Prefeitura coloca terceira faixa só para ônibus no BRS da Rio Branco

30/12/2011 - O Globo

No primeiro dia do novo sistema, houve engarrafamento de coletivos

TAIS MENDES
RONALDO BRAGA
RENATA LEITE

RIO - Devido aos problemas enfrentados no primeiro dia de funcionamento do sistema de Bus Rapid Service (BRS) da Avenida Rio Branco, no Centro, nesta sexta-feira estão disponibilizadas três faixas para ônibus, entre a Avenida Presidente Vargas e a Rua da Assembleia. A medida visa a diminuir a fila de ônibus que se formou na via na quinta-feira. A prefeitura colocou cones para delimitar essa terceira faixa. Segundo a Secretaria municipal de Transportes, a nova faixa funcionará como teste, ainda não podendo ser considerada uma medida definitiva.
Na avaliação do secretário Alexandre Sansão, nas primeiras horas de funcionamento, o trânsito da Avenida Presidente Vargas, sofreu os reflexos dos ônibus que entravam numa operação desajustada.

“Neste primeiro trecho do BRS, os motoristas estavam se adaptando e alguns acreditavam que poderiam parar em todos os pontos, o que não é mais possível. Mudanças no trânsito, na forma de embarque e desembarque, sempre causam dúvida e a dúvida no trânsito sempre gera alguma retenção. Há muita coisa para ser ajustada e esse trabalho será feito para que o corredor da Rio Branco esteja funcionando bem nos próximos dias”, disse, em nota, o secretário.

Ainda de acordo com Sansão, a operação no corredor BRS está sob monitoramento constante tanto da rua quanto das câmeras do Centro de Operações Rio. Além disso, foram promovidas reuniões de ajustes com técnicos da prefeitura e representantes dos consórcios. Segundo ele, a CET-Rio está avaliando os tempos dos sinais de trânsito na Rio Branco e ruas próximas.
No início da manhã e durante a tarde, a grande fila de ônibus que se formou causou um verdadeiro caos. O congestionamento fez com que alguns ônibus não conseguissem encostar no ponto. Os motoristas tiveram que abrir as portas na fila dupla para embarque e desembarque de passageiros, que tiveram que passar em meio aos outros coletivos para chegar à calçada. Por causa da longa fila do BRS, a pista lateral da Presidente Vargas, sentido Candelária, também apresentou trânsito congestionado. Por outro lado, as duas pistas reservadas aos veículos estavam vazias e lembravam até a pequena movimentação de um fim de semana.

Na esquina das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, cinco agentes de trânsito e um guarda municipal fizeram o controle do tráfego. Nesse trecho, eles instalaram cones e os ônibus usaram uma terceira faixa da Rio Branco (até a altura da Rua Buenos Aires) para diminuir a retenção.O tempo de viagem para cruzar toda a avenida, contudo, está bem maior quando comparado com o fluxo de quarta-feira, segundo os motoristas de ônibus. Há 14 anos fazendo a linha 217 (Carioca-Andaraí), o motorista Aluísio Matias relata que, mesmo quando a avenida estava congestionada, ele demorava, no máximo, sete minutos para percorrer toda a extensão da Rio Branco. Nesta quinta, o trajeto foi concluído em dez minutos.

— Estou na terceira viagem do dia. A segunda, às 7h da manhã, definitivamente foi a pior, a mais congestionada — reclama Matias.

Os motoristas de ônibus, no entanto, continuaram enfrentando congestionamentos desde a Avenida Presidente Vargas, na altura do prédio dos Correios. Aquele trecho é o mais complicado, na medida em que os ônibus precisam se posicionar lado a lado para acessar o corredor, dando um nó no trânsito.

Em alguns pontos da Rio Branco os motoristas enfrentaram retenções nas pistas fora do BRS por conta de carros-fortes e vans que estavam parando do lado esquerdo da avenida. Guardas municipais e operadores da CET-Rio tentam ordenar o trânsito.

Alguns passageiros disseram também estar confusos com o funcionamento do BRS e não sabem ao certo onde podem embarcar e desembarcar. A professora Márcia Ribeiro, por exemplo, conta que ficou mais de 15 minutos andando de um lado para o outro, procurando o ponto para embarcar em um ônibus para Copacabana.

— Está muito mal sinalizado, só hoje vi a distribuição de panfletos indicando os pontos. Mas isso deveria ter sido feito preventivamente, antes do início do BRS — protesta.
A secretária Virgínia Braga, que mora na Penha e trabalha na Cinelândia, contou que levou uma hora entre a Leopoldina e o final da Rio Branco:

— Espero que melhorem este sistema para os próximos dias porque do jeito que está hoje ficará insuportável.

O casal Maria Lúcia Sousa e Durval de Oliveira Paes reclamou da disposição dos pontos de ônibus. Eles desembarcaram do ônibus da Linha 322, vindos de Bonsucesso, no ponto da Rio Branco na altura da Rua Sete de Setembro e tiveram que caminhar de volta até a Presidente Vargas:

— Ele vem pela rodoviária e depois do Cais do Porto só tem este ponto na Rio Branco. O endereço que vou é no início da Presidente Vargas, e agora tenho que caminhar até lá. A viagem foi estressante, com todos os passageiros brigando com o motorista, que argumentou que se parasse no ponto errado teria que pagar uma multa alta.

Nos pontos de ônibus, além dos operadores que distribuem panfletos informativos sobre o BRS, há também duplas de PMs que participam do Programa Estadual de Integração na Segurança. São 20, ao todo, fazendo levantamento sobre as linhas e horários que passam na Rio Branco. Eles disseram que a ordem agora não é multar e sim orientar os motoristas.

O BRS da Rio Branco começou às 6h desta quinta-feira, em pleno rush de fim de ano — que já deixou os acessos ao Rio congestionados na quarta-feira. Os itinerários de 61 linhas intermunicipais sofreram alterações. Essas linhas, que transportam 3,6 milhões de passageiros por mês e têm frota de 772 veículos, não poderão mais parar ao longo da Rio Branco. Esses coletivos só vão ser autorizados a desembarcar e pegar passageiros na Avenida Presidente Vargas, na Rua Araújo Porto Alegre e nos seus terminais.

A mão da Rua Senador Dantas e de outras três vias — Avenida Luis de Vasconcelos; Rua Lelio Gama (trecho entre a Avenida Chile e Senador Dantas) e Rua do Carmo (trecho da São José para Rua da Assembleia) — foram invertidas. Desde a madrugada de terça, a prefeitura faz as adaptações necessárias nessas vias, o que ocasionou congestionamentos na quarta. Também foram alterados os itinerários de todas as linhas que dobravam à esquerda na Avenida Rio Branco, que passarão a circular pela Rua Senador Dantas.

O BRS funcionará nos dias úteis até as 21h e, nos sábados, até as 14h. Nos domingos e feriados a passagem de automóveis no corredor ficará liberada.

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