terça-feira, 8 de outubro de 2013

Sem tempo para ter atenção

01/10/2013 - O Dia

DANIEL PEREIRA

Rio - Principal aposta como solução para o transporte de massa do Rio, o BRT tem sido alvo de críticas frequentes pelos acidentes na única linha que já está operando na cidade, a Transoeste, que registrou oito ocorrências só este mês. Agora, os motoristas do sistema, inaugurado em junho de 2012, reclamam: o tempo entre o sinal amarelo e o vermelho não é suficiente para frear o ônibus com segurança, sobretudo com o veículo lotado.

Com isso, resta ao "piloto" decidir, em poucos segundos, se para bruscamente (e corre o risco de derrubar e machucar passageiros) ou se freia devagar (e invade a faixa de pedestres). A outra possibilidade é acelerar, mas aí o temor é tomar uma multa ou causar um acidente.
Para resolver a questão, eles sugerem que todos os sinais tenham temporizadores (cronômetro com contagem regressiva), o que daria a exata noção do tempo para a frenagem. "Nos preocupamos com a segurança de todos. Queremos um basta nestes acidentes e nas multas. Os temporizadores podem ser um pontapé inicial para buscarmos o índice zero de acidentes envolvendo BRTs", comentou um motorista que, com medo de retaliações, preferiu não se identificar.
Os profissionais do volante que entraram em contato com O DIA questionam: "Por que em vias urbanas onde a velocidade é de 40km por hora existem temporizador e no BRT não?" Atualmente, a velocidade máxima do sistema é de 70km por hora. Os ônibus articulados chegam a ter 23 metros e levam até 180 passageiros. "O ônibus do BRT é muito maior, mais pesado e anda mais rápido que os convencionais. Ele demora muito mais a parar totalmente", avaliou um deles.
Professor de Engenharia de Transportes da PUC-Rio, José Eugenio Leal explica que é preciso que o sinal amarelo fique acesso por mais de cinco segundos (hoje, este é o tempo) para que haja tempo suficiente de reflexo, decisão e da frenagem completa.


Motoristas dizem que os veículos do BRT são mais pesados e maiores do que os ônibus comuns e, por isso, levam mais tempo para a frenagem
Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Após inauguração do BRT, número de acidentes cai nas vias do sistema

Nesta segunda-feira, pela oitava vez neste mês, houve mais um acidente envolvendo o BRT. Um ônibus colidiu com um carro de passeio na Av. das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, sem deixar feridos. De acordo com os números do Instituto de Segurança Pública (ISP), as ocorrências com vítimas diminuíram 55% depois que o BRT Transoeste começou a operar nas avenidas das Américas e Dom João VI. No primeiro semestre deste ano, foram 220 acidentes com vítimas, contra 492 em igual período de 2012.
Sobre a crítica dos motoristas, a Prefeitura do Rio, por meio das secretarias municipais de Transportes, Obras e de Conservação, e a CET-Rio, explicou que os veículos do BRT já têm sistema eletrônico que, quando os coletivos se aproximam do sinal, aciona um mecanismo que prolonga o tempo de verde e de amarelo ou encurta o devermelho. Isso impossibilitaria a instalação dos temporizadores.

"Os manuais técnicos determinam uma variação entre três segundos (mínimo) e cinco segundos (máximo) para o amarelo. No caso da Av. das Américas, todos os sinais do BRT Transoeste estão programados com o tempo máximo. Além disso, quando os ônibus articulados do BRT atingem a marca de 70 km/h, a velocidade eletronicamente é travada", informou em nota.

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