quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A Linha Vermelha deve ter uma das faixas de rolamento exclusiva para ônibus durante as obras do futuro BRT Transbrasil

13/11/2014 - O Dia

Rio - A Linha Vermelha deve ter uma das faixas de rolamento exclusiva para ônibus durante as obras do futuro BRT Transbrasil. A medida, anunciada ontem pelo prefeito Eduardo Paes ao dar início à primeira fase das intervenções, visa a reduzir o fluxo de coletivos na Avenida Brasil, que terá a atual pista seletiva fechada para as obras do corredor de ônibus que será instalado na via, de Deodoro ao Caju. O cronograma das interdições e mudanças no trânsito deverá ser anunciado nos próximos 15 dias.

"Ainda vamos apresentar as interdições que serão feitas e os esquemas de trânsito, mas posso adiantar que muito provavelmente a gente vai ter uma faixa exclusiva de ônibus na Linha Vermelha durante as obras para garantir a fluidez no trânsito", afirmou Paes.

Linha Vermelha já apresenta constantes engarrafamentos nos horários de pico e especialistas acreditam que situação deve piorar com faixa exclusiva para ônibus na via

Foto: Severino Silva / Agência O Dia

O ponto de partida das intervenções é a construção de um viaduto para integrar o Transbrasil ao corredor Transcarioca. Nesta fase inicial não há interdição de ruas nem avenidas. O elevado vai passar sobre a Avenida Brasil na altura do Arco Estaiado Prefeito Pedro Ernesto, em Ramos. No entanto, o tráfego da via só deve sofrer mudanças a partir dos próximos meses. O cronograma de alterações ainda está sendo discutido pela Secretaria Municipal de Transportes e o consórcio vencedor da obra.

Infraestrutura

O primeiro lote do Transbrasil terá 23 quilômetros, 16 estações, 17 passarelas, duas pontes e oito viadutos. Além das estações, serão finalizados, neste primeiro momento, os terminais Fundão, Deodoro, Margaridas e Missões. O segundo trecho, do Caju ao Centro, será construído pela Companhia de Desenvolvimento da Região do Porto do Rio (Cdurp) e ainda não teve as obras iniciadas. A previsão da inauguração é para 2016.

"Teremos pista, calçadas e muretas recuperadas. Também faremos uma reestruturação da rede de drenagem ao longo da via para corrigir pontos de alagamento, especialmente na região do Caju e Parada de Lucas", acrescentou o secretário Municipal de Obras, Alexandre Pinto.

O trecho da Avenida Brasil que vai do Trevo das Margaridas até o Caju terá duas faixas de BRT em cada sentido. Uma nova faixa será construída na pista central, mantendo três pistas para o tráfego dos demais veículos. Entre o Trevo das Margaridas e Deodoro, é prevista apenas uma faixa em cada sentido para os ônibus articulados. Os terminais Margaridas e Missões conectarão o sistema às rodovias federais BR-116 (Rio - São Paulo) e BR-040 (Rio - Juiz de Fora).
O investimento inicial previsto para o primeiro lote do Transbrasil é de R$ 1,4 bilhão. O corredor terá, ao todo, 32 km de extensão e 33 estações. A expectativa é de que o BRT leve 820 mil passageiros por dia, com uma redução de 40% do tempo gasto na viagem.

Especialistas são contrários à faixa exclusiva

Especialistas não veem com otimismo a reserva de uma faixa seletiva para ônibus na Linha Vermelha, como anunciou o prefeito Eduardo Paes. O engenheiro Francisco Filardi, ex-diretor de Obras do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), aponta que a medida causará impactos em pontos críticos da via.

"Vai impactar muito no acesso ao viaduto do Caju sobre a Avenida Brasil, onde a Linha Vermelha afunila de quatro para três faixas. Ali será gerado um gargalo muito sério. Outro ponto problemático é no Fundão, porque o trânsito que vem do Aeroporto do Galeão vai cruzar com essa faixa exclusiva", avalia o engenheiro, autor da proposta de construção de uma via expressa para ligar a Linha Vermelha ao Maracanã, que será apresentada em breve à prefeitura, como O DIA antecipou no final de outubro.

Como alternativa, Filardi sugere que a passagem de carretas e caminhões na Ponte Rio-Niterói seja limitada ao período noturno. "Assim, esses veículos, cuja maior parte é oriunda da Baixada Fluminense e da Zona Norte, consequentemente também não passariam pela Avenida Brasil durante o dia, evitando os congestionamentos violentos entre 10h e meio-dia, por exemplo", diz ele.
Alexandre Rojas, professor de Engenharia de Transportes da Uerj, também avalia que a medida será insustentável. "A Linha Vermelha já está saturada. Retirar uma faixa dali é tornar o que já era difícil insuportável, porque há uma incoerência entre a demanda de veículos e o tamanho da via", afirma.

Rojas acrescenta que o Transbrasil é uma obra importante para a mobilidade na Região Metropolitana, mas não deveria ser realizada em concomitância com outros projetos de grandes impactos viários que estão em curso na cidade. "O problema é todas as obras acontecerem ao mesmo tempo. Já tem o congestionamento causado pelas obras do Porto Maravilha. É uma intervenção inoportuna para o momento e que deveria ser iniciada só depois dos Jogos Olímpicos", conclui.

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