sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lotação Lins-Lagoa

30/11/2012 - Blog Saudades do Rio, Luiz D'

Esta fotografia do ponto final do lotação Lins-Lagoa, enviada no original pelo Helio Ribeiro, foi colorizada pelo prezado Conde di Lido.

Localizado em plena pista da Avenida Epitácio Pessoa, em frente à garagem de barcos do Botafogo, era a condução ideal para ir ao Maracanã nos anos 60. Melhor que o ônibus Grajaú, que parava mais vezes durante o trajeto.

Apesar da viagem ser longa, via Botafogo, Flamengo, Centro, Presidente Vargas, Praça da Bandeira, pegávamos os lotações vazios em seu ponto final e, muito frequentemente, em alguns modelos de lotação, íamos sentados naquela cadeira única logo na primeira linha de bancos.

No parabrisas do lotação está escrito: 28 de Setembro, Estádio, Estrada de Ferro, Carioca, Avenida, São Clemente.

O tráfego, até a abertura do Túnel Rebouças na década de 60, era tão reduzido no entorno da Lagoa que os lotações ficavam parados em plena pista, deixando apenas uma faixa de rolamento para os outros veículos provenientes do Humaitá e Jardim Botânico. Isto, de certa forma, obrigava os automóveis diminuírem a velocidade antes de enfrentar a Curva do Calombo, logo adiante.

Como já lembrou o Andre, a temida curva do Calombo ( atrás do fotógrafo), na época era muito mais perigosa que hoje, quando as duas únicas chances de os motoristas inábeis ou imprudentes evitarem a queda dentro d'água eram ser contidos pelo "Coração de Pai" ou pelo "Coração de Mãe", duas enormes casuarinas que ficavam no local.

Podemos ver, à direita, a escavação da rocha para a construção de mais um edifício naquela região.

Na primeira publicação foram feitos alguns comentários, que agora transcrevo:

No início da década de 60 a LINS-LAGOA possuía lotações MERCEDES-BENZ torpedo com carroceria METROPOLITANA, bem mais bacanas que estes bravos, porém rústicos, CHEVROLET 'Sapo' da foto. Por esta razão creio que a foto deva ser anterior a 1960.

Relembrando, os lotações foram banidos do transporte publico na época do Lacerda e ainda sobreviveram mais um pouco como transporte escolar e em linhas em locais inimagináveis.

Essas lotações não eram exclusividade de apenas uma marca. Havia Chevrolet (os da foto)e também Mercedes-Benz. Carroceria sim, a maioria que rodava no Rio era Metropolitana, com motores externos. Em geral, tinham apenas uma porta para entrada e saída, e a cobrança era feita pelo próprio motorista, tal como está ocorrendo atualmente, para que as empresas economizem com a mão-de-obra do trocador (como eram chamado nas décadas de 50-70).

Até o início dos anos 60, não era necessário ser empresário para atuar no ramo, bastava ter apenas uma lotação e obter licença para atuar numa das linhas.

Um comentário:

  1. Na década de 60 os lotações eram encarroçados com Carrocerias Pilares e não Carrocerias Metropolinana.

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