quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Itinerários de ônibus municipais e intermunicipais que passam pelo Centro serão reordenados

Medidas incluem, além de mudanças de trajeto, a transferências de pontos. Objetivo é melhorar fluidez no trânsito

POR GISELLE OUCHANA

25/09/2014 - O Globo

RIO - A Secretaria municipal de Transportes (SMTR) vai implantar, a partir do dia 1º de novembro, medidas de reordenamento e racionalização de itinerários e pontos finais de ônibus municipais e intermunicipais que circulam no Centro. O principal objetivo, de acordo com o órgão, é proporcionar melhor fluidez ao trânsito nas vias da região. Ao todo, 45 linhas sofrerão alterações de trajetos e paradas, sendo 20 intermunicipais, nove municipais convencionais e 16 linhas executivas.

As principais mudanças afetam ônibus convencionais que vêm da Zona Oeste. Ao todo, nove linhas (Sulacap-Carioca, Cosmos-Carioca, Bangu-Tiradentes, Padre Miguel-Carioca, Santa Cruz-Carioca, Vila Aliança-Carioca, Bangu-Carioca, bairro Jabour-Carioca e Campo Grade-Carioca), que atualmente fazem ponto final na Avenida Chile, serão transferidas para a pista lateral da Avenida Presidente Vargas, sentido Zona Norte, entre as avenidas Rio Branco e Passos.



O processo de racionalização dos itinerários também vai influenciar o trajeto de 20 linhas intermunicipais que vêm da Baixada Fluminense, São Gonçalo e Niterói. São elas: 110D, 124B, 129B, 463C, 269C, 471C, 478B, 486C, 521D, 565D, 524B, 559Bm 722D, 724D, 726D, Passeio-Paracambi, Passeio-Japeri, Duque de Caxias-Praça Quinze, Santa Isabel-Passeio e Vendas das Pedras-Praça Quinze. O secretário municipal de transportes, Alexandre Sansão, disse que a prefeitura quer, assim, evitar que os veículos trafeguem em vias onde não há necessidade.

Sendo assim, os coletivos que chegam pela Avenida Presidente Vargas, principal via de acesso ao Centro, e que atualmente fazem ponto final no Passeio Público e na Avenida Augusto Severo, farão ponto final na Avenida Presidente Vargas, altura da Candelária, e na Rua Camerino.

Para a população, a secretaria promete fazer um trabalho de informação antes da implantação das mudanças, com placas, folhetos e agentes de informação espalhados pelas ruas.

— Nós vamos aprofundar o processo de informação, com sinalização e folhetos, com mais de um mês de antecedência dessa reformulação. A fluidez no trânsito é um compromisso nosso com o Ministério Público, tendo em vista o avanço das obras do Porto Maravilha — afirmou Sansão, ressaltando que outro objetivo é evitar que ônibus circulem vazios pelas ruas do Centro da cidade.

Apesar das transferências para a Avenida Presidente Vargas, o secretário não acredita em um possível congestionamento na região.
 
— De acordo com estudos que temos na SMTR, a Avenida Presidente Vargas tem bastante capacidade e já teve o volume de tráfego reduzido por conta do fechamento do Mergulhão da Praça Quinze e da eliminação do Elevado da Perimetral, ou seja, passamos a ter um espaço no trecho que nos permite implantar os pontos terminais — explicou o secretário.

Ainda de acordo com Alexandre Sansão, a Avenida Presidente Vargas tem uma posição estratégica por ser conhecida e por ser uma área centralizada, em que os passageiros terão a possibilidade de chegar rápido aos pontos, com uma caminhada de, no máximo, dez minutos.


Pedestres atravessam a Avenida Presidente Vargas, na esquina com a Rio Branco - Custodio Coimbra / Agência O Globo (21/07/2014)

Linhas municipais executivas que fazem pontos terminais na região do Castelo, no Terminal Menezes Cortes e na Avenida Churchill, terão itinerário de saída alterados. Os ônibus serão distribuídos por dois eixos: o primeiro pelas ruas da Assembleia, Carioca e Frei Caneca; e o segundo pelas Avenidas Graça Aranha e Mem de Sá. A mudança ocorrerá nas linhas Gardênia Azul-Castelo, Praça Seca-Castelo (via Avenida Menezes Cortes), Taquara-Castelo (via Linha Amarela), Freguesia-Castelo, Grajaú-Castelo, Engenho de Dentro-Castelo, Pavuna-Castelo, Mariopolis-Castelo, Campo Grande-Castelo (via Avenida Santa Cruz), Campo Grande-Castelo (via Avenida Brasil), Castelo-Estrada da Posse, Bananal-Casterlo (via Linha Amarela), Ribeira-Castelo (via Linha Vermelha), Bancarios-Castelo, Vila Valqueire-Castelo e Vila Valqueire-Castelo (via Marechal Hermes).

PARA ESPECIALISTA, EFICÁCIA É DÚVIDA

Especialista em transportes públicos, o professor da Fundação Getúlio Vargas Márcio Barbosa teme que a alteração seja um tiro no pé. Segundo ele, a mudança pode provocar o aumento do uso de transporte individual pelos passageiros, gerando congestionamentos.

— Espero que com essa transferência dos pontos do Passeio Público, por exemplo, a gente não esteja "punindo" aquele que precisa ser privilegiado com o transporte coletivo intermunicipal que, com as mudanças, vai precisar se deslocar de lá até o outro extremo da Avenida Presidente Vargas. Se essa pessoa passar a utilizar o próprio carro, estaremos dando um tiro no pé — comentou.

A eficácia dessas alterações também é motivo de dúvida para Barbosa, que acredita numa sobrecarga dos pontos terminais na Presidente Vargas.

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— A minha preocupação é a quantidade de linhas transferidas para a Avenida Presidente Vargas. Esses pontos podem ficar sobrecarregados, podendo gerar transtornos para os passageiros. Espero que o levantamento tenha sido feito de forma adequada e que o secretário esteja absolutamente correto — afirmou.

Desde o início do ano, por conta das obras do Porto Maravilha e das implosões do Elevado da Perimetral, o carioca já sente os impactos das mudanças. Em fevereiro, pelo menos 21 linhas que vêm dos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, além de ônibus que chegam da Baixada, tiveram suas rotas e pontos finais alterados.

Ainda por causa do plano de mitigação para avanço das obras do Porto Maravilha, a Avenida Rio Branco passou a ter mão dupla, exclusivamente para ônibus e táxis, quando foram abertas duas faixas em direção à Candelária e três sentido Aterro do Flamengo. Desde então, veículos de passeio não podem mais circular pela via. Além de alterar a rotina de quem trafega pelo Centro, motoristas e pedestres tiverem dificuldades em transitar pela região, causando, na época, um enorme engarrafamento nos acessos ao bairro.

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