Ônibus da Real e da Transportes Vila Isabel não circulam esta manhã


29/12/2025 - O Globo

Por Márcia Foletto e Anna Bustamante

Segundo Centro de Operações Rio, passageiros que utilizam linhas dessas empresas devem recorrer ao metrô


Pontos de ônibus estão lotados com falta de veículos da Real e da Vila Isabel
Foto: Márcia Foletto/ Agência O Globo


Passageiros enfrentam, na manhã desta segunda-feira, uma paralisação na operação das empresas Real Auto Ônibus, dos consórcios Intersul e Transcarioca; e da Transportes Vila Isabel, do Intersul. O Bom Dia Rio, da TV Globo, informa que as viações alegam que a falta de recursos para a compra de diesel. Segundo a prefeitura, o repasse de subsídios da Prefeitura aos consórcios está em dia. Em razão dos problemas, a Secretaria Municipal de Transportes (Smtr) abrirá um novo processo administrativo para verificação de descumprimento de obrigações contratuais pelo Consórcio Intersul.

Segundo o Centro de Operações Rio, como alternativa, os passageiros que utilizam as linhas dessas empresas devem recorrer ao metrô. A prefeitura determinou reforço na operação das linhas 104 (Terminal Gentileza x São Conrado), 107 (Central x Urca), 109 (Santo Cristo x São Conrado), 157 (Santo Cristo x Gávea), 161 (Terminal Gentileza x Ipanema), 169 (Terminal Gentileza x General Osório), 232 (Lins x Castelo), 409 (Saens Peña x Horto), 410 (Saens Peña x Gávea), 435 (Grajaú x Gávea), 473 (São Januário x Lido), 552 (Terminal Alvorada x Rio Sul), 583 (Cosme Velho x Leblon), 584 (Cosme Velho x Leblon) e SP805 (Terminal Alvorada x Jardim Oceânico). Além disso, as linhas 109 (Santo Cristo x São Conrado) e 157 (Santo Cristo x Gávea) tiveram o itinerário estendido até o Terminal Gentileza.

Seguem outras alternativas de deslocamento para os passageiros afetados:

Linha 108 - Terminal Gentileza × Jardim de Alah: Passageiros do Terminal Gentileza podem usar as linhas 109 (se o destino for Catumbi, Laranjeiras e Botafogo), 161 (se o destino for Ipanema) e 169 (se o destino for Copacabana).

Linha 110 - Terminal Gentileza × Leblon: Passageiros do Terminal Gentileza podem usar a linha 109, se o destino for Lagoa (desembarque na rua Jardim Botânico) e 104, se o destino for o Leblon.

Linha 112 - Terminal Gentileza × Alto da Gávea: Passageiros do Terminal Gentileza podem usar a linha 133, se o destino for o Rio Comprido, ou a linha 109, caso destino seja na rua Jardim Botânico. Para destino na rua Marquês de São Vicente o passageiro deverá realizar integração com a linha 539.

Linha 163 - Terminal Gentileza × Copacabana: Passageiros do Terminal Gentileza podem usar a linha 109, se o destino for o Humaitá, ou a linha 169, caso destino seja Copacabana.

Linha 222 - Vila Isabel × Gamboa: Passageiros podem usar as linhas 232, 306, 341, 368 ou 390 na ligação entre Vila Isabel e o Centro. O trecho da Saúde e Gamboa pode ser alcançado através da linha 010 ou da linha 1 do VLT Carioca.

Linha 309 - Terminal Alvorada × Central do Brasil: Passageiros na região da Praia da Barra da Tijuca podem usar as linhas 552 e 805. No trecho entre Gávea e Botafogo as linhas 410, 583 e 584 são opções. A ligação entre a Central do Brasil e a Praia de Botafogo pode ser feita através da linha 107.

Linhas 432, 433 e 439 - Vila Isabel × Gávea/Siqueira Campos/Leblon: Passageiros que se deslocam entre a Vila Isabel e a Zona Sul podem usar a linha 435.

Consórcio arrecadou R$ 366,5 milhões

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que vem cumprindo “rigorosamente” sua parte, com o pagamento regular e quinzenal dos subsídios aos consórcios operadores. Entre janeiro e novembro deste ano, o consórcio arrecadou R$ 366,5 milhões, sendo R$ 283,8 milhões provenientes de receita tarifária e R$ 82,6 milhões de pagamento de subsídio.

Segundo a Prefeitura, cabe aos consórcios a obrigação legal de gerir adequadamente seus recursos. O subsídio municipal, afirma a administração municipal, tem caráter complementar à receita tarifária e é calculado de forma proporcional ao serviço efetivamente prestado. As linhas operadas pelo Consórcio Intersul, de acordo com o município, apresentam elevado volume de passageiros e estão entre as de maior arrecadação do sistema.

"Ao tentar atribuir o descumprimento de suas obrigações ao subsídio pago pela Prefeitura, o consórcio busca se eximir de suas responsabilidades, causando prejuízos diretos à população usuária do transporte público. Em razão dos problemas na operação desta segunda-feira, a Secretaria Municipal de Transportes (Smtr) abrirá um novo processo administrativo para verificação de descumprimento de obrigações contratuais pelo Consórcio Intersul. A apuração pode resultar na aplicação de multa contratual", diz a nota da Prefeitura do Rio.

Em nota, o Sindicato dos Rodoviários do Rio informou que a paralisação dos ônibus das empresas Vila Isabel e Real, registrada na manhã desta segunda-feira, “não diz respeito a negociações trabalhistas”. Segundo o presidente da entidade, Sebastião José, a interrupção da operação ocorreu por falta de diesel para o abastecimento dos veículos.

De acordo com ele, cerca de 60 ônibus estão parados na garagem, que fica em V ila Isabel, na Zona Norte do Rio, aguardando abastecimento. “O resto está tudo certo”, afirmou.

O GLOBO esteve no local, onde diversos motoristas aguardavam na garagem. Eles afirmaram que não estão em greve e que o problema é a falta de combustível para abastecer os ônibus.


Garagem de ônibus da Real Auto ônibus e Transportes Vila Isabel na manhã desta segunda-feira
Foto: Márcia Foletto/ Agência O Globo


Impacto no passageiros

A diarista Mara Vasconcellos, de 62 anos, saiu de casa às 6h10, no bairro da Fonseca, em Niterói. Sem imaginar que a linha que costuma usar, a 460, voltaria a enfrentar problemas após a greve da semana passada, ela ficou mais de duas horas esperando pelo ônibus.

Cansada, desistiu e optou pela linha 461, que a levou até o Jardim de Alah. De lá, seguiu a pé até o Leblon, onde trabalha.

— O 461 está lotadíssimo. Estou tentando chegar até o fundo do ônibus para não ter muita dificuldade na hora de descer, mas está complicado. Todo mundo pegou esse porque não tinha alternativa depois de muita espera, fora o calor — relatou Mara, enquanto tentava se mover até a porta de saída do veículo abarrotado.

A situação relatada por Mara Vasconcellos se repete nas imagens registradas em vídeo na manhã desta segunda-feira. O ônibus da linha 461, o mesmo utilizado pela diarista após desistir de esperar pela linha 460, aparece completamente lotado, com passageiros espremidos antes da catraca.

As imagens mostram o veículo parado no ponto enquanto um homem tenta forçar a porta para entrar. A porta chega a se fechar com ele ainda do lado de fora, enquanto o passageiro insiste em embarcar, já que não havia mais espaço no coletivo. Apesar da superlotação, passageiros seguem tentando entrar, diante da falta de alternativas para seguir viagem.

Passageiros se espremem para tentar entrar em ônibus lotado na manhã desta segunda-feira

Nas redes sociais, passageiros passaram a relatar os impactos da falta de ônibus na rotina de quem começou o dia cedo. Uma internauta criticou a justificativa apresentada pela empresa, que atribuiu a paralisação à falta de recursos, e questionou a qualidade do serviço prestado:

“A empresa de ônibus Real é uma vergonha. Estão falando sobre redução de subsídio, mas é um dos ônibus mais podres que circulam no Rio. Ônibus caindo aos pedaços, a maioria cheia de baratas, ar-condicionado que não funciona direito — alguns sequer ligam — e ainda querem falar de subsídio?”, disse @latinaloveschan, no X.

Ônibus parados na garagem

Outro passageiro também usou as redes sociais para criticar a situação enfrentada pela manhã:

“Mais uma manhã de caos para os usuários das linhas de ônibus das empresas Real Auto Ônibus e Vila Isabel".

Greve de funcionários na semana passada

A paralisação registrada na manhã desta segunda-feira ocorre uma semana após uma greve envolvendo funcionários da empresa Real Auto Ônibus. Trabalhadores cruzaram os braços desde as 3h da manhã, afetando a circulação de pelo menos 12 das 16 linhas operadas pela viação, que atendem bairros das zonas Sul, Norte, Sudoeste e o Centro do Rio. A Transportes Vila Isabel, que também chegou a interromper as atividades, retomou a operação ainda pela manhã.

Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Rio, o movimento foi motivado por atrasos no pagamento de férias desde outubro, além de verbas rescisórias, FGTS e INSS desde junho, e pelo não repasse de descontos feitos em contracheques para pensões e empréstimos consignados. O sindicato informou ainda que os funcionários só retornariam ao trabalho após a quitação integral dos valores devidos.

À época, a Prefeitura do Rio afirmou que o repasse de subsídios municipais aos consórcios estava em dia e classificou a paralisação como uma questão entre empresas e funcionários, solicitando o reforço de 11 linhas operadas por outras viações para minimizar os impactos aos passageiros. Já as empresas Real e Vila Isabel negaram atrasos salariais ou de benefícios e informaram que os salários dos funcionários ativos estavam em dia.

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