. Perdeu-se a escala humana; só se tem isso no Jardim Oceânico. Muitos planos bons ficaram no papel.

Em Niterói, aplicativo mostrará rota de ônibus em tempo real

21/11/2014 - O Globo

Começa a funcionar em Niterói no mês que vem o aplicativo Vá de Ônibus, que permitirá aos passageiros das linhas municipais e intermunicipais monitorar pelo smartphone, em tempo real, o itinerário dos coletivos. O sistema, já em uso no Rio, não calcula o tempo de deslocamento dos veículos, porém lista os pontos mais próximos de onde o usuário está. O professor de Engenharia da UFF Walber Paschoal acredita que o app será um aliado do cidadão e que deve forçar uma melhora na prestação do serviço. Uma das bandalhas fáceis de serem identificadas são os desvios de rota, queixa comum dos passageiros que, segundo motoristas, em alguns casos, são orientados pelos próprios despachantes para cumprimento de horário. Um aplicativo gratuito permitirá ao passageiro localizar em tempo real, via GPS, os ônibus que fazem as 55 linhas municipais, além das intermunicipais, que circulam em Niterói. Batizado de Vá de Ônibus, o sistema, já utilizado no Rio, poderá ser baixado pelo usuários da cidade a partir do mês que vem.

Segundo Guilherme Wilson, gerente de planejamento e controle da Federação de Transportes do Rio de Janeiro (Fetranspor), os passageiros poderão visualizar em que endereço estão os 700 coletivos em qualquer região do município.

— O sistema vai identificar onde o ônibus está e listar os ponto mais próximos a partir do local em que se encontra o passageiro. O aplicativo também vai indicar as opções de linhas dos bairros para onde o passageiro deseja ir, o entorno e o itinerário dos ônibus — diz o gerente da Fetranspor.

FALTA O TEMPO DE CHEGADA

Wilson esclarece ainda que será possível fazer consultas ao aplicativo informando a origem e o destino do passageiro, o nome e o número da linha ou, até mesmo, fornecendo o nome de um prédio ou ponto turístico, como o MAC. O aplicativo, no entanto, não permitirá ao passageiro calcular o tempo exato que o ônibus levará até chegar ao ponto.

O app estará disponível gratuitamente para smartphones com sistemas Android e iOS. O software está sendo desenvolvido desde 2006 e já demandou investimentos de R$ 2 milhões.

Para o professor do curso de engenharia civil da UFF Walber Paschoal, o aplicativo deve amenizar problemas comuns na prestação do serviço como a demora e a falta de regularidade das linhas:

— Infelizmente não se pode informar o tempo que os ônibus vão levar até o ponto por conta dos engarrafamentos. De qualquer forma, o app deve melhorar a mobilidade, sobretudo porque oferece ao passageiro a possibilidade de escolha pela linha mais rápida. Seria importante aprimorar a ideia e informar as condições de tráfego da via.

O desvio de itinerário, às vezes orientados pelos próprios despachantes para cumprimento de horário, é um motivo frequente de queixa dos usuários. Morador da Região Oceânica, o publicitário Fábio Marins, de 33, reclama do serviço:

— Pego ônibus em Itaipu e de vez em quando faço baldeação em Charitas. Já vi muitos motoristas de uma linha intermunicipal que vai para o Rio desviarem a rota quando estão atrasados. Espero que com esse aplicativo os motoristas pensem duas vezes antes de descumprirem o itinerário.

Para o engenheiro Gilberto Gomes Gonçalves, professor da Uerj e UFF, o aplicativo será uma facilidade para o usuário de ônibus, mas ele chama atenção para o problema macro, da falta de mobilidade urbana em Niterói. Segundo ele, são necessários outros investimentos para atacá-lo:

— É algo que sem dúvida ajuda (o usuário) a controlar o serviço. É um início, mas nós precisamos é de transporte público de qualidade. Isso (o aplicativo) é uma perfumaria.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Posto do Detran deve ir para o Recreio

20/11/2014 - O Globo

O subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Alex Costa, negocia a mudança do posto de vistoria do Detran da Barra para o Recreio. Segundo Costa, o atual posto, localizado em um terreno municipal, próximo ao Terminal Alvorada, deve ir para outra área pertencente à prefeitura, próxima à delegacia do Recreio.

— As negociações com o governo do estado estão bem avançadas. Ainda não há um prazo para a troca, mas deve ocorrer no próximo ano — diz o subprefeito.

O principal objetivo da mudança seria melhorar a operação da estação Alvorada do BRT, que já estaria funcionando com sua capacidade máxima, usando o atual terreno do Detran para facilitar as manobras dos ônibus articulados e criar mais vagas de estacionamento para eles. A mudança também favoreceria o trânsito no entorno do Cebolão, trecho constantemente engarrafado.

Milton Raeli, diretor social da Associação de Moradores do Recreio (Amor), aprova a proposta:

— Se houver estudos para a instalação do posto no Recreio e o processo for conduzido com responsabilidade, não vejo problema.