segunda-feira, 20 de outubro de 2014

A história da empresa Transportes Amigos Unidos

06/04/2014 - Michel Silva

No final de 2013, reproduzimos uma reportagem do jornalista Sérgio Fleury sobre as lotações apelidadas de amarelinhos pelos cariocas. A matéria foi publicada originalmente no Jornal do Brasil, dia 27/05/1977. Nesta reportagem, o intuito é resgatar a memória da empresa Transportes Amigos Unidos (TAU) que serviu durante décadas a população do Rio de Janeiro, principalmente aos moradores da Rocinha.

Em 1957, o transporte por ônibus era realizado pelos antigas e famosas "lotações", 16 sócios se reuniram para criar a Empresa de Lotação Bons Amigos. O nome foi baseado em uma fábrica de carrocerias que existia na época. No ano seguinte, a empresa passou a se chamar Transportes Amigos Unidos. Na época de sua fundação, a Amigos Unidos possuía 26 ônibus e cerca de 60 funcionários. Ficava sediada na Rua Adalberto Ferreira, no bairro do Leblon e operava a linha Gávea – Leme, que fazia dois itinerários circulares – um por Botafogo e outro por Copacabana. Nos anos 50 e início dos anos 60, a empresa tornava-se conhecida entre os usuários mais pela linha do que pelo nome. Ou seja, a Amigos Unidos era a Gávea – Leme. Os sócios, por sua vez, eram chamados de agregados. Em 1963, o então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, decretou fim das lotações, dando início ao transporte por ônibus convencionais, os chamados agregados passaram a ser acionistas da empresa.

Em 1964 possuía aprox. 40 carros com as linhas 591 e 592, mas logo depois, a Viação Taquara (49000) repassou as linhas 545 e 555 para a TAU. Em 1967/68, a empresa possuía 58 carros, explorando as linhas 545 – 555 – 591 – 592 foi quando a empresa acabou arrematando os 40 carros da Viação Taquara com as linhas 583 e 584.

Em 1969, a empresa possuía uma frota grande para época (100 carros), com as seguintes linhas: 545 – Hotel Leblon x Rocinha; 555 – Hotel Leblon x Barra; 583 – Cosme Velho x Leblon (via Jóquei); 584 – Cosme Velho x Leblon (via Copacabana); 591 – Gávea x Leme (via Copacabana); e 592 – Gávea x Leme (via Jóquei).

Sua expansão continua nos anos 70, quando absorve parte da Transportes Acre Ltda – (16500), assumindo assim, linhas como exemplo: (Ex. 521/558). A Transportes São Silvestre (37500) assumiu a outra parte (Ex. 511). Desde então, a Amigos Unidos foi crescendo em linhas e frota.

Extinta garagem da TAU na Rocinha. Atualmente funciona um hospital público no local. (Foto: Renan Vieira)
A empresa transferiu sua sede do Leblon para a garagem do Jardim Botânico, possuindo outra garagem na Rocinha. Após protestos de vizinhos pela sua localização e com a falência da coligada Transportes Mosa, vendeu sua garagem em 2002 e transferiu sua sede administrativa para a antiga garagem da Mosa em Ramos. Após a transferência da sede para Ramos, foi construído um novo prédio para a administração na garagem da Rocinha. Com a inauguração das novas instalações na Rocinha, parte da equipe administrativa foi transferida para este local. Desde então, a empresa passou a funcionar em Ramos e na Rocinha. Cada garagem possui autonomia e administrações próprias, funcionando a garagem de Ramos como matriz e a da Rocinha como filial.
Em 1987, com a falência da Auto Viação Colúmbia, absorveu um lote de linhas ligando o Centro da cidade aos bairros de São Conrado e Barra da Tijuca. Três anos depois, com a crise da CTC-RJ em 1990, passou a operar um lote de linhas nos Centro da cidade e no bairro de Santa Teresa em pool com a Viação Verdun. Em 2004 a empresa saiu do pool.

Devido à obras do Governo Federal, a garagem da Rocinha foi trocada em permuta com o governo do estado do Rio de Janeiro pela antiga garagem de Triagem da CTC-RJ, empresa estatal em processo de liquidação.

Em julho de 2009, a empresa formou um pool com a coligada Viação Oeste Ocidental – que enfrenta grave crise financeira – na linha 397 (Largo da Carioca – Campo Grande via Bangu), em função das constantes reclamações sobre a operação da linha. Inicialmente cedendo veículos, que aos poucos foram transferidos e repintados para a Ocidental, passou a dividir o pool com as empresas Auto Viação Bangu e Transportes Campo Grande após acidente com mortes envolvendo com veículo da Ocidental na linha 397 em setembro de 2009.

A frota da empresa, de 250 ônibus distribuídos em Ramos (147 veículos) e Triagem (103 veículos), é composta principalmente por veículos adquiridos usados de outras empresas e transferidos da coligada Oeste Ocidental. Como conseqüência, apresentava uma das maiores idades médias dentre as empresas cariocas, encontrando-se em mau estado de conservação ou inoperante devido à crise financeira que se abate sobre a empresa.


Ônibus da linha 593. (Foto: Autor desconhecido)
Em março de 2009 a empresa repassou os Comil Svelto que faziam a linha Metrô Siqueira Campos x Barra da Tijuca (Expresso Barra) para Viação Oeste Ocidental, que numa tentativa de se recuperar os colocou na linha 397 Expresso (Tiradentes x Campo Grande). Em Setembro de 2009 a Viação Oeste Ocidental teve sua garagem lacrada, sendo impedida de circular por 6 dias. Quando liberada, esses mesmos carros voltaram a Amigos Unidos, sendo pintado novamente com a identidade visual da empresa e colocados em circulação com o ar condicionado desligados incialmente na linha 175 (Central x Barra da Tijuca), sendo depois transferidos de volta para a linha 397, mas ostentando identidade visual da Amigos Unidos.
De acordo com ranking elaborado pela Secretaria Municipal de Transportes, divulgado em 10 de março de 20101 , a Amigos Unidos foi considerada a quarta pior empresa de ônibus do município, com 19,93 pontos, acima do ponto de corte de 13,69

Com a licitação dos ônibus na cidade do Rio de Janeiro em 2010 a empresa foi extinta e suas linhas transferidas para os consórcios de Empresas (Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz).

Curiosidades sobre a empresa

Durante décadas a empresa TAU criou e extinguiu linhas de ônibus. Selecionamos algumas dessas linhas.

541 e 542 eram Rocinha – Mourisco. Extintas em 1965.
545 – Rocinha x Gávea criada em 1965 e extinta em 1989.
547 – Barra da Tijuca – Hotel Leblon extinta em 1965 e recriada em 1983 com o trajeto Rocinha – Botafogo. Extinta novamente em 1992.
548 – Rocinha – Leme criada em 1984 extinta em 1987.
553 – São Conrado – Leme via Niemeyer criada em 1974 e extinta em 1987.
554 – Barra da Tijuca – Gávea criada em 1973 extinta em 1988.
555 – Cidade de Deus x Gávea (espelho da 750 e atual 550). Criada em 1965 e extinta em 1989.
556 – São Conrado x Novo Leblon (Joá, Barrinha, Ponte Velha, Av. das Américas). Criada em 1980 e extinta em 1988.

Em janeiro de 1970, circulavam apenas duas linhas de ônibus na Avenida Niemeyer: 545 (Rocinha-Hotel Leblon) e 555 (Barra da Tijuca-Hotel Leblon).

Em agosto de 1973 as seguintes linhas circulavam pela avenida Niemeyer: 521 (Vidigal-Mourisco), 522 (Vidigal-Mourisco), 545 (Rocinha-Marquês de São Vicente), 553 (Leme-São Conrado), 554 (Gávea-Barra da Tijuca), 555 (Gávea-Cidade de Deus), e 750 (Gávea-Cidade de Deus), além das linhas especiais Campo Grande, Base Aérea de Santa Cruz, e Restinga de Marambaia, ambas com ponto final no Aeroporto Santos Dumont.

via Viva Rocinha com informações do Wikipédia e historiadores.

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