sexta-feira, 29 de maio de 2015

Translitorânea fecha as portas

12/04/2015 - Ônibus Rio

Empresa encerrou suas atividades na sexta

A Translitorânea Turística está oficialmente extinta. A empresa deixou de operar as quatro últimas linhas que restavam com ela na sexta-feira (10), que são:

314 Central x Recreio via Copacabana BRS3
315 Central x Recreio via Linha Amarela
501 Barra x Gávea
502 Recreio x Gávea
Essas linhas foram assumidas por outras empresas do consórcio Transcarioca.

De pioneira a vergonha

A empresa foi fundada no fim de 2010, no lugar da Amigos Unidos. Sua frota inicial era composta por CARROS da própria TAU (abreviação do nome da Amigos Unidos), mas logo em 2011 foram adquiridos vários carros piso-baixo e outros mais padron para as linhas da Rocinha. Em 2013 logo começaram os problemas: depois da proibição das vans na zona sul, a empresa tinha que reforçar as linhas da região, algo que não cumpriu e teve as mesmas repassadas para outras empresas, que ganharam novos números. No fim do mesmo ano, o restante das linhas da Zona Sul (Intersul) foram retiradas da empresa. Em 2014, vários de seus "veículos-conceito" foram tomados pelo banco por falta de pagamento. Os poucos que sobraram ficaram com ela para operar as linhas acima ou foram repassados a Rio Rotas e/ou Andorinha Rio. O excesso de dívidas decretou seu fim.

Andorinha Rio e Rio Rotas podem ser as próximas

Outras duas empresas que estão perto do fim são Andorinha Rio e Rio Rotas. As duas estão em greve desde março deste ano e parte de suas linhas foram assumidas por outras empresas (até a Transportes Futuro assumiu algumas) enquanto outras como 689, 358 estão fora de circulação. As três empresas pertencem ao mesmo grupo (Breda Rio) que ainda tem as empresas Algarve, City Rio e Via Rio em seu casting.


Integração com o catamarã em xeque

29/05/2015 -  O Globo

Após a polêmica envolvendo a proibição da parada de ônibus da Auto Viação 1001, da linha 1.910D, que fazia a integração com o terminal hidroviário de Charitas, a prefeitura voltou atrás e disse que permitirá que os frescões encostem em frente à estação. A Nit Trans reconheceu a demanda de usuários e informou que há um acordo provisório de embarque e desembarque da linha, que será oficialmente regulamentado. Até o fechamento da edição, no entanto, a Autoviação 1001 informou não ter conhecimento do acordo mencionado.

Na última quarta-feira, os ônibus da 1001 começaram a ser multados ao operar na estação. Por conta disso, a integração com os catamarãs foi encerrada ontem. As autuações ocorreram porque, no início do mês, o presidente da Nit Trans, Paulo Afonso, assinou um ofício proibindo que a linha 1001 utilizasse o local. Segundo a Nit Trans, "tal parada não consta do itinerário oficial da linha que, de maneira irregular, passou a operar como integração". A outra justificativa é de que a empresa ocupava as três vagas em frente à estação e, agora, o espaço é usado como terminal para as novas linhas 38B e 39B, que ligam Charitas à Região Oceânica.

A 1001, por sua vez, garante que a linha tem autorização para realizar a integração com os passageiros do catamarã de Charitas. Um ofício do Departamento de Transportes Rodoviários ( Detro), de março deste ano, confirma a posição da empresa.

Em nota, a Auto Viação 1001 lamentou o impedimento de realizar embarques e desembarques na estação de Charitas. A empresa informou que voltará a operar assim que for notificada oficialmente pela prefeitura.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Transcarioca completa 1 ano com altos e baixos, transportando 230 mil passageiros por dia

Para alguns, tempo de viagem foi reduzido no horário de pico. E há quem fique mais de uma hora na fila para ir sentado

POR RENAN FRANÇA

24/05/2015 - O Globo



Na Estação Alvorada, passageiros se espremem para conseguir um lugar num dos veículos do BRT - Marcelo Carnaval / Agência O Globo


RIO - O auxiliar administrativo Thiago Bastos recebeu cotoveladas para conseguir um lugarzinho em pé. A secretária Marisa da Conceição preferiu aguardar 1h20m na fila para garantir um assento. O professor Luiz Ricardo Pessoa diz que passageiros até brigam por espaço. Os personagens mudam, mas o tema dos relatos se repete: a superlotação do BRT Transcarioca em horários de pico.

O problema pode ser constatado facilmente na fila do Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, a partir das 17h. É dali que partem os ônibus do corredor exclusivo prestes a completar um ano em funcionamento, elogiado e, ao mesmo tempo, criticado pelos passageiros. O impasse é o seguinte: o tempo gasto na viagem diminuiu, mas o sufoco aumentou.

VEJA O INFOGRÁFICO SOBRE O BRT

Nos dias úteis, 145 ônibus transportam, em média, 230 mil passageiros diariamente num trajeto de 45 estações entre a Barra e o Aeroporto Internacional Tom Jobim. A demanda alta se comprova quando comparada à de outro corredor. O Transcarioca carrega 50 mil passageiros a mais por dia do que o Transoeste - inaugurado em 2012 -, que liga a Barra a Santa Cruz. No BRT mais novo, a procura vem crescendo porque 86 linhas de ônibus foram extintas. No lugar delas, 46 linhas, batizadas de alimentadoras, foram criadas para percorrer novos itinerários, a fim de levar passageiros de bairros no entorno até as estações. Os usuários, no entanto, dizem que o número de veículos não é suficiente.

— Quem mora próximo às estações sofre com a superlotação do BRT. Para quem ainda precisa pegar uma linha alimentadora, o problema se agrava — explica Paulo Cesar Ribeiro, engenheiro de transporte da Coppe/UFRJ. — O sistema virou refém do próprio sucesso, porque não consegue oferecer um transporte com qualidade na hora em que o trabalhador necessita. Para um ano de funcionamento (o BRT foi inaugurado em 2 de junho de 2014), o sistema foi subestimado.

ESPECIALISTA: DEMANDA ALTA DEMAIS

A Secretaria municipal de Transportes informa que o Transcarioca carrega cerca de 11 mil passageiros por hora em cada sentido durante o rush. Segundo Eduardo Ratton, doutor em planejamento de transportes e professor da Universidade Federal do Paraná, primeiro estado do país a implantar um BRT, a demanda se mostra muito alta para um sistema inaugurado no ano passado:

— O BRT é tolerado para demandas de até 15 mil passageiros por hora em cada sentido. Quando essa marca é atingida, isso indica que o sistema está saturado. No Paraná, estamos nessa média, mas demoramos quase três décadas para atingir esse patamar. O ideal é que o Rio continue investindo na construção de linhas de metrô e que o BRT seja uma alternativa. Se isso não ocorrer, o sistema vai ficar saturado rapidamente.

Para percorrer os 39 quilômetros que ligam a Barra ao Galeão, existem hoje oito tipos de serviço. O mais rápido deles é o semidireto, que percorre toda a linha em cerca de 52 minutos, parando apenas em quatro estações.

Diferentemente do Transoeste, onde o horário de pico se divide em duas horas pela manhã (das 4h30m às 6h30m) e duas à noite (das 17h30m às 19h30m), no Transcarioca os períodos de maior movimento são mais longos. De manhã, os BRTs que saem da Ilha do Governador começam a ficar a abarrotados a partir de Vicente de Carvalho e assim permanecem, entre 6h e 10h, até o ponto final. À noite, no sentido inverso, das 17h às 20h, os coletivos saem cheios do Terminal Alvorada e, a partir de Madureira, começam a se esvaziar.

Entre as 45 estações, há quatro que funcionam como eixos, onde a superlotação fica mais evidente. Uma delas é a de Vicente de Carvalho, a única que faz conexão com o metrô (Linha 2). Entre 17h e 20h, o movimento de passageiros que vão para o metrô ou saem desse meio de transporte em busca de ônibus é intenso. Na estação do BRT, os coletivos param a intervalos de quatro a dez minutos e já chegam lotados. Com isso, muita gente não consegue embarcar, e o problema vira uma bola de neve, pois o próximo ônibus também não conseguirá absorver todos os passageiros que aguardam condução - e a fila só fará aumentar.

O panorama é o mesmo em Madureira, onde há ligação com os trens urbanos. Nas estações de Tanque e Taquara, a dificuldade é que os dois lugares também funcionam como terminal de embarque e desembarque de usuários das linhas alimentadoras.

Os passageiros do BRT embarcam através de quatro portas automáticas que se abrem assim que o ônibus encosta na plataforma. As filas, porém, são desorganizadas, e os fiscais não ordenam os passageiros. Quem deseja embarcar pode levar tempo procurando o fim da fila. Soma-se a isso o descaso com os painéis dentro das estações - eles ficam ligados "uma vez na vida, outra na morte", como resumiu um passageiro. Os dispositivos deveriam informar o tempo de espera pela chegada do próximo ônibus, mas as previsões muitas vezes não se concretizam.

CONSÓRCIO PROMETE MELHORIAS

De acordo com o diretor do Consórcio BRT, Jorge Dias, nos próximos meses haverá mais fiscais para ordenar as filas. Além disso, informa, um novo software deverá diminuir as imprecisões nas previsões de chegada dos ônibus. Ele também ressalta que as estimativas de capacidade do sistema podem ser feitas de várias formas. Segundo Jorge, um sistema de BRT pode variar de acordo com alguns fatores, como o tamanho dos ônibus e o número de faixas usadas pelos veículos.

— Na Colômbia temos um BRT capaz de levar 42 mil passageiros por hora em cada sentido. O BRT é um sistema modular e, de acordo com a demanda, investiremos na inteligência do transporte para ganhar produtividade. Estamos em fase de reavaliação do formato para novas implementações — diz Jorge.

O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, admite que o sistema precisa de ajustes, mas ressalta que o balanço de um ano é positivo.

— As linhas alimentadoras estão aquém do serviço. O consórcio já foi notificado e multado por isso. A cobrança é permanente - diz Picciani. — Vamos aumentar a frota. Já há 31 ônibus encomendados. É bom lembrar também que o sistema de BRT ganhará no ano que vem o Transbrasil (Deodoro-Centro) e o Transolímpico (Deodoro-Recreio). Isso vai permitir uma migração de passageiros para os dois novos corredores. Os usuários estão felizes de chegar mais cedo em casa depois que começaram a usar o BRT. O ajuste que estamos providenciando é para melhorar o conforto do sistema.
 
SISTEMA RECEBE APROVAÇÃO DE 82%

Prestes a completar um ano de funcionamento, o BRT Transcarioca tem a aprovação de 82% dos usuários, segundo pesquisa feita pelo Datafolha, a pedido do Consórcio do BRT. A aprovação é calculada com base no número de notas 9 e 10 (muito satisfeito), 6 a 8 (satisfeito) e 0 a 5 (insatisfeito). No Transcarioca, 30% dos usuários mostraram-se muito satisfeitos, 52% satisfeitos e 18% insatisfeitos. Para 90% dos entrevistados, a maior vantagem do BRT é o tempo de viagem. Já o principal entrave é a falta de comodidade, citada por 65% dos usuários.

A pesquisa também revela a frequência com que passageiros usam o Transcarioca: 69% dos entrevistados disseram pegar os ônibus do sistema cinco dias ou mais por semana, sobretudo para trabalho (68%). Foram feitas 3.621 entrevistas com usuários.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/transcarioca-completa-1-ano-com-altos-baixos-transportando-230-mil-passageiros-por-dia-16247236#ixzz3b9uo2mGR 
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A nova era dos ônibus

25/05/2015 - O Globo

LUIS ANTONIO LINDAU

Há décadas as cidades entregaram suas ruas aos automóveis. Hoje sofrem com o congestionamento crônico, fruto desse grande equívoco no planejamento urbano. Agora, as cidades estão revendo o modelo e transferindo o protagonismo para o transporte coletivo, já que uma faixa dedicada ao ônibus pode transportar até dez vezes mais pessoas que uma faixa utilizada pelo automóvel.

Medidas prioritárias para o ônibus aumentam a produtividade do sistema, baixam os custos operacionais, reduzem os tempos de deslocamento e trazem maior pontualidade, além de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e diminuir a poluição local.

O site BRTdata.org revela esta nova tendência ao mapear cerca de cinco mil quilômetros de corredores prioritários ao ônibus em 190 cidades do mundo. A plataforma indica um aumento exponencial a partir da virada do milênio, quando Bogotá inaugurou uma nova era dos BRTs, ao possibilitar a operação de serviços convencionais e expressos e reduzir pela metade o tempo de viagem. A capital colombiana investe em BRT desde 2000; hoje, são 11 corredores, que levam mais de 2,2 milhões de passageiros todos os dias. O transporte de alta qualidade e desempenho, que inclui sistemas BRT (Bus Rapid Transit) e BHLS (Bus with High Level of Service), como são chamados na Europa, proporciona uma alternativa rápida, segura, confiável e acessível para a mobilidade urbana.

O Brasil é o país com a maior extensão de corredores de ônibus. São mais de 840 quilômetros, em 34 cidades, que atendem a 12 milhões de usuários por dia. A cidade de Curitiba foi a pioneira no Brasil, iniciou a implantação de corredores de ônibus em 1974 e agora conta com seis corredores BRT, que totalizam 81,5 quilômetros.

A inauguração de sistemas BRT no Rio, Belo Horizonte, Brasília e os mais de 200 projetos de sistemas prioritários ao ônibus em andamento apontam para uma novo momento do transporte coletivo sobre pneus.

Na China, o crescimento na última década foi o mais acelerado, o número de corredores passou de dois para 33. Paris, Madri e Amsterdã estão entre as 56 cidades da Europa com sistemas prioritários ao ônibus. Desde 2005, a Cidade do México vem investindo em BRT; hoje, conta com cinco corredores, que somam 105 quilômetros e levam 900 mil passageiros por dia. Mesmo nos Estados Unidos, onde 95% do deslocamento motorizado urbano é por automóvel, a extensão de corredores ultrapassa 550 quilômetros.

Uma cidade com um sistema multimodal de transporte urbano bem concebido, implantado, operado e controlado é capaz de diminuir a dependência de seus habitantes dos veículos motorizados privados. Importante destacar que uma rede eficiente de BRT, composta de vários corredores em plena operação, enfrenta, durante o processo de implantação, barreiras impostas por inúmeros atores e seus interesses conflitantes. Porém, o transporte coletivo sobre pneus, com sua inerente flexibilidade e a alta competitividade proporcionada pelas faixas exclusivas, apresenta-se como um componente essencial do sistema de mobilidade.

Luis Antonio Lindau é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Rio tem projeto para integrar Região Metropolitana com BRTs

14/05/2015 -  O Globo

Modal mais barato que o metrô e com construção mais veloz, o BRT vai integrar a Região Metropolitana do Rio. Pelo menos esse é o plano do secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio. O projeto — otimista, segundo ele mesmo — é fazer quatro corredores na Baixada (na Via Light, na Rodovia Presidente Dutra, na Rodovia Washington Luís e na futura Transbaixada) e dois no Leste Fluminense (no trajeto que antes seria da Linha 3 do metrô e na RJ-104, a Niterói-Manilha).

O projeto está em estudo e faz parte do Plano Diretor de Transporte Urbano do estado, que será apresentado, nesta quinta-feira, aos secretários dos municípios da Região Metropolitana. Nesta quarta, Osorio falou sobre ele no seminário "Rio Metropolitano: desafios compartilhados", em Nova Iguaçu, na Baixada.

— O objetivo é que o estado faça o papel de integrar os municípios. Na Baixada, a espinha dorsal do sistema de transporte é o trem. Estamos investindo em composições novas e na renovação da via férrea. Os BRTs vão complementar a rede — explicou o secretário.

No evento, a diretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral, disse que o projeto da federação incluiu BRTs na Ponte Rio-Niterói, no Arco Metropolitano, na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106) e na BR-101:

— Um ônibus articulado tira três normais de circulação.

Os palestrantes lembraram que é preciso parar de priorizar o transporte individual.

— Houve aumento de 20% na taxa de motorização em cinco anos. Isso afeta o meio ambiente e a saúde pública. É preciso investir em transporte público, e isso não pode virar somente uma questão política — afirmou Clarisse Linke, diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento.

Para o especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan, Riley Rodrigues, a solução para a mobilidade urbana vai muito além:

— Ela passa pelo reordenamento da Região Metropolitana, com melhor distribuição de funções urbanas, como emprego, saúde, educação, entre outras.

Contratos seriam alongados em troca de obras

Para driblar a crise financeira que assola o país, o governo do estado propôs ao federal que as concessionárias responsáveis pela Rodovia Presidente Dutra, pela Rodovia Washington Luís e pela BR-101 invistam seus próprios recursos em obras de melhoria das vias. Em contrapartida, os contratos de concessão seriam prolongados. A proposta ainda não recebeu aval da União.

— Estamos pleiteando obras no valor de R$ 3 bilhões. Como o governo federal está sem recursos para fazer esses investimentos agora, é uma forma de não ficar parado. Os projetos executivos estão prontos. Se recebermos o aval, em menos de um mês podemos começar os trabalhos — afirmou Osorio.

De acordo com o secretário, esses projetos incluem alargamento de pistas, construção de acessos aos municípios que ficam na beira dessas vias e novas passarelas.

Outra proposta, que não depende do governo federal por se tratar de um trecho estadual, é levar a Via Light até a Avenida Brasil. Dessa forma, o BRT poderá se conectar com corredor Transbrasil. Osorio não deu prazo para a realização da obra.

Fique por dentro

Próximos encontros - O terceiro seminário do ciclo "Rio Metropolitano: Desafios Compartilhados" terá a Segurança Pública como tema. Ele será realizado na próxima quarta, em Niterói. No dia 28 de maio, o encontro debaterá a Saúde, em São Gonçalo. Para fechar, haverá uma reunião no dia 1º de junho, no auditório da Firjan, no Centro do Rio.

Transmissão - Os encontros serão transmitidos pelo site Vozerio, no endereço vozerio.org.br.

Projeto - A iniciativa é da Câmara Metropolitana de Integração Governamental e do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), com apoio da Firjan e do EXTRA.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Terminal João Goulart sofre com quase o triplo de ônibus e rodoviários vão à Justiça contra multas

Cerca de 550 mil pessoas passam todos os dias pelo espaço, por onde transitam 1.681 coletivos

POR PAULO ROBERTO ARAÚJO

04/05/2015 - O Globo
 
NITERÓI - Lotação esgotada no maior terminal rodoviário da América Latina. Vinte e um anos depois de inaugurado, o Terminal João Goulart, no Centro, está completamente saturado e suas plataformas, construídas para receber diariamente 600 ônibus municipais e intermunicipais, não são suficientes para as operações de embarque e desembarque dos atuais 1.681 coletivos. Com o transtorno frequente, os passageiros dos ônibus são os mais prejudicados com a confusão, principalmente na hora do rush, pela manhã e no início da noite, quando a falta de espaço provoca desordem, atrasos e conflitos entre usuários, rodoviários e agentes de trânsito. Pelo terminal passam cerca de 550 mil pessoas por dia.

O caos no João Goulart vai parar na Justiça do Trabalho nesta segunda-feira. Revoltados com as multas aplicadas por agentes da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans) e da Superintendência de Terminais de Niterói (Suten), o Sindicato dos Rodoviários está denunciando os dois órgãos ao Ministério Público do Trabalho. Na queixa, os rodoviários informam que estão sendo multados por obstrução das vias e argumentam que não são responsáveis pelo caos causado pela superlotação do terminal.

— Como não encontram soluções para resolver o problema do terminal, resolveram multar os motoristas num local onde não cabe multa porque o João Goulart é um espaço restrito, não é uma via pública. Os rodoviários estão revoltados e já ameaçam fazer uma greve se o problema não for resolvido. O terminal tem que ser ampliado com urgência — cobrou o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Rubens dos Santos Oliveira, acrescentando que já mandou ofícios ao prefeito Rodrigo Neves e ao presidente da NitTrans, coronel Paulo Afonso, pedindo solução para o problema das multas.




As multas começaram a ser aplicadas pelos agentes de trânsito em 2011. Até agora, cerca de 300 motoristas já sofreram sanções. Cada um está sujeito ao pagamento de multa de R$ 191,50, além de perder sete pontos na carteira de habilitação. Do João Goulart partem ônibus para bairros de Niterói, São Gonçalo, Rio, Baixada Fluminense e para municípios da Região dos Lagos.

— Fui multado porque fiquei menos de três minutos na fila dupla para desembarcar os passageiros. Não poderia largá-los no meio do caminho. Fui desrespeitado, vítima de um absurdo — indignou-se o motorista Valdinei Sigmaringa da Cruz, de 47 anos.

Para tentar amenizar o caos, as empresas de ônibus escolhem seus funcionários mais experientes para coordenarem as operações de embarque e desembarque no terminal. Eles contam que existem linhas que sequer têm baias nas plataformas e há casos em que sete delas usam apenas duas baias.

 
— Houve um aumento explosivo de usuários quando começou o bilhete único e, depois, com a redução vans. A dificuldade de mobilidade também contribuiu porque são necessários mais ônibus para atender à demanda. Somente a linha 515 (Niterói-Mutuá) transporta 20 mil passageiros por dia, o triplo de 20 anos atrás — explica José Carlos Teixeira da Mota, rodoviário há 29 anos e há 15 atuando no João Goulart.

O vigilante Sérgio Renato Corrêa de Souza, que passa pelo terminal há mais de dez anos, diz que já cansou de testemunhar brigas e discussões:

— Na hora do pico, depois das 17h, os ônibus não conseguem chegar ao ponto porque são bloqueados por outros que estão embarcando ou desembarcando passageiros no meio da pista. É confusão todo dia porque são muitos ônibus para pouco espaço.

O despachante Ronaldo Corrêa conta que o horário crítico do terminal é entre 17h e 20h:

— Os ônibus costumam ficar retidos em "pontos negros", como a Praça do Barreto, onde os sinais demoram quatro minutos para abrir, e em vias de mão dupla, como a Mário Vianna (em Santa Rosa) e a Desembargador Lima Castro (no Fonseca). Por causa disso, chegam todos juntos, e os motoristas não podem deixar os passageiros longe das plataformas.

No ano passado, o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários (Setrerj) entregou à Suten o projeto para ampliação do Terminal João Goulart, separando as plataformas de embarque e de desembarque.

— Além de prejudicar os rodoviários, os passageiros são sacrificados com a demora no embarque e no desembarque e com a consequente confusão nas plataformas por causa do espaço reduzido. Nós recebemos muitas reclamações de usuários, mas não temos responsabilidade na administração do terminal. A redução do número de ônibus também é impossível porque a frota é compatível com a demanda de passageiros — avalia Márcio Barbosa, superintendente do Setrerj.

 
ADMINISTRADORA JÁ PEDIU AMPLIAÇÃO

A Teroni Terminais Rodoviários, que tem a concessão para administrar o terminal, informou que solicitou a ampliação há mais de três anos, mas ainda não obteve resposta da prefeitura. Para amenizar o caos, a empresa criou, com seus recursos, uma área nos fundos do João Goulart para estacionamento de ônibus quando houver excesso deles nas plataformas. Também abriu uma área para os veículos da Viação 1001 que ligam Niterói à Região dos Lagos. A empresa esclareceu ainda que seus funcionários não têm poder de multa.

A prefeitura de Niterói informou, através de nota, que os motoristas são multados no interior do terminal por bloqueio indevido de vias, desobediência e falta de respeito com as autoridades credenciadas de trânsito (ofensas, ameaças e o não uso do cinto de segurança). Os motoristas infratores que se sentirem injustiçados podem impetrar recurso junto à NitTrans.

Ainda segundo a nota, o município tem planos para fazer melhorias no Centro de Niterói e no João Goulart: "Algumas medidas já estão sendo tomadas: remanejamento de todos os fiscais de pista para melhor organização dentro das baias do terminal, além do stand by (área de espera), que é fundamental para o funcionamento do terminal. Vale ressaltar que outros projetos estão sendo elaborados para melhoras futuras".

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/bairros/terminal-joao-goulart-sofre-com-quase-triplo-de-onibus-rodoviarios-vao-justica-contra-multas-16030727#ixzz3ZClL07Kx 
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